segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nos dias 26 e 27 de fevereiro/2016 ocorreu no Assentamento Terra Vista a Reunião do Fórum Estadual de Educação do Campo do Estado da Bahia.


o Assentamento Terra Vista teve a honra de receber os companheiros e companheiras dos Movimentos Sociais (CETA, MST, MLT...), os estudantes da Universidade Federal do Recôncavo - UFRB, estudantes e professores do Campus da Universidade do Estado da Bahia em Teixeira de Freitas, Escola Família Agrícola - EFA, o companheiro Garotinho do Território Litoral Sul, os companheiros do Consorcio da Mata Atlântica e várias autoridades da Educação do Campo: Dra. Maria Nalva Bogo, Dra. Silvana da UFRB.
O Fórum de Educação do Campo é resultado do acúmulo de reflexões, conhecimentos e experiências de vários lutadores e lutadoras, na perspectiva de uma estratégia de luta para o fortalecimento da Educação do Campo.
Durante a reunião foram realizadas mesas, rodas de diálogo e socialização, na perspectiva de auto-organização de uma educação de qualidade e o não fechamento das escolas do Campo.
Nessa oportunidade coincidiu com a adesão da TEIA DOS POVOS ao Fórum de Educação do Campo.
O Assentamento Terra Vista agradece por essa oportunidade de receber todas companheiras e todos companheiros que vivem em defesa das escolas do Campo. E conclamamos todos a participar da jornada de luta que acontecerá de 14 a 23 de março em todo o estado da Bahia em defesa da Educação do Campo, da Reforma Agrária e dos territórios.
Viva Educação do Campo!
Viva a classe trabalhadora!

O Brasil roubado por latifundiários. Vem aí mais um crime desse tipo.

Agora, o alvo a ser atingido pela bancada ruralista, direta ou indiretamente, encontra-se entre os artigos 188 e 190 da Constituição Federal.
Agora, o alvo a ser atingido pela bancada ruralista, direta ou indiretamente, encontra-se entre os artigos 188 e 190 da Constituição Federal.
Jacques Távora Alfonsin
A discussão de projetos de lei relacionados à venda de terras brasileiras, para pessoas ou empresas estrangeiras, está retornando à Câmara dos Deputados. Agora, o alvo a ser atingido pela bancada ruralista, direta ou indiretamente, encontra-se entre os artigos 188 e 190 da Constituição Federal:
Artigo 188. A destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária.
§ 1º A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional.
§ 2º Excetuam-se do disposto no parágrafo anterior as alienações ou as concessões de terras públicas para fins de reforma agrária.
Art. 189. Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos.
Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em lei.
Art. 190. A lei regulará e limitará a aquisição ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que dependerão de autorização do Congresso Nacional.
 Além dessas limitações constitucionais incomodarem o capital interessado no mercado de terras, seja o nacional seja o estrangeiro, cuja sede de apropriação e concentração é sabidamente insaciável, o novo empenho congressual de discussão da matéria certamente quer eliminar a previsão constitucional do destino dessas terras ficar prioritariamente reservado para a reforma agrária.
Se a esse destino for somado o direito-dever de a União executar a escandalosa dívida de grandes latifundiários brasileiros, sonegadores de impostos, se reintegrando na posse, também, de fazendas griladas, aí mesmo é que a representação política das/os latifundiárias/os no Congresso vai se desmoralizar por completo e isso ela precisa impedir a qualquer custo.
Além de ficar sem qualquer sustentação a autopromoção que ela faz de ser a locomotiva da economia brasileira – movida então a dinheiro público que ela não paga – não faltaria chão para assentar quantas/os brasileiras/os pobres estão penando, há anos, o desrespeito ao seu direito de acesso à terra, pela reforma agrária prevista, igualmente, na Constituição. Essa nem precisaria enfrentar toda a demoradíssima chicana processual, presente nas desapropriações de imóveis rurais, para  mensuração dos graus de  “produtividade” de cada um.
As manchetes do último número da revista “Caros Amigos” arrola dados impressionantes sobre o volume, em dinheiro, dessa dívida tributária não paga:
“Entre os grandes devedores de impostos, cerca de quatro mil pessoas físicas e jurídicas possuem dívida acima de R$50 milhões cada uma. Somadas, essas dívidas totalizam R$906 bilhões. O valor representa cerca de 40% do PIB brasileiro.” “O que chama a atenção é que muitos dos cem maiores devedores de impostos são grandes proprietários de terras. É o caso das Usinas Outeiro (R$2,7 bi), Cambahyba (2,6 bi), Victor Sence (2,4 bi), Companhia Açucareira Paraiso (R$2,7 bi), e da Companhia agrícola Baixa Grande (R$1,8 bi), todas do Rio de Janeiro. O usineiro Antonio Evaldo Inojosa de Andrade (dono da Companhia Usina do Outeiro), também é suspeito de grilar mais de 1,7 mil hectares de terra na Bahia. Somadas as dívidas desses seis nomes, chegamos à cifra de R$12,2 bilhões.”
Entrevistado pela “Caros Amigos”, Ariovaldo Umbelino de Oliveira “um dos mais respeitados estudiosos do assunto”, denuncia como é grande a fraude presente na titulação de terras, no Brasil: “O município de São Felix do Xingu, na Amazônia, possui o  segundo maior rebanho de gado do Brasil, entretanto, não possui um único título de terra registrado. Ele afirma ainda que 94% das fazendas no Pará e no Amazonas são compostas de terras públicas, ou seja, são terras griladas, sem titulo. “Os grandes proprietários de terras costumam dizer que, no Brasil, não há segurança fundiária. Não é que não existe segurança, é que a maior parte de terras do País foi apropriada de forma ilegal”, destaca o professor.”
A reportagem mostra o mérito do trabalho conjunto de levantamento desses dados, feito pelo Incra e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional: “Segundo o procurador-chefe do Incra, Junior divino Fidelis, se todas essas terras fossem destinadas a reforma agrária, daria para assentar todas as famílias hoje e ainda sobraria.”
  Como a bancada ruralista deve saber disso, está se prevenindo como pode e uma das saídas para o seu problema é franquear o quanto pode o território do país, inclusive para empresas estrangeiras, conhecido o peso econômico político dessas transnacionais, servindo de exemplo disso o que estão alcançando aqui em venda de agrotóxicos e outras agressões ao meio ambiente, que nem em seus países de origem são toleradas. A publicidade áulica da capacidade de “investimento” desses grupos se encarrega de esconder os seus maus efeitos sociais e ambientais.
O triste, em tudo isso, é ficar outra vez provado o quanto esse esbulho territorial incentivado de fora, é apoiado por parte do nosso Poder Legislativo. Discutir projetos de lei colonialistas, num país cujas terras estão sendo mantidas e exploradas pela sonegação de impostos indispensáveis às garantias dos direitos sociais do seu povo, é um crime de lesa-pátria, suficiente para desvelar traição e roubo da soberania de quem ainda tem fé na democracia e no Estado de Direito.

fonte: https://rsurgente.wordpress.com/2016/02/28/o-brasil-roubado-por-latifundiarios-vem-ai-mais-um-crime-desse-tipo/


MANIFESTO DE INDIGNAÇÃO AO EDITAL DO PRÊMIO VALE-CAPES DE CIÊNCIAS E SUSTENTABILIDADE



O Grupo de Trabalho (GT 22 – Educação Ambiental) da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), estudantes, professores e pesquisadores a ele associados vêm a público pelo presente manifestarem-se sua indignação e repúdio ao edital “Vale-Capes de Ciências e Sustentabilidade” que tem o objetivo de “selecionar as melhores teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidas em 2014”, o qual encontra-se aberto a todos (as) pesquisadores (as), grupos de trabalho e, Programas de Pós-Graduação do País.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) desempenha papel crucial nos programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) em todo território nacional. Em seu histórico, diversas mudanças, desafios e encargos conferiram a criação da Nova Capes (Lei nº 11.502/2007)i, cujo objetivo é fomentar a construção e a manutenção do alto padrão de professores em diversos níveis e em distintas áreas do conhecimento. De Anísio Teixeira (1952-1964) ao atual presidente, Carlos Nobres, a Capes possui autonomia em suas políticas, ainda que seja subordinada ao Ministério da Educação (MEC).

Causa-nos espanto, portanto, que esta Capes não consiga discernir seus parceiros e desenhe sua política de fomento à formação humana por meio do Prêmio Vale-Capesii, em high light na primeira página do seu site, negligenciando conflitos socioambientais e incentivando premiações como se a educação fosse neutra, desprovida de sentido crítico que não conseguisse enxergar o que representa a companhia Vale, principalmente passados 100 dias do maior acidente ambiental já registrado no país, causado pela empresa Samarco, subsidiária da mesma.

A lista de desastres ecológicos e de injustiças ambientais causados pela Vale é enorme. Intrinsecamente conectada aos danos ambientais, há uma teia de significações sociais que também sofre com a missão da Vale, destacada em sua home page: “transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável”iii. Só esta frase já revela o que significa a Vale, e ela pode ludibriar um ingênuo que gosta de jargões ambientais, ou capitalistas com novas roupagens, contudo, a Capes deve estar mais atenta a estas missões da Vale, que se expressam em alguns exemplos de impactos e conflitos socioambientais:
  • No estado do Pará, esta “nobre missão” da Vale se traduz pela mineração no interior de Unidades de Conservação (UC) e de Florestas Nacionais (Flona), como o megaempreendimento do projeto ferro S11D, em Carajás;
  • No Maranhão e Pará, a estrada de ferro Carajás da Vale causa mortes, atropelamentos, trepidação das casas, rachaduras, deterioração ambiental, como é o caso da produção de carvão vegetal no Maranhão, causando inúmeros agravos na saúde de trabalhadores e moradores locais;
  • No município de Moju, Pará, o mineroduto da Vale afetou drasticamente cerca de 800 comunidades quilombolas, que além de viver o terror ambiental, sofreu diversas violações de direitos humanos, inclusive com aumento de prostituição infantil em função da chegada de muitos homens no trabalho de transporte de bauxita;
  • Em Minas Gerais, a Vale (Mina de Capão Xavier) está agindo sobre um grande aquífero que tem suas águas diminuídas ano a ano em função das operações de minérios de ferro;
  • No Rio de Janeiro, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) que é um empreendimento da Vale, traz prejuízos ambientais enormes nos manguezais, além de afetar a saúde da população local com poluição atmosférica proveniente da deposição de ferro-gusa em cavas abertas, além da elevação da emissão de CO2 e óxidos de enxofre;
  • No Espírito Santo, o Porto do Tubarão operado pela Vale e pela siderúrgica ArcelorMittal Tubarão vem causando inúmeros danos à saúde ambiental do estado, foi interditado pela justiça federal no dia 21 de janeiro do corrente ano (2016) por crime ambiental, emissão de carvão e pó de minério no ar e no mar de Vitória;
  • A Vale tem invadido terras indígenas, a exemplo dos Xikrin, na província mineral de Carajás, PA, e exerce enorme pressão para ocupação das terras indígenas da Chapada do A, onde habitam os indígenas Tupinikim, no estado do Espírito Santo;
  • Em Moçambique, as empresas de mineração Moma e Moatize, da Vale, já expulsaram inúmeras famílias camponesas de suas comunidades para dar lugar às minas de carvão. Situação parecida ocorreu na Indonésia, continente asiático;
  • A Vale aumentou jornadas de trabalho no Canadá, realizou demissões em massa na Vale-Inco, envolvendo mais de 3 mil trabalhadores que fizeram greve e testemunharam a destruição do lago de Sandy Pond por meio de dejetos da mineração;
  • Na região de Mendoza, Argentina, os fertilizantes utilizados pela Vale destruíram proporções significativas da biodiversidade local, além dos riscos de salinização dos rios;
  • Na Nova Macedônia (Pacífico), a Vale-Inco tenta implementar a mineração de níquel com um duto para despejar resíduos no mar, que pode prejudicar ou até mesmo extinguir a barreira de corais e o maior sistema de lagoas do planeta.
A Vale tem outras diversas denúncias que correm o Brasil e mundo, relacionadas com violações de direitos humanos, impactos trabalhistas, jornadas de trabalho exaustivas, trabalho escravo e infantil, sonegação de royalties e evasão de divisas, entre outros.

Recentemente testemunhamos o pior acidente socioambiental do Brasil, causado pela Samarco (Vale e BHP Billiton), por toda extensão do Rio Doce, afetando mais dramaticamente os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. São incalculáveis os danos físicos, morais à diversidade biológica ao patrimônio histórico e cultural, e a própria sobrevivência das famílias afetadas por este episódio, que não foi acidental, e que trouxe indignações nacionais e internacionais não apenas no âmbito do ambientalismo, mas também em toda a esfera social.

Em total dissintonia com o respeito à biodiversidade dos ecossistemas afetados, aos seus acervos históricos e arqueológicos ou às suas comunidades humanas, o rompimento das barragens de Samarco traz também o nosso rompimento e o nosso repúdio ao “Prêmio Vale-Capes”!

Nesse sentido, o Grupo de Trabalho 22 (GT 22 – Educação Ambiental) da Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (ANPEd) conclama que os demais grupos, programas e pesquisadores boicotem a premiação e endossem este MANIFESTO DE INDIGNAÇÃO pela parceria Vale-Capes.


A esperança tem duas filhas lindas,
a indignação e a coragem:
a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão;
a coragem, a mudá-las
(Santo Agostinho)


Rio de Janeiro, 18/02/2016.


GT 22 – ANPEd
Educação Ambiental

domingo, 28 de fevereiro de 2016

“A luta de classes nunca tirou férias neste país”, afirma o professor da UFRJ José Paulo Netto

Em entrevista ao Brasil de Fato e aos Jornalistas Livres, o pesquisador e professor da UFRJ, José Paulo Netto, analisa as recentes manifestações de ódio contra determinados setores da sociedade a partir da formação social e da cultura política brasileira.
10/11/2015
Por Camilla Hoshino e Leandro Taques,
De Veranópolis (RS)

 
Crédtios: Leandro Taques/Jornalistas LIvres 
Manifestações de ódio, racismo, declarações machistas e ameaças verbais e físicas contra lideranças da esquerda têm sido constantes no último período no país. Segundo o professor José Paulo Netto, essas atitudes têm relação com a tentativa das classes dominantes de “afastar a massa do povo dos centros de decisão política”.  
José Paulo Netto é doutor em serviço social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Foi vice-diretor da Escola de Serviço Social da UFRJ e do seu Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, tendo título de professor emérito na instituição. Tradutor e organizador de textos de autores clássicos como Marx, Engels, Lênin e Lukács, em que se destaca como grande especialista, produziu obras teóricas e políticas sobre o capitalismo, serviço social e marxismo. É membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e atua em parceria com movimentos sociais, como o MST.  
Em entrevista ao Brasil de Fato e aos Jornalistas Livres, ele  faz uma análise das classes dominantes a partir da formação social brasileira, fala sobre o quadro político atual no país e sobre como atuam as elites em face da crise do capitalismo contemporâneo.
Para Netto, é justamente em momentos de tensões políticas e econômicas que “todo esse porão da sociedade brasileira, com um forte sentimento antipovo, antipopular, antimassa, racista e discriminador, vem à tona”.
Brasil de Fato - Estamos presenciando a todo o momento ataques da direita brasileira que deixam explícitos o preconceito, o racismo e o sentimento de ódio contra determinados setores da sociedade. Como a nossa formação social pode nos ajudar a compreender essas atitudes? 
José Paulo Netto - Se analisarmos com cuidado a história brasileira, vamos encontrar algumas constantes que são traços constitutivos da nossa formação social e que, portanto, são elementos constitutivos da cultura política brasileira. Um traço muito visível de meados do século XIX em diante tem sido a capacidade das franjas das camadas mais ativas das classes dominantes em afastar a massa do povo dos centros de decisão política. Mesmo quando tivemos, ao longo do século XX, momentos de institucionalização mais ampla da participação política, tivemos elementos, mecanismos, meios e modos que constrangeram ou limitaram essa participação política a processos adjetivos. Costumo dizer que tivemos no Brasil um processo tardio, lento, desigual e sinuoso de socialização da política.
Isso ganhou certa magnitude com a derrota da ditadura instaurada em 1964. A constituição de 1988 consagrou direitos políticos essenciais, abriu caminho para se repensar direitos civis e, sobretudo, ampliou o leque dos direitos sociais no país. Com todas as desigualdades e assimetrias, creio que se pode dizer que no pós-1988 tivemos formalmente a institucionalização da cidadania moderna no Brasil. Entretanto, se observarmos o processo de luta contra a ditadura, de crise da ditadura e de transição democrática no Brasil, teremos a clara percepção dessa capacidade das franjas mais ativas das classes dominantes de encontrar meios de excluir a massa do povo de processos decisórios. Tivemos um processo de socialização da política, mas nem de longe um processo de socialização do poder político. Isso tem relação com o que eu chamo de linhas de continuidade na nossa história.
O senhor pode citar alguns exemplos disso? 
  
 Créditos: Leandro Taques/Jornalistas Livres  
O Brasil foi um país escravocrata. Em 1888 tivemos uma abolição inteiramente formal, em que não se criou nenhuma pré-condição para que o liberto pudesse construir sua vida autonomamente. Da noite para o dia foram libertos, mas sem ter terra, sem ter nada. Esta cultura escravocrata não desapareceu. Há exemplos recentes. As camadas médias (não necessariamente camadas oligárquicas) reagiram negativamente em face da legislação acerca do trabalho doméstico. Poderíamos citar outros exemplos como o acesso à universidade, historicamente elitista. É só observar a dimensão das nossas universidades e a população em condições etária e formal de ingressar ali.
Deste modo, podemos perceber que a sociedade foi construída para que muito poucos usufruíssem dos direitos formais que ela veio (bem ou mal) escrevendo no seu ordenamento jurídico-político. Em momentos de crise ou em momentos de tensão, em que se agudiza abertamente a luta de classes (para utilizar um jargão da esquerda), todo esse porão da sociedade brasileira, com um forte sentimento antipovo, antipopular, antimassa, racista e discriminador, vem à tona. O processo de transição da ditadura fez com que amplos setores tivessem vergonha do seu conservadorismo. Mas isso acabou.
Qual foi o impacto do PT na mudança dessa atmosfera política? 
Eu diria que o PT teve um papel duplo. Pensando no PT como força de governo, a partir de janeiro de 2003, foram tomadas providências de caráter emergencial, mas que foram apresentadas como políticas duradouras de Estado e que beneficiaram objetivamente a massa mais pobre. Isso foi muito positivo. Ao mesmo tempo, isso foi feito no marco de uma orientação macroeconômica que privilegiou os grupos financeiros do país, que não restringiu em absoluto a fome lucrativa dos monopólios nacionais e internacionais. Isso criou uma situação paradoxal que pode ser observada ao cabo do mandato do Lula. Mas as elites jamais suportaram o significado simbólico de ter um trabalhador que tomava cachaça e falava errado na Presidência da RepúblicaO efeito PT (quando Lula se elege) é enorme do ponto de vista simbólico. Enfim um sujeito aparentemente igual à maioria da população chega lá.
“Marolinha”
Lula elege sua sucessora no marco de uma crise econômica internacional gravíssima, a qual ele caracterizou como uma “marolinha”.  Só que os efeitos daquela crise rebateram na periferia de formas distintas. Sob o governo dele, uma orientação macroeconômica conseguiu driblar bem esses efeitos. A articulação de economia política que funcionou nos dois governos dele não funcionou no governo Dilma. Não foi por incompetência da equipe gestora. Houve sim falhas técnicas, mas elas não são as mais importantes. Mas é que a “marolinha” virou um “tsunami”. Neste momento, aqueles mesmos grupos que foram altamente beneficiados no governo Lula põem para fora todo o seu preconceito de classe que vem acompanhado de manifestações de ódio de classe, de marcas racistas e, sobretudo, de uma entrada em cena, sem qualquer tipo de maquiagem, do velho elitismo brasileiro. Penso que este é o quadro em que estamos vivendo hoje.
Como este elitismo se expressa? 
Penso que o processo eleitoral mostrou isso com clareza. Tivemos uma vitória eleitoral democrática que mostrou uma sociedade dividida. Não ponho em dúvida a legitimidade de vitória de Dilma. Mas não há duvida nenhuma que há uma legitimidade expressa eleitoralmente muito estreita em termos de maioria e que, portanto, é muito vulnerável. Exatamente sobre esta vulnerabilidade atuam as elites. Também operam através de uma mídia historicamente oficialista e porta voz de tudo aquilo que atravanca a conquista, a realização e a ampliação de direitos.
De 1888 a 2015, quando se tem uma crise (não no sentido de possibilidade de quebra do regime, mas uma crise financeira do Estado), se não há orientações claras e políticas claras em face desta dificuldade, o momento se torna ideal para que os segmentos mais retrógrados se apresentem como são. Temos uma composição do legislativo que me parece a mais anódina e amorfa dos últimos trinta anos e, portanto, facilmente catalisada com propostas de oportunismo meramente eleitoral. Os que querem desestabilizar tem um prato feito. Não sei como vai se desdobrar esse processo governativo, mas tenho a impressão de que a presidente Dilma vai travar uma guerrilha diária. Não se satisfaz a fome de leão do PMDB com alface.
 
Créditos: Leandro Taques/Jornalistas Livres  
O senhor utilizou os termos “luta de classes”, “ preconceito de classe” e  “ódio de classe”. Com toda a complexidade da divisão socioeconômica e das ramificações do trabalho na nossa sociedade, ainda podemos falar em classes sociais?
Não tenho a menor dúvida. Classe social é uma categoria teórica que expressa elementos fundamentais da realidade em uma sociedade como a nossa. A sociedade brasileira tem hoje uma estrutura de classes muito complexa e eu desconheço qualquer estudo rigoroso e sério sobre isso. Não estou falando daqueles estudos publicitários que separam a nossa sociedade em classes A, B, C, D, etc., mas de estudos que tragam relações com os meios de produção e com a consciência de um projeto político. A luta de classes nunca tirou férias neste país. Ela esteve latente ou expressa ao longo desses últimos doze anos em manifestações referentes a determinados projetos de políticas públicas e em como fazer a orientação macroeconômica. Isso foi uma luta que atravessou o governo Fernando Henrique, o governo Lula e atravessa o governo Dilma. O que temos agora é uma emersão clara das posições de classe.
E como é possível mediar essas tensões?
Eu percebo um dilaceramento do tecido social brasileiro do ponto de vista político. O que é preocupante, porque não estão em jogo projetos políticos, mas projetos de nação. Que sociedade nós queremos? Nós queremos uma sociedade onde quem tem orientação diferente é objeto de espancamento e onde o dissenso político é resolvido com ameaças físicas? Vivemos uma conjuntura internacional difícil, com ajustamento na divisão internacional do trabalho. Nós vamos nos inserir nisso de maneira subalterna ou soberana? Temos que vir a público para determinar com clareza que tipo de sociedade nós queremos e para chegar lá são possíveis vários meios.
Estamos com problemas que não vieram do governo Dilma, do governo Lula ou do governo Fernando Henrique. Eles vêm da nossa transição interrompida. Eu espero que tenhamos firmeza de princípios e sabedoria para resolvê-los sem romper um pacto civilizatório que fizemos pelos menos em 1988 e que, na minha opinião, está ameaçado por expressões de preconceito e ódio de classe. Não podemos repetir experiências traumáticas do passado, cujos resultados foram desastrosos para a massa do povo brasileiro, ainda que tenham sido excelentes para as suas elites.
Nesse sentido, penso que temos que olhar a política brasileira para além das expressões institucionais abastardadas, onde se troca ministério por voto no Congresso Nacional. Isto não é o Brasil. Isto é a expressão institucional da política brasileira. A política brasileira está nas universidades, nas fábricas, nas usinas, nos escritórios, no comércio e nas ruas.
O senhor é um grande especialista da obra de Marx, um nome que causa arrepio nas elites e nos setores mais conservadores da sociedade. Os intelectuais que se utilizam deste referencial teórico tem sido acusados de promover “doutrinação ideológica” nas universidades.  O que o senhor pensa disso? É possível resgatarmos Marx para analisar a sociedade contemporânea?
Uma das coisas que mais tem me divertido na exposição do pensamento da direita brasileira (se é que ela pensa) é imaginar que os comunistas estão no poder. Isso é coisa do Olavo de Carvalho, não é? É uma calúnia contra o PT e contra os comunistas, mas deixemos isso de lado. Primeiro, eu diria que no universo cultural, resultado de experiências históricas e da batalha de ideias sob a hegemonia burguesa, o marxismo andou muito desprestigiado e muito desacreditado. No final da década de 1990 houve um acantonamento do pensamento marxista. Isso mudou nos últimos dez anos na universidade e fora dela. Houve um interesse renovado pelas ideias de Marx, não apenas no Brasil. Segundo, eu acho que Marx é um incômodo contemporâneo para nós. Essa crise sistêmica que o capitalismo está experimentando (pelo menos desde o início do século) está trazendo a discussão sobre uma série de projeções que Marx fez. Ele é extremamente atual. É impossível tentar compreender com seriedade as mutações econômicas dos últimos 30,40 anos sem Marx.
Socialismo 
 
Créditos: Leandro Taques/ Jornalistas Livres  
Não há solução para a crise do capitalismo. Ela é global não no sentido do globo, mas por ser uma crise ética, política, econômica e ecológica. O padrão de civilização capitalista se exauriu. Não adianta dar carros para todo mundo, pois não haverá lugar para jogá-los fora. Nós não podemos continuar nessas cidades que crescem loucamente sem nenhum planejamento. O capitalismo só tem a oferecer mais insegurança, mais instabilidade e mais violência. Nesse sentido, esgotado o capitalismo, a única alternativa para ele é o socialismo. Não posso ser original: “Ou o socialismo ou a barbárie”. E a barbárie já está aí pertinho. Sob esse aspecto, o socialismo é extremamente atual. Agora a questão é se essa atualidade é transformada em viabilidade. E eu não vejo essa viabilidade em curto prazo. O que me torna muito pessimista, pois quanto mais tardia a alternativa do socialismo, maior será a destruição que o capitalismo pode realizar.
Por que o senhor não vê essa alternativa no horizonte?
Porque o socialismo não resulta da crise e da exaustão do capitalismo, mas de um duro, longo e difícil processo em que massas organizadas de homens e mulheres mudam o curso da vida coletiva e individual. Eu não vejo isso se desenhando em curto prazo no horizonte. Vou dizer algo que já foi dito por Antônio Gramsci e que é adequado para pensar o agora: “Quando aquilo que é velho ainda não morreu e aquilo que é novo ainda não emergiu, nesses tempos de transição, revelam-se fenômenos que são verdadeiras sociopatias”. Estou convencido de que a ordem do capital, que é o velho, ainda não morreu e a ordem do futuro ainda não emergiu. Então estes são períodos históricos que oscilam entre o trágico e o dramático.
A esquerda fala em revolução, em protagonismo da classe operária e em tomada de consciência pela massa. Mas também defende que qualquer tipo de transição radical passa por uma formação séria dos trabalhadores. Como o senhor vê isso? E como essa formação de caráter teórico se transforma em prática?
Eu não penso que as massas revolucionárias serão massas teoricamente muito ilustradas. O que leva os trabalhadores a querer mudar de vida é o momento em que suas vidas se tornam insuportáveis. É evidente que camadas de trabalhadores letradas e informadas são muito mais capazes de tomar consciência dos seus interesses do que camadas trabalhadoras rústicas, mantidas na ignorância pelas classes dominantesAcredito que a questão central seja a formação política dos militantes. Líderes e dirigentes não fazem a revolução. É inteiramente irrealista imaginar que o conjunto das classes trabalhadoras vai se transformar em líderes da transformação social. Segmentos que vão constituir as suas vanguardas (no plural) é que podem dirigir um processo de transformação social. O investimento na formação desses segmentos é absolutamente essencial. É preciso formação política com base teórica. Aqui não me refiro à agitação e propaganda ou doutrinação, mas sim a conhecimentos de teoria social que permitam discernir e distinguir o essencial do acessório, o substantivo do episódico.
 
Crédtios: Leandro Taques/Joranalistas Livres  
Teoria e prática 
A teoria é absolutamente indispensável para a formação de vanguardas que sejam capazes de, em momentos de ruptura e de tensão social, dar orientações claras, lúcidas, sérias e responsáveis às massas. Rupturas sociais são sempre processos traumáticos. Não apenas no sentido da violência material, mas elas envolvem rupturas ideológicas, intelectuais, éticas, etc. Se lideranças não tiverem competência teórica e sabedoria política, o resultado dessas rupturas pode ser catastrófico. Pode ser a derrota de bandeiras e demandas generosas e legitimas. Isso significa que ninguém avança no domínio do progresso social, da universalização de direitos, da criação de condições de uma consciência e de uma nova cultura política só pela militância operativa. É preciso formação teórica e cultural. Eu me atreveria a dizer que sem isso não caminharemos.
Queria ser original, mas alguém já disse há cerca de 110 anos que “sem teoria revolucionária, não há revolução” [Lênin]. É preciso estudar, estudar e estudar para poder mobilizar e organizar com competência. Uma revolução não pode ser o arrebentar de uma represa de demandas reprimidas e de esperanças humilhadas. É sobre esse chão, sobre a indignação e sobre a revolta que corre a possibilidade de outro mundo. Mas ele tem que ser construído com cientificidade, competência e com uma palavra que está desgastada que a sabedoria. 

Comissão Pedagógica Nacional do Pronera aprova novos cursos

Publicado dia 24/02/2016
Comissão aprovou novos cursos do Pronera
Crédito: César Oliveira
A presidente do Incra, Maria Lúcia de Oliveira Falcón, participou na manhã desta terça-feira (23), em Brasília, da primeira reunião da Comissão Pedagógica Nacional (CPN) do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) em 2016. Na ocasião, ela enfatizou a importância do programa para a reforma agrária nos seus 18 anos de existência: “é importante o fortalecimento da educação para a consolidação do trabalhador rural no campo, como o Pronera vem demonstrado nessa trajetória de conquista, que teve sua origem na alfabetização e hoje garante a presença do agricultor assentado na universidade”.
Os membros da comissão pedagógica reuniuram-se, dias 22 e 23 de fevereiro, para analisar projetos de oito novos cursos, resultados de parcerias com instituições de ensino superior: Economia com a Universidade Federal da Fronteira Sul no Pará; Direito para Quilombolas com a Universidade Federal do Piauí; técnico em Saúde Bucal com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe; Agronomia com a Universidade Federal de Goias; técnico em Agente de Saúde com Universidade Estadual de Santa Cruz na Bahia; técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão; especialização em Edução de Jovens e Adultos (EJA) e Licenciatura em Educação do Campo com Universidade Federal do Pará.
A comissão
A CPN tem como responsabilidade coordenar as atividades didático-pedagógicas do Pronera, definir e propor indicadores de desempenho e instrumentos de avaliação dos cursos, além de apoiar e orientar os colegiados executivos estaduais. A comissão tem ainda como atribuições a emissão de parecer técnico-pedagógico dos projetos, avaliar e acompanhar em conjunto com as superintendências regionais do Incra as ações do programa nos estados. Outra tarefa importante é articulação de parcerias para ampliar e implementar cursos do programa. É composta por 40 representantes de movimentos sociais e sindicais do campo, de universidades públicas e do Incra. Tem por objetivo manter a participação de todas as instituições parceiras nas discussões e decisões do Pronera.


Assessoria de Comunicação Social do Incra
(61) 3411-7404
imprensa@incra.gov.br

Excelente oportunidade de debater 3 temas instigantes e que se complementam : Educação Popular - EJA- Educação do Campo. A partir de 03 de março de 2016

Chocolate, páscoa e trabalho infantil: Conheça as sete marcas de chocolate que utilizam trabalho escravo infantil


Crianças entre os 11 e os 16 anos (por vezes até mais novas) são fechadas em plantações isoladas, onde trabalham de 80 a 100 horas por semana. O documentário Slavery: A Global Investigation (Escravidão: Uma Investigação Global) entrevistou crianças que foram libertadas.

Publicado por Camila Vaz - 6 dias atrás
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Pascoa Conhea as sete marcas de chocolate que utilizam trabalho escravo infantil
Em setembro de 2015, foi apresentada uma ação judicial contra a Mars, a Nestlé e a Hershey alegando que estas estavam a enganar os consumidores que "sem querer" estavam a financiar o negócio do trabalho escravo infantil do chocolate na África Ocidental.
Crianças entre os 11 e os 16 anos (por vezes até mais novas) são fechadas em plantações isoladas, onde trabalham de 80 a 100 horas por semana. O documentário Slavery: A Global Investigation (Escravidão: Uma Investigação Global) entrevistou crianças que foram libertadas, que contaram que frequentemente lhes davam murros e lhes batiam com cintos e chicotes"Os espancamentos eram uma parte da minha vida", contou Aly Diabate, uma destas crianças libertadas."Sempre que te carregavam com sacos [de grãos de cacau] e caías enquanto os transportavas, ninguém te ajudava. Em vez disso, batiam-te e batiam-te até que te levantasses de novo."Em 2001, a FDA queria aprovar uma legislação para a aplicação do selo “slave free” (sem trabalho escravo) nos rótulos das embalagens. Antes da legislação ser votada, a indústria do chocolate - incluindo a Nestlé, a Hershey e a Mars - usou o seu dinheiro para a parar, prometendo acabar com o trabalho escravo infantil das suas empresas até 2005. Este prazo tem sido repetidamente adiado, sendo de momento a meta até 2020. Enquanto isto, o número de crianças que trabalham na indústria do cacau aumentou 51% entre 2009 e 2014, segundo um relatório de julho de 2015 da Universidade Tulane.
Como uma das crianças libertadas disse: "Vocês desfrutam de algo que foi feito com o meu sofrimento. Trabalhei duro para eles, sem nenhum benefício. Estão a comer a minha carne."
As 7 marcas de chocolate que utilizam cacau proveniente de trabalho escravo infantil são:
  1. Hershey
  2. Mars
  3. Nestlé
  4. ADM Cocoa
  5. Godiva
  6. Fowler’s Chocolate
  7. Kraft
Assista ao documentário “O lado negro do chocolate” aqui.

Ação do Fórum Recôncavo Vale do Jiquiriçá Frente a SECADI/MEC












O Fórum de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá. Representados por Pedro C. Melo, entregou na ultima sexta Feira, 26 de Fevereiro de 2016, na cidade de Monte Santo, Bahia, durante abertura do 4º modulo do Programa Escola da Terra, SECADI/UFBA - Bahia , revindicações  aos representantes do MEC, Clóvis Ezequiel, Coordenador da Educação do Campo na SECADI/MEC e a Xavier Carvalho, Coordenador do Programa Escola da Terra, MEC/SECADI. Estas reivindicações da Classe Trabalhadora levantadas no VI Seminário de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá, realidade, contradições e possibilidades realizados nas cidades de Mutuípe e Cachoeira - Bahia,em novembro de 2015. Esta ação vai possibilitar que estas reivindicações sejam entregues ao Secretário da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI/MEC, Paulo Gabriel Soledade Nacif!

Segue as fotos e as reinvidadões históricas abaixo!





sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Estudo da FGV aponta que uma redução média de 30% no tamanho da turma aumenta a proficiência dos alunos em 44%


A quantidade de alunos por sala tem forte impacto no trabalho do professor e, por consequência, nos resultados de desempenho dos alunos. No índice de qualidade da rede estadual de São Paulo, o Idesp, as escolas com superlotação têm nota 22% menor que a média do Estado - que já é baixa.


Como base de comparação, a reportagem utilizou o Idesp de 2013, cujas informações por escola foram obtidas por Lei de Acesso. No ensino médio, onde reside a maior responsabilidade do Estado, o Idesp médio das escolas lotadas é de 1,4, contra a média de 1,8 da rede. Nos anos inicias, o resultado desse grupo de escolas no Idesp foi de 4,2, índice 4% menor do que a média, de 4,4. Já nos anos finais, escolas lotadas têm o mesmo patamar da média: 2,5. Todos os índices estão em níveis baixo e longe das metas.
Análise de estudos internacionais feito pela professora Cristine Pinto, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EESP), aponta que uma redução média de 30% no tamanho da turma aumenta a proficiência dos alunos em 44% do que ele tipicamente aprenderia ao longo de um ano na escola. Os resultados foram obtidos em escolas estrangeiras, caso a redução seja aplicada em turmas com mais de 30 alunos para o ensino fundamental.
O levantamento, feito com base em diversos estudos internacionais sobre o tema, aponta ainda que há benefícios a longo prazo: o aluno aprende mais não só no ano em que esteve na turma menor, mas também nos três anos seguintes. "Esta política de redução da turma parece beneficiar mais os alunos com maior dificuldade de aprendizado e vindos de famílias mais vulneráveis. Alguns estudos sugerem que tal política deveria focar escolas que atendam a alunos mais carentes, pois os impactos nelas tendem a ser maiores", afirma o estudo.
Para o economista e coordenador de projetos da Fundação Lemann, Ernesto Faria, o número excessivo de alunos na sala de aula afeta o tempo de interação individualizada ao aluno. "É muito importante que exista essa interação porque o domínio de habilidades de cada aluno pode variar muito, as salas são muito heterogêneas", disse.
Em turmas maiores, defende, é preciso oferecer estratégias adicionais para o acompanhamento personalizado. "O fundamental é garantir condições mínimas de aprendizagem. Aulas de reforço e acompanhamento para o aluno mais avançado não desestimular, por exemplo".
Roberto Catelli Junior, da Ação Educativa, ressalta que salas lotadas pioram a percepção de qualidade da escola que o aluno tem e impacta negativamente no abandono. "Escola de baixa qualidade é um forte fator de evasão", diz ele. "Como se desfaz de instalações, a gente vai ter redução ainda mais nas matrículas para escola noturna, o que tem impacto muito negativo na evasão do ensino médio".
Fonte: www.educacao.estadao.com.br

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

RODA DE PROSA SOBRE EDUCAÇÃO DO CAMPO 18 MARÇO DE 2016



O propósito deste Fórum de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá é promover a transformação da realidade sócio-políticas destes Territórios em uma perspectiva contra-hegemônica, tomando a educação como prática social e instrumento de emancipação dos sujeitos do campo.
O objetivo geral deste Fórum é debater, propor e articular uma política de Educação do Campo nos Territórios do Recôncavo e Vale do Jiquiriçá.
Deste modo, todos São convidados a Participar deste importante momento de debate e construção, juntamente com STTR de Cruz das Almas, APLB Sindicato, Pastoral da Juventude, UFRB, UFBA, Mestrado FAMAM, Colegiado do Território, Licenciatura e Mestrado em Educação do Campo UFRB, professores, gestores, militantes da Educação do Campo e outros.



ATA DO VI SEMINÁRIO DO FÓRUM DE EDUCAÇÃO DO CAMPO DO RECÔNCAVO E DO VALE DO JIQUIRIÇÁ: REALIDADES, CONTRADIÇÕES E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO DO CAMPO. BICHO DO MATO1


Aos treze dias do mês de novembro de dois mil e quinze, às oito horas, no auditório do Centro de Artes Humanas e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cachoeira-Bahia. Realizou-se o VI Seminário do Fórum de Educação do campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá: Realidades, Contradições e Possibilidades da Educação do Campo, com o Tema: A política de Educação do Campo no Recôncavo e no Vale do Jiquiriçá, caminhos e descaminhos. Mário Jorge, que presidiu os trabalhos junto com Pedro Melo, coordenador do fórum, e secretariado por Leidinalva Caldas. A abertura do seminário foi feita por um grupo de dança, onde fizeram demonstrações de sua cultura. Em seguida, o presidente anunciou representantes de entidades e movimentos para compor a mesa. Sendo eles: Pedro Melo, coordenador do Fórum de Educação do Campo, onde traz um pouco sobre o a importância do compromisso desse movimento para a valorização dos sujeitos de direito; Também estava presente o representante da Pastoral da Juventude Alfredo Junior, onde trata da relevância da juventude e da educação do campo nesse processo atual, fechando sua fala com uma poesia feita por uma moradora do município de Maragogipe, onde retrata um pouco da cultura camponesa. Em sequência, o professor Ângelo Marques, representando as escolas do campo de Cachoeira, mencionou sobre a Pedagogia Histórico-Crítica, como teoria em defesa da educação do campo; Também presente na mesa Evanildes, representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Governador Mangabeira, ressaltando os debates ocorridos para a educação do campo; como representante do Conselho Quilombola, Ananias, saúda a todos e fala da luta da educação do campo dos jovens da comunidade Quilombola, como uma conquista, que estão chegando até as universidades; Também a professora Valdiria Rocha, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que frisa a importância da parceria entre as Universidades, prefeituras, movimentos, enfim, como grande apoio nessa conquista; Estava presente Ana Cristina, secretária de assistência social; Lourival, chefe do gabinete, onde ressalta a importância do papel dos pais nos ensinamentos e valores que devem ser
1 Poesia recitada Alfredo Junior, Coordenador da Pastoral da Juventude do Recôncavo, por ocasião do VI Seminário de Educação do Campo do Recôncavo.
2 Membro do Grupo de Base Juventude em Busca da Luz, comunidade do campo, Município de Maragogipe - Bahia.
adquiridos, bem como o papel do professor no processo de educação; O Ouvidor do Estado da Bahia, Yulo Oiticica, dando parabéns pela iniciativa, e frisa a necessidade do acesso aos conhecimentos para a classe trabalhadora e para a educação do campo. Onde também traz uma citação, de Paulo Freire “ As respostas de cada um estão em suas mãos” e com isso deixa a reflexão; O Secretário de Educação Alessandro Rocha, saúda a todos e em nome de todos os representantes de diferentes cargos e movimentos socais agradece pela contribuição e ainda ressaltou a relevância da luta pela educação do campo, a valorização do conhecimento sistematizado, relacionando com a Pedagogia histórico-crítica, referenciando Saviani. Levando em consideração as especificidades da educação do campo, a necessidade de estar fortalecendo essa luta para que haja mudança. Que essa mudança parta da base, ou seja, a partir do conhecimento, formação de professores, enfim. Após desfazer a mesa, o presidente cedeu espaço a Pedro Melo que fez um breve comentário a respeito do fórum de educação do campo, como foi a partir das ações da turma Piloto de Licenciatura, UFBA e a turma de especialização em Educação do Campo, UFRB, em abril de 2012, dentro do 1º seminário REALIDADES, CONTRADIÇÕES E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO DO CAMPO. Nestes tempos de lutas 13 cidades destes territórios já tiveram alguma ação do Fórum de Educação do Campo um marco na luta por Uma Política de Educação do Campo, em tempo, agradece a todos pela presença e pela decisão política de participar. Em sequência, convida a palestrante Prof.ª Dr,ª Celi Taffarel, Coordenadora do grupo de educação e pesquisa de Educação do Campo da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A mesma inicia saudando a todos (as), reconhecendo o esforço, carinho e atenção, enfim, ressalta também que a partir do debate proposições e iniciativas sejam tomadas. Ainda, justifica a ausência do Prof.º Josué, que apresentaria os dados da escola do campo. A palestrante apresenta a seguinte proposição: A questão da formação dos trabalhadores da educação; Como está acontecendo à formação de professores; A importância da valorização do magistério no trabalho pedagógico. No entanto, o objetivo é mostrar a gênese da educação do campo e reconhecer toda a trajetória dos povos do campo, onde eles vivem, de onde vêm? Pois, eles vêm de acampamentos, fundo de pastos, indígenas, enfim. Que educação é essa que esta sendo educadas estas crianças? Diante dessas inquietações, a professora Celi Taffarel ainda ressalta que a Bahia é um lugar que permite formar pessoas para se apropriarem de conhecimentos para desenvolver a formação humana e não voltar para o tempo da “caverna”. Pois devemos ficar atentos qual a formação que as universidades estão oferecendo, porque os dados mostram que a escola está esvaziada de conteúdos. Salientou sobre a evasão escolar quando o aluno sai sem ler e escrever, o problema não é do professor, mas sim, é um problema político. Para a Prof.ª Celi, o problema da Educação está no fato de que não nos ensinaram sobre Reforma Agrária, sobre Meio Ambiente, sobre Direitos da Terra, e sobre direitos dos trabalhadores. Ela traz três pontos fundamentais para a construção do ser humano: primeiro, Das leis físicas; segundo das leis biofísicas e por fim, das leis sócio-históricas. Ainda cita os principais problemas das escolas do campo e suas causas. Na sequência, trouxe dados da ingressão dos jovens na atualidade e a exploração do capitalismo. Por isso é preciso entender a lógica da formação do capitalismo para entender porque o povo não está aprendendo a ler nas escolas, porque o conhecimento está sendo negado? Então, dentro dessa lógica está o agronegócio que invade as escolas e mantém seu modelo precário. Ressalta ainda, que, estamos vivendo uma fase da destruição das forças produtivas e diante disto, é preciso pensar em formação de professores que eduque a classe trabalhadora. Destacou sobre os dois ministérios: o Ministério do Desenvolvimento agrário (MDA) e o Ministério da
Educação (MEC). Sendo que eles atuam no campo, com o programa PRONERA e cabem às secretarias, conduzir o processo da educação do campo. Apresentou dados do Plano Nacional de Educação (PNE), onde em dez anos, pelo menos cinquenta por cento dos professores tem que ter o título de mestrado. Bem como dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário em relação aos cortes que houve e irá atingir todos os setores. Diante disso, frisa que nessa conjuntura, existem três tipos de Escola: as financiadas pelo Agronegócio; as esvaziadas de conteúdos e a Escola Revolucionária. Pois, essas são as que compreendem que precisam dar um contraponto. A escola do campo é aquela que vai elevar a formação do indivíduo do campo, sendo que a mesma deve desenvolver as funções superiores da aprendizagem, da psiqué humana, do intelecto. Enfim, precisa-se ir para a escola para entender o que realmente o que está acontecendo com a sociedade e sermos capazes de explicar isso. Pois, sabe-se que o plano Nacional de Educação está em contradição com a realidade da conjuntura atual, diante da situação, a Profª Celi encaminha tarefas que exigem que se pense em outro projeto de sociedade e se não houver isso, estamos no período de transição. Sendo então: Tarefa da juventude (estudar); tarefas dos professores (elevar a capacidade de ser humano apropriar dos conhecimentos acumulados pela humanidade); tarefas das universidades; tarefas dos movimentos sociais (politizar as lutas); tarefas do sindicato; do município; do governo estadual e federal. Diante disso, ela trouxe as contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) e da Psicologia Histórico Cultural, para assim, entender o desenvolvimento do ser humano. Retomou as pedagogias não críticas e a PHC, e afirmou se quiséssemos valorizar a classe trabalhadora temos que ter: Consciência de classe; Consistência base teórica; Formação política e Organização revolucionária. Assim, a palestrante encerra sua exposição e abriu espaço para debate. Vários foram os questionamentos pelos participantes do evento, nos quais a Professora Celi Taffarel, faz uma síntese geral das falas. Sua primeira colocação como primeiro ponto crucial: Os Desafios! Fazer avançar um currículo que contemple um conhecimento clássico sobre a agricultura camponesa e o agronegócio; A questão da formação continuada e o fechamento das escolas do campo. Pois, precisamos estar organizados e conduzir as novas gerações às bandeiras de lutas e isso só será possível se houver mobilização. Segundo ponto: O currículo da escola do campo não pode ser diferente da escola da cidade, pois um currículo tem que ter elementos capazes de dominar os conhecimentos clássicos. Se não, vai-se desfavorecer a classe trabalhadora. Terceiro ponto: reporta-se ao menor grau de organização na classe trabalhadora. É preciso nos organizar e saber qual o nosso desafio para com a educação do campo. Qual o nosso papel enquanto professores militantes desse processo de democratização da educação do campo. E para finalizar, Celi, levanta pontos fundamentais do capitalismo, como as drogas, a violência, pornografia, e outros. Só elevando o conhecimento e lutando pela classe trabalhadora que iremos acabar com isso! Assim, a palestrante agradece a todos e finaliza sua exposição. Pedro Melo encerra as atividades da manhã, fazendo uma breve avaliação. A tarde é iniciada com a Profª Mestra Olgalice Suzarte, Mestre em políticas públicas, Especialista em planejamento em gestão em educação. Onde saúda a todos e fala da satisfação que é conterrânea da cidade heróica, Cachoeira! E em sua fala, ressalta um pouco de sua vida acadêmica, onde um de seus projetos de pesquisa trata das classes multisseriadas. Diante disso, Prfª Olga apresenta o tema de sua palestra: As demandas reais no campo, dados referenciais para a politica de educação do campo (dados do PRONACAMPO). Na sequência, apresenta o Programa Escola da Terra (em slides). Ainda traz uma citação de Fernando Pessoa, “Tantas vezes pensamos ter chegado, tantas vezes é preciso ir além”. E diante dessa
citação faz um breve comentário a respeito. Na sequencia, a mesa é composta pelos seguintes representantes: Manoel Cruz Filho, Pedagogo, que agradece a oportunidade de apresentar o projeto “A Rede” e faz exibição de fotos e vídeos a respeito de sua realização; A Prof.ª Rosa fala sobre o núcleo de escolas do campo com o projeto citado, e explicou o porquê desse termo e seus objetivos e metas; Marly dos Santos, coordenadora Pedagógica de Laje, que fez um breve histórico do processo de formação do núcleo em Educação do Campo; Tiago Bispo Silva, estudante do curso de pedagogia do PAFOR, que faz a apresentação do projeto; e por fim, Rosely Costa, diretora do Núcleo de Educação do Campo de Laje, enfatizou um breve histórico de seu trabalho no município, no processo de formação em educação do campo, frisando a importância da harmonia entre um grupo de trabalho. Encerrando assim sua fala com a frase: Educação do campo é direito nosso, dever do Estado! Para finalizar, a Prof.ª Olga faz uma comparação da experiência apresentada com o método da Pedagogia Histórico- Crítica, com os resultados da Provinha Brasil e ressalta que o problema não esta nas classes multisseriadas! Na sequencia, abre espaços para perguntas, alguns questionamentos são levantados e sanados pelos componentes da mesa. Diante disso o Secretário de Educação do município ressalta a importância do evento e da formação continuada dos professores, pedindo apoio das Universidades e Fórum de educação do campo, e agradece a todos pela participação. Assim, Pedro Melo encaminhamento as propostas que tem acordo da Plenária, sendo elas: 1 - Garantia de apoio e financiamento aos Cursos e aos Alunos dos cursos de licenciatura em educação do campo das Universidades Federais e Estaduais de nosso Estado; 2 - Consolidar a política de educação nos municípios, criando os departamentos de educação do Campo e promover concursos públicos para esta área; 3 - Garantir o pagamento por parte, dos Municípios e Estado da Bahia, do piso salarial nacional; 4 - Ampliar e garantir o Programa Escola da Terra na Bahia, bem como seu financiamento e formação de Especialista em Pedagogia Histórico Critica, considerando a questão agrária e as contribuições de Paulo Freire para Educação pública brasileira. 5 - Construir e reformar as escolas "do no" Campo, impedindo de todas as formas Legais seu fechamento; 6 - Possibilitar a participação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), nos Fóruns Nacional, Estadual e Territorial de educação do Campo; 7- Garantir pelo Estado e Municípios Concursos Públicos para os Licenciados em Educação do Campo e Pedagogia da Terra; 8 - Garantia do Financiamento do Pibid - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência e do Plano Nacional de Professores (PARFOR), possibilitando assim, a formação de professores e ampliação da gratuidade na educação pública; 9 – Criar e garantir cursos de Pedagogia com ênfase em Educação do Campo, para atender as necessidades dos anos iniciais do ensino fundamental para as escolas do campo; 10 - Sobre a Base Comum Nacional o Posicionamento do Fórum é: Defendemos o que é nuclear, o que é essencial, o acesso ao conhecimento histórico acumulado pela humanidade, ao mais elaborado ao campo da ciência das artes, da filosofia, da educação física e da tecnologias. Diante disto, encerra o Seminário convocando à frente todos os membros que fazem parte do grupo de coordenação e do movimento do Fórum de educação do campo do Recôncavo e no Vale do Jiquiriçá, bem como participantes da plenária, perguntando-lhes, quem gostaria de passar a integrar o grupo para ampliar o número de envolvidos, levantaram-se algumas pessoas, e assim finalizou o evento. Nada mais a tratar, o presidente do Fórum agradeceu a presença de todos e deu por encerrado o seminário o qual eu, Leidinalva da Silva Gonçalves Caldas, secretariei e registrei a presente ata, que, após lida e aprovada, segue acompanhada da lista de frequência dos demais participantes. Cachoeira, 13 de novembro de 2015.
Presidente
Secretária

Prefeitura de Cruz das Almas: FECHAR ESCOLA DO CAMPO É CRIME

  Comunidade do Ponto Certo exige reabertura da Escola Manoel Caetano da Rocha A comunidade do Ponto Certo , no município de Cruz das Almas...