sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Fórum de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá, e o Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, tem a satisfação de convidar V.   para participar do VII Seminário de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá: realidades, contradições e possibilidades

LOCAL
Auditório da Câmara de Vereadores de Laje  Praça Raimundo José Almeida - s/n, Laje – BA
DATA E HORÁRIO
29 de abril de 2016, das 08h  às 16h.
TEMA
O PAPEL DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E DA ESCOLA ENQUANTO
FORMADORES DE SUJEITOS EMANCIPADOS
PALESTRANTES: Profº Dra. GISELIA CARDOSO FREITAS – CFP/UFRBAmargosa/BA.
                              Profª Me. MARCOS PAIVA – SEC – Cravolândia/BA




Estudante Quilombola da UFRB é premiado em edital de literatura infantil do Estado Categoria: Pesquisa Acadêmica Publicado: 28/04/16 16:53 Atualizado em 28/04/16 17:04 Acessos: 644


O estudante João Paulo Pinto do Carmo, bacharel em História e mestrando no programa de História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), foi um dos vencedores do 2º edital de li­te­ra­tura in­fantil de au­tores bai­anos. O discente do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) foi premiado com a obra "Ca­chos de Dendê – A his­tória de uma me­nina cha­mada Fe­lipa".

A entrega do prêmio e certificados aconteceu na última terça, 26, na sede da Se­cre­taria da Edu­cação, no Centro Ad­mi­nis­tra­tivo. As obras serão uti­li­zadas no pro­cesso de al­fa­be­ti­zação, com le­tra­mento, das cri­anças com até oito anos de idade das redes es­ta­dual e mu­ni­ci­pal da Bahia, como de­ter­mina o pro­grama baiano de educação Educar para Trans­formar.  “Esses li­vros vão al­cançar mais de 500 mil cri­anças, dando-lhes o di­reito de so­nhar através da li­te­ra­tura, de se verem re­tra­tadas nas his­tó­rias. Que­remos romper, com qua­li­dade, o anal­fa­be­tismo na mais tenra idade”, destaca o se­cre­tário Os­valdo Bar­reto.
Mo­rador da co­mu­ni­dade qui­lom­bola no distrito do Outeiro Redondo, município de São Félix-BA, e ex-beneficiário do Programa de Permanência Qualificada (PPQ) da UFRB, João Paulo Pinto do Carmo re­tratou na obra a cul­tura local no tra­ta­mento es­té­tico dos ca­belos com um óleo ex­traído do dendê. “Foi uma forma que en­con­trei de res­ponder ao meu so­brinho, de 4 anos, ques­ti­o­na­mentos sobre os di­versos tipos de ca­belo. O livro é um meio de afir­mação es­té­tica para as me­ninas”, ex­plica João, que também fez a ilus­tração do livro.
As obras inscritas passaram por avaliação de uma comissão composta por doutores, mestres e especialistas com experiência em seleção de material didático para o trabalho com crianças, que avaliou e emitiu parecer com recomendação de ajustes, para assegurar a possibilidade de integração do material dentro da proposta pedagógica do programa de alfabetização.
Os títulos selecionados são referenciados na realidade da Bahia, com linguagem e ilustrações, que criam nas crianças uma identificação, e contribuem para o processo de ensino e de aprendizagem. A previsão é que os livros sejam distribuídos no Ano Letivo 2017. Ao todo, 882 mil exem­plares dos li­vros in­fantis serão dis­tri­buídos em 416 mu­ni­cí­pios par­ceiros do pro­grama Educar para Trans­formar.
FONTE: https://www.ufrb.edu.br/agencia/pesquisa-academica/4405-estudante-quilombola-da-ufrb-e-premiado-em-edital-de-literatura-infantil-do-estado


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Inscrições abertas para Simpósio Nacional sobre o Rural e o Urbano 27/04/2016 - 11h11


Também está aberto o período de submissão de trabalhos
Debater questões referentes à problemática socioespacial que se projeta no espaço rural e urbano no Brasil é o objetivo do IV SINARUB (Simpósio Nacional o Rural e o Urbano no Brasil), que terá por tema “O Estado, o Capital e os Excluídos na Produção do Rural e do Urbano”. O evento ocorrerá no Campus de Ondina da UFBA, nos dias 08 e 09 de setembro. 
Através de atividades culturais, conferências e mesas redondas serão discutidos temas como: políticas públicas na articulação entre o rural e urbano; expansão e reprodução do capital no campo e na cidade e transformações no rural e no urbano. O simpósio contará com as presenças, dentre outras, da Profa. Dra. Ana Emilia de Q. Ferraz (UESB); dos Profs. Drs. Antonio Angelo Martins Fonseca (UFBA); Cesar Augusto Ávila Martins (FURG) e Júlio César Suzuki (USP).
O IV SINARUB é organizado pelo Núcleo de Estudos Regionais e Agrários (NERA) e pelo Laboratório Estado Território e Desenvolvimento (LESTE) e promovido pela UFBA e a Fundação Escola Politécnica da Bahia. As inscrições serão realizadas através do site: http://www.ivsinarub.ufba.br/. Para efetuar a inscrição é necessário o pagamento de taxa que deve ser depositada em conta bancária. Os interessados em submeter trabalhos, devem inscrevê-los até 30 de junho. Para mais informações, acessar o site: http://www.ivsinarub.ufba.br/  ou enviar e-mail para:ivsinarubufba70@gmail.com 
 FONTE:https://www.ufba.br/noticias/inscri%C3%A7%C3%B5es-abertas-para-simp%C3%B3sio-nacional-sobre-o-rural-e-o-urbano~

terça-feira, 26 de abril de 2016

Povo x militares: preparando a nova lógica da repressão?




O momento atual exige um posicionamento claro de todos. Com todo respeito aos leitores deste Blog, não posso deixar de me posicionar também. É preciso que a História saiba em que lugar cada um de nós estávamos, quando os fatos em curso se concretizarem.
Passei por dois golpes ao longo da vida. Um no Brasil, em 64 e outro no Chile, em 73. Ambos foram golpes conduzidos com o protagonismo dos conservadores. Conservadores, dão golpes arregimentando os militares, uma instituição que aparece para o público como honesta e imparcial, além de apartidária. À semelhança da Polícia Federal e do Judiciário neste momento. A diferença é que um tem o poder do canhão e o outro da caneta. Eu escrevi da caneta, porque é por ela que se registra a interpretação das leis. A lei sempre precisa ser interpretada ao ser aplicada, pois se fosse tão objetiva, não precisaríamos ter advogados e juizes.
Caiu de moda o golpe com canhão. Foi substituído por algo que poderia ser chamado de golpe da caneta dos liberais que, é claro, nunca dispensa totalmente o trabalho sujo dos conservadores. Na verdade, os liberais sempre se esconderam atrás dos conservadores nestes momentos e enquanto conveniente. Agora estão invertendo o protagonismo, para não ter que bancar historicamente e judicialmente os estragos do canhão.
Parece que passarei por um terceiro golpe. Não consigo entender como uma presidente que teve mais de 50 milhões de votos, pode ser declarada impedida, sem motivos, com a justificativa de que as ruas, ou seja, apenas 3 milhões de pessoas, assim pedem. Ou, ainda, porque as pesquisas de opinião não lhe são favoráveis e a maioria não considera seu governo bom ou razoável. A matemática não fecha. E é por isso que é golpe, a despeito do nome que se queira dar a ele.
O atual golpe é de estilo liberal. Não envolve, portanto, os militares e nem está ancorado na igreja duas instituições que normalmente compuseram os golpes que tinham a hegemonia conservadora. Não pelo menos abertamente. Costuma-se dizer que para se dar um golpe ao estilo conservador, se faz necessário um jornalista, um padre, um político e um militar. As demais áreas, são submetidas quando necessário à força, inclusive o judiciário e a polícia.
No golpe liberal, não é necessário ter explicitamente um padre e um militar. Mas é fundamental ter alguém no judiciário com poder (STF), alguém na polícia (PF), a mídia e alguém no congresso (Cunha). O golpe de 64 fechou o Congresso. Naquela época, o Congresso fez um papel mais digno do que o atual congresso faz. Hoje, a mídia, associada à ação da PF, apoiada no judiciário e turbinada por manifestações de rua, constituem o eixo do golpe, acompanhado e referendado pelo congresso atual. Tudo flui pelos meandros da interpretação jurídica, assentada na caneta supostamente imparcial dos julgadores ora a PF, ora o Judiciário, ora o congresso. Se o juiz é a favor do golpe, é imparcial; se é contra, é porque houve bolivarianismo. A mídia repercute seletivamente para insuflar as ruas.
Mas, no dia de ontem, houve uma mudança no discurso liberal que é digna de registro. Todo golpe leva à repressão. O atual golpe em curso, começa a preparar a lógica da repressão. O discurso inicial apareceu ontem na mídia por arautos do Estadão, entre eles, Eliane Cantanhede. Uma perigosa diferenciação começa a ser estabelecida entre os cidadãos. Nos golpes anteriores a dicotomia era entre povo e subversivo. Quem era a favor do golpe militar era chamado de povo; quem era contra, era chamado de subversivo. Subversivo era a senha para se aceitar a repressão dos que discordavam do golpe. Entre os subversivos estavam os comunistas, mas não só. Se eram comunistas (ou se pareciam estavam com eles) mereciam. Vimos no que deu.
O discurso que começa a ser construído no golpe liberal brasileiro, prepara a reedição desta dicotomia: existe agora o povo que foi às ruas contra o governo e os militantes que pertencem ao PT e às organizações sociais e que apoiam o governo. Segundo esta visão, as manifestações anti-governo, são feitas por pessoas comuns que não têm experiência em mobilização, que não têm a militância, ou seja, cidadãos nobres; as manifestações pró-governo, são feitas por profissionais da política com grande experiência em arregimentar pessoas, comunistas ou amigos deles como o MTST e o MST. Constituem uma minoria que precisa ser derrotada pelo povo ordeiro e trabalhador que sofre com a recessão produzida por um governo incompetente. O discurso do ódio, unifica a direita.
Esta configuração como alertam alguns é extremamente perigosa. Os liberais não têm uma liderança sequer que seja aceita para falar aos participantes em suas próprias manifestações apartidárias. Aécio e Alckimin não duraram 20 minutos na avenida e tiveram que retirar-se sob vaias nas próprias manifestações anti-governo promovidas por eles. Ao contrário, a manifestação de ontem, contou com um discurso que durou uma hora, feito por Lula, e que saiu da avenida ovacionado pela massa. Outras lideranças políticas estiveram presentes e não foram vaiadas. Todos foram ouvidos.
Eis a acefalia política que as manifestações contra o governo estão produzindo no pais guiados por apelos liberais que queimam as pontes entre as ruas e a política, criando o eixo golpista que vai da PF e do Judiciário para as ruas, com a concordância do congresso e o entusiasmo da mídia, mas sem o próprio protagonismo dos políticos liberais que fogem das ruas. Os militares foram substituídos pelo General Moro e correlatos como Mendes no STF. Os políticos pelos Cunhas e Aécios e estes sem aceitação nas manifestações. Este é o eixo do apartidarismo oportunista que leva ao incentivo para a criação de milícias que resolvem agir fora da institucionalidade, movidas pelo sentimento de impotência no campo da política, criado pelos liberais. Estão semeando o ódio.
Vivi para ajudar a derrotar os outros dois golpes conservadores, torço para viver e ajudar a derrotar mais este golpe, agora de estilo liberal, se ele vier a se concretizar. Os golpistas (conservadores e liberais) não aprendem que as contradições são mais fortes e continuarão a atuar, mesmo depois do golpe e com mais intensidade ainda. Estão tão cegos que querem neutralizar a única liderança capaz de falar às ruas e pregar, certo ou errado, a conciliação de classes que, no fundo, é uma proposta dos próprios liberais. Inverteu-se: os liberais incentivam o ódio; os militantes o entendimento.
Para a educação, este retrocesso será lamentável. Para o campo da avaliação educacional idem. Ele trará com ênfase maior toda a política dos reformadores empresariais da educação para o centro da política pública, acompanhada de todas as consequências que os golpes produzem em um país.

MÍDIAEMPRESARIAL E A CORROSÃO DOS VALORES DEMOCRÁTCIOS



                                                                                                           Gaudêncio Frigotto*

        Um dos temas mais cruciais hoje para a vida democrática no Brasil  é a necessidade inadiável de assumir o debate sobre as corporações empresariais que detém o monopólio   da informação.  Não por acaso, um tema que, de imediato, essas próprias corporações esgrimam em suas redes de TV, rádio e seus jornais, no esforço de convencer mentes e corações que a censura voltou  e  se está cometendo o maior atentado contra a democracia. Democracia por elas entendida como defesa do mundo privado.
             O filme documentário de Camilo Galli Tavares – O dia que durou 21 anos,mostra o quanto foi decisiva a grande mídia no golpe civil e militar de 1964. O que se revela no documentário é que esta mídia agiu nos bastidores com políticos brasileiros e dos Estados Unidos e, diretamente, com as pautas diárias induzindo a opinião da classe média e das grandes massas, a respeito da suposta ameaça comunista, que estaria às nossas portas]
Mas valeria, também, analisar os tempos que precederam a morte de Getúlio Vargas.  Esse retrospecto pode nos ajudar a ver com meridiana clareza que esta mesma mídia está implicada diuturnamente em fomentar as massas para manter privilégios de grupos e, no momento, legitimar o golpe institucional que está em processo e que representará um retrocesso pior, porque mais profundo, do que o golpe de 1964.
As consequências sociais e políticas podem ser dramáticas, pois as três décadas de frágil ordem democrática permitiram formar sindicatos, organizações científicas, culturais e movimentos sociais e populares que não existiam em 1964 e que certamente não se calarão. Os efeitos podem não ser no dia seguinte ao golpe se consumado, mas logo quando  grandes massas se perceberem da manipulação a que foram submetidas por uma minoria rica, cínica e prepotente representada em todas as esferas institucionais do país.
Pela Constituição brasileira, os meios de comunicação são concessão do Estado e deveriam atender aos interesses universais e não privados. Portanto, interesses democráticos. Mas a imprensa empresarial privada e monopolizada é, por definição,anti democrática. Vale dizer, atende aos interesses  de grupos e não aos interesses da  sociedade no seu conjunto.  O argumento de que o controle social da mídia é censura dissimula o caráter de censura da grande mídia empresarial ao pensamento divergente, fermento da ordem democrática.
 Os estudos acadêmicos sobre o caráter parcial, direcionado, seletivo da grande mídia monopolizada são abundantes. No plano internacional, as análises de um dos maiores sociólogos do Século XX, o francês Pierre Bourdieu, e do linguista e cientista político Noam Chomsky, mostram o quão parcial e demolidora dos direitos à informação livre é a mídia monopolizada mundialmente. 
No Brasil poucas vozes de juristas, políticos e intelectuais  têm  se manifestado sobre o risco da manipulação midiática para a manutenção e aprofundamento da ordem democrática e, conseqüentemente,  para avanços  nas reformas estruturais historicamente postergadas e que  nos constituem como uma  sociedade das mais desiguais do mundo.  Desigualdade que está na origem de todas as formas de violência tão banalizadas pela mídia empresarial.
O que se está presenciando pela pauta dominante da grande mídia empresarial, sem dúvida o maior partido ideológico atual no Brasil, torna mais que atuais as afirmações feitas pelo jornalista húngaro Joseph Pulitzer. “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma (grifos meus).”
Na mesma direção, de candente atualidade, éo destaque que o Eric Hobsbawm dá  em seu  livro Tempos Fraturados (Companhia das Letras,2013)  ao que o escritor  alemão Karl Kraus observou sobre o papel da mídia no contexto da primeira  Guerra Mundial. Hobsbawmdestaca que “a imprensa não só expressava a corrupção da época, mas era, ela própria, a grande corruptora, simplesmente pelo “confisco dos valores através da palavra”. Eapoiado em Confúcio sublinha que quando não “se diz tudo o que deve ser dito e se quer dizer, o que precisa ser feito não será feito; se isso não é feito, a moral e a arte se deterioram; se a justiça se extravia, o povo esperará em impotente confusão”( p.162)
Por fim, em meados do século XX, na coletânea de textos de Pier Paolo Pasolini, publicada em 1990 pela editora  Brasiliense com o título  Jovens Infelizes , este autor  de vasta obra, observando o papel da imprensa no pós Segunda Guerra Mundial assinalava que o fascismo arranhou a Itália, mas o monopólio da mídia arruinou. O magnata da mídia Berlusconi é a expressão política mais candente da ruína a que foi submetida a Itália.

 Há sim que denunciar e combater a corrupção, mas não seletivamente e sim sob todas as formas e todos os envolvidos. Corrupção por propinas a políticos, corrupção por evasão fiscal, corrupção da dívida pública, etc. Para aqueles que lutam pela efetiva democracia e o esforço de construir uma nação não é termos uma imprensa monopólio estatal ou empresarial, mas uma imprensa com controle social de forma institucionalizada para que, sobre todos  os temas  de interesse universal, não se diga  apenas meias verdades, pois isto é pior que a mentira.
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* Filósofo e doutor em Educação, História e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de  São Paulo. Atualmente professor na Faculdade de  Educação e no Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Conferencia Internacional de la Reforma Agraria: Declaración de Marabá

¿Quiénes somos?  Luchadores y luchadoras por territorio
(Marabá, 17 de Abril de 2016) Somos más de 130 representantes de organizaciones miembros de La Vía Campesina y de aliados/as, de 4 continentes, 10 regiones  y 28 países del mundo, reunidos en Marabá, Pará, Brasil para analizar, reflexionar y continuar nuestro proceso colectivo de construcción de conceptos, propuestas de lucha, y proyectos alternativos para el enfrentamiento a la ofensiva mundial del capital sobre los pueblos y bienes naturales del campo, costa y mar, y la construcción de las sociedades distintas a las cuales aspiramos. Y sobre todo para luchar por nuestros territorios. Somos las organizaciones de los campesinos/as, agricultores familiares/as, pueblos originarios, pueblos sin tierra, jornaleros/as, pastores/as, pescadores/as, recolectores/as, habitantes de los bosques, de mujeres y de juventudes rurales, y de nuestros aliados/as, de todo el mundo.  Estamos aquí en memoria a los 20 años de la masacre en El Dorado das Carajás, Pará, de trabajadores rurales luchando por la tierra, que dió lugar al Día Internacional de Lucha Campesina, celebrado cada año el 17 de abril. Estamos aquí también para insistir en la materialización del compromiso con la reforma agraria, asumido por los gobiernos del mundo hace 10 años en la Conferencia Internacional de Reforma Agraria y Desarrollo Rural (CIRADR), organizado por la FAO en Porto Alegre, Brasil.
Contexto actual: La ofensiva del capital sobre nuestros territorios en todo el mundo y golpes a la democracia
Hemos escuchado a compañeros y compañeras de organizaciones de América, Asia, África, Europa y Medio Oriente, y nos damos cuenta que en todas partes el enemigo y los problemas son los mismos.  Hay creciente acaparamiento de tierra, bosques y agua, golpes contra la democracia y la voluntad  popular, presos políticos, etc., no solo en en América Latina, Asia y África, sino también en Europa y Norteamérica. En el actual periodo histórico somos testigos a una alianza emergente entre el capital financiero, las empresas trasnacionales, el imperialismo, amplios sectores de los estados nacionales (casi sin importar su aparente ‘ideología’), en particular pero no solamente, los poderes judiciarios y policiales, el sector privado del sistema agro-pesca-alimentario (agronegocio), de la minería, la construcción, la explotación forestal, etc., o sea, del extractivismo, y con los medios de comunicación.  En su conjunto esta nueva alianza impulsa una avalancha de privatización, acaparamiento y concentración de bienes comunes y públicos, como la tierra, el agua, los bosques, las semillas, las áreas de pastoreo y de pesca, los glaciares, y territorios enteros. Utilizan la financierización y mercantilización de todo, los tratados de libre comercio y inversión, la corrupción de nuestros políticos y élites, su control de los medios de comunicación y del sistema financiero, y la concentración empresarial para lograr sus fines.
Últimamente hemos observado, con creciente alarma, como esta alianza en particular, y el capital en general, ya no toleran casi ninguna muestra, más tibia que sea, de políticas mínimamente independientes implementadas por gobiernos democráticamente electos. Se ha convertido en la fuerza principal detrás de una oleada de golpes de estado, consumados o en marcha, desde los golpes “técnicos,” “parlamentarios,” “judiciarios,” “blandos,” o “blancos,” hasta los más “duros,” que pasan por encima de la ley, las constituciones y las voluntades populares.  Esto es el caso de Brasil, en donde nos encontramos reunidos ahora.  Nosotros unimos nuestras voces a las voces del pueblo brasileño, que lucha para defender la democracia en su conjunto, contra un intento ilegítimo de golpe y para impulsar las reformas políticas necesarias para que la democracia salga del callejón aparentemente sin salida en donde se encuentra actualmente.
¿Por qué luchamos contra el agronegocio?
Las consecuencias de esta ofensiva del capital ponen en peligro la vida rural, las sociedades enteras, la salud, la naturaleza, la Madre Tierra, el clima, la biodiversidad, y a nuestros pueblos y culturas. La migración masiva, la destrucción del tejido social de nuestras comunidades, el crecimiento desenfrenado de las periferias urbanas, la inseguridad, los agrotóxicos, los transgénicos, la mala alimentación y la homogenización de los hábitos de consumo, el calentamiento global, la destrucción de los manglares, la acidificación del mar, el agotamiento de la pesca, la pérdida de cualquier rasgo de la “democracia,” y mucho más, son todos síntomas de lo que está pasando 
La emergencia de esta nueva alianza entre el capital financiero, el agronegocio, los estados, los medios, y otros, y su capacidad de disputa tanto de los territorios como por los estados, hasta los estados “progresistas,” y por la opinión pública, nos ha obligado una vez más a un necesario proceso de reflexión y reformulación de conceptos, propuestas, proyectos alternativos, y estrategias, formas y prácticas de lucha. 
Aquí en Brasil hemos visto como el capital financiero ha transformado al viejo enemigo de los campesinos y trabajadores sin tierra, el latifundio improductivo, en un agronegocio capitalizado, en una minería, en una pesca y acuicultura industrial, y en un sector energético, todos aparentemente “productivos” -- aunque lo que más producen son miseria y devastación ambiental. Con esta transformación, el capitalismo ya no requiere una reforma agraria ‘clásica’ para elevar la producción. Esto imposibilita las alianzas del pasado, a favor de la reforma agraria, entre los sin tierra y algunas fracciones del estado que representan al capital productivo, dejando el tema de la reforma agraria directamente en el campo de la lucha de clases. A la vez resta utilidad al viejo argumento de la injusticia de mucha tierra en manos de pocos, quienes casi ni la utilizan, frente a una masa de personas sin tierra. Pero a la vez da validez al cuestionamiento, frente a toda la sociedad, y en toda la clase trabajadora, rural y urbana, de la conveniencia en su conjunto del proyecto de capital para el campo.
Cualquier resistencia que oponemos los pueblos rurales es respondida con demonización mediática, la persecución y criminalización de organizaciones, líderes y luchadores/as sociales, represión, asesinato, desaparición forzada, encarcelamiento ilegítimo, detención administrativa, acoso sexual y violación. Hay una modificación de leyes para permitir cada vez más criminalización, y una impunidad creciente y casi total en muchos casos.
Frente a este panorama terrible, los pueblos rurales y nuestras organizaciones, movimientos, alianzas y convergencias, son en este momento la principal esperanza que tiene la humanidad y el Planeta Tierra. Nosotros estamos en la primera línea de la disputa territorial y política con esta alianza oscura.  Nuestras propuestas de soberanía alimentaria, reforma agraria popular, construcción de territorios agroecológicos de producción de alimentos, de agricultura campesina para enfriar el planeta, ofrecen soluciones y alternativas reales a los problemas generados por el sistema capitalista, y en particular por esta nefasta alianza.
¿Qué defendemos y proponemos? Nuestra reforma agraria popular
En La Vía Campesina y la Campaña Global por la Reforma tenemos una historia de más de 20 años con la lucha por la tierra y la defensa de tierra y territorio. En 2012 in Bukit Tinggi, Indonesia, hicimos un recuento de esta historia, y de cómo ha evolucionado nuestra lucha en respuesta al mundo cambiante y a nuestras propias experiencias y diálogos acumulados. Pero en 2012 estábamos apenas percibiendo el alcance del reciente auge global del capital financiero y su dominio sobre otras fracciones del capital.  Esto ha cambiado una vez más la naturaleza del juego, y como convocamos a la sociedad en cuanto al tema de los territorios rurales.
Ahora preguntamos:  ¿Es mejor un campo sin campesinos, sin árboles, sin biodiversidad, de monocultivo y producción confinada de animales, de agrotóxicos y transgénicos, que produce exportaciones y alimentos no saludables, que genera cambio climático y mina la capacidad de las comunidades para adaptarse a ello, contaminación, enfermedades, y migración masiva a las ciudades? ¿o un campo compuesto por los territorios agroalimentarios de campesinos y campesinas, de pueblos indígenas, de agricultores familiares, pescadores artesanales, y otros pueblos rurales, con vida digna, cosmovisiones y saberes diversos, árboles, biodiversidad, producción agroecológica de alimentos saludables, que enfría el planeta, que produce soberanía alimentaria, y que cuida la Madre Tierra?
En este sentido, los compañeros y compañeras de Brasil nos ha enseñado su propuesta de una Reforma Agraria Popular, una reforma agraria no solo para los campesinos sin tierra, sino para toda la clase trabajadora y toda la sociedad, un concepto de reforma agraria con agroecología, con un enfoque territorial, que solo será conquistada a través de la lucha de clases y del enfrentamiento directo al proyecto del capital, a sus ganancias, a sus medios de comunicación, y a sus otros agentes nacionales e internacionales. Una reforma agraria para potencializar la agricultura, economía y territorios campesinos.
En el mismo sentido, en toda América, Asia, África, Europa y Medio Oriente, nuestras organizaciones, movimientos y convergencias están en la disputa territorial con el capital, con propuestas similares, basados en enfoques territoriales, en la convergencia entre nuestra diversidad, cosmovisiones, saberes populares y tradicionales, en la agroecología, pesca artesanal y pastoralismo tradicional, y en nuestros diversos modos y estrategias de vida.   Las propuestas aunque similares, también son distintas según la naturaleza de nuestras diferentes realidades. En donde está concentrada la tierra, luchamos por su redistribución y en algunos países se habla de hacer una “revolución agraria.” En donde nuestros pueblos aun controlan sus tierras y territorios, luchamos por su defensa, en donde la tierra fue nacionalizada, y ahora es concesionada por los gobiernos a entes extranjeras, luchamos por su retorno a nuestras comunidades y derechos consuetudinarios, y los y las pescadores/as entre nosotros habla de la lucha por los territorios de pesca artesanal. En Europa hemos retomado las ocupaciones de tierras y organizados luchas contra los cambios en el uso de la tierra, logrando visibilizar los problemas de acaparamiento y concentración, que hoy día es un problema creciente en los países del norte también. En Palestina luchamos contra la ocupación brutal, y llamamos al boicot de los productos israelíes. Y en todos lados se arde la lucha de la juventud por el acceso a la tierra y otros recursos.
Tenemos grandes victorias, como la reforma agraria masiva, implementada a raíz de ocupaciones y recuperaciones populares de tierra en Zimbabue, la ‘Educación del Campo’ en Brasil, las cancelaciones de concesiones mineras y para plantaciones masivas en algunos lugares en África, la permanencia de la reforma agraria cubana y su éxito agroecológico con movimiento “de campesino a campesino,” etc.  Tenemos victorias parciales también, pero prometedoras, como la promesa de una reforma agraria grande en Indonesia, donde tenemos que movilizar la fuerza necesaria para hacer a nuestros gobiernos cumplir sus promesas.
Organizamos nuestras luchas con la formación política y técnica-agroecológica de nuestros cuadros y bases.  Hemos construido escuelas de formación y escuelas campesinas de agroecología en todos los continentes. Hemos desarrollado alternativas educativas para nuestros hijos e hijas. Hemos aprendido de los pueblos originarios en nuestros movimientos que “la vida de los pueblos y la naturaleza son una sola.” Tenemos viejas y nuevas tácticas, como las ocupaciones y recuperaciones de tierras y territorios, la solidaridad, las caravanas, como las del Oeste de África y de Bangladesh, los medios alternativos, el arte y la cultura, el feminismo campesino y popular, los valores humanistas, ambientales y socialistas, la movilización y creatividad de la juventud, nuevas alianzas campo-ciudad, las directrices de la FAO, etc. lanzamos una carta de derechos campesinas en la ONU. Tenemos que seguir ajustando y innovando tácticas, sobre todo como el propio enemigo evolucione rápidamente sus maneras de disputar nuestros territorios.  Tenemos nuevos enfoques – como el enfoque territorial – y nuevas estrategias, como la construcción de espacios autónomos y la autonomía relativa y auto-abasto en general, y la masificación de la agroecología popular.
Nuestros Desafíos
- Transformar la lucha por la tierra en la lucha por el territorio, junto con la construcción de un nuevo modelo productivo, para la soberanía alimentaria, profundizando la agroecología más “autónoma,” en base a nuestros propios recursos e insumos locales y el rescate de saberes ancestrales.
- Organizar la lucha por las políticas públicas, tanto a favor de la producción campesino como por la salud, la educación, la cultura, y el deporte en nuestras comunidades.
- Masificaremos la formación política e ideológica, mejoraremos el trabajo con nuestros bases, y el trabajo de masas, a fin de mejorar la organicidad interna y funcionamiento de nuestras organizaciones, e incorporando de manera progresiva el liderazgo  y la participación de mujeres y jóvenes.
-Enfrentaremos la demonización mediática, y la manera como los medios promuevan una cultura de consumismo y un vaciamiento de los sistemas “democráticos”, y trabajaremos arduamente por construir nuestros propios medios de comunicación, que dialogan tanto con nuestras bases como con la sociedad en su conjunto la clase trabajadora.
- Haremos frente de manera más efectiva a la criminalización, la represión, la militarización, y organizaremos la lucha internacional a favor de nuestros presos políticos. Montaremos una jornada permanente de solidaridad, no en base a dar lo que nos sobra, sino más bien en base a compartir lo que tenemos.
- Daremos seguimiento a nuestra tarea permanentemente de construir alianzas de clase, sin dependencias, entre campo y ciudad, y entre productor y consumidor.
- Denunciamos y combatiremos a las leyes “anti-terroristas” y su aplicación contra nuestras luchas legítimas.
- Profundizaremos la solidaridad con las luchas de los pueblos Palestinos y Kurdos, y demás pueblos que sufren la escalada militar, y condenamos la ocupación militar.
- Elaboraremos un análisis del papel que juega el narcotráfico en la desestabilización de nuestros territorios, en connivencia con el capital y los estados, y una estrategia para enfrentar de manera más efectiva esta realidad.
- Combatiremos la concentración empresarial en los distintos sectores de la economía y del sistema agro-pesca-alimentario/mediático/financiero, y los ataques frontales a la democracia. Crearemos  formas de lucha que generan pérdidas económicas al capital, a las multinacionales, a los bancos, etc.
- Construiremos convergencias y mayor unidad en base a objetivos comunes, en base a nuestra diversidad (campesinos/as, trabajadores/as, pescadores/as, indígenas, pastores/as, pobladores urbanos, consumidores, etc.)
- Enfrentaremos cualquier surgimiento de fundamentalismos religiosos conservadores y de derechas, y combatiremos la oleada de leyes y tratados neoliberales y privatizadores.
- Repensaremos la relación entre nuestros movimientos populares, el Estado, los partidos políticos y los procesos electorales, de acuerdo con la historia y coyuntura distinta de cada país, combatiendo la erosión generalizado de los mecanismos de derechos humanos, internacionales y nacionales.
- Lucharemos contra el imperialismo norteamericano y mientras reconocemos la importancia de la multipolaridad, también alertamos sobre la necesidad de responder a la emergencia de más imperialismos, económicos, políticos,  y militares.
- Desde nuestras organizaciones buscaremos como construir convergencias alrededor de proyectos populares alternativos de construcción y formulación colectiva y además impulsaremos la mejora de la organización productiva, las cooperativas, fomentaremos la pequeña y mediana agroindustria para agregar valor a nuestros productos, y trabajaremos para conquistar más y mejores canales cortos y medianos de comercialización, además promovemos la cooperación.
- Lucharemos por abordar el tema del crédito: como conquistar más crédito para el campesinado, y a la vez como producir sin crédito, o con menos crédito y menos deudas.
- Confrontaremos la tendencia institucional (Banco Mundial, FAO, academia, ONGs, etc.) de vaciar de contenido a conceptos como “reforma agraria” y “agroecología,” lanzando versiones “light” como “acceso a la tierra” y los alimentos “orgánico industrial” del monocultivo del “agronegocio verde,” y la “responsabilidad social de las corporaciones.”
- Lucharemos para lograr mecanismos internacionales no solo “voluntarios,” sino vinculantes y sancionables.
- Frenaremos la aprobación y proliferación de nuevas tecnologías peligrosas, como las semillas “terminator” y la biología sintética.
´- Fortaleceremos la participación de las mujeres y jóvenes en todos los movimientos sociales. Implementaremos mecanismos para incrementar la permanencia de la juventud en el campo. Lucharemos contra el modelo patriarcal que impera bajo el sistema capitalista, y exigiremos  el pleno derecho de las mujeres campesinas e indígenas a  la tierra, agua y territorio.
- Realizaremos cada vez más luchas unificadas a nivel internacional para enfrentar nuestros enemigos comunes.
Defender la tierra y honrar la vida
Animados en este 17 de abril día de internacional de las luchas campesinas, a 20 años de la masacre de El Dorado de Carajás, en el estado de Pará, nos reencontramos con miles de hombres y mujeres que defienden el derecho a la vida, que luchan por conquistar una sociedad más justa, en lucha permanente por los derechos de los pueblos a la tierra y el territorio, la promoción de la soberanía alimentaria y la producción agroecológica, para erradicar el hambre y la pobreza.

¡Globalicemos la esperanza!
Campaña Global por la Reforma Agraria de La Vía Campesina
Delegados/as de 4 continentes del mundo unidos para
¡Defender la Tierra y Honrar la Vida!

Sementes transgênicas reduzem a biodiversidade, aponta estudo da Unicamp

Contaminadas pelas transgênicas, as sementes crioulas devem desaparecer. O prejuízo é grande para a soberania dos pequenos agricultores, para o meio ambiente e para a Soberania Alimentar.


Quando o assunto é agricultura transgênica, um dos principais perigos apontados por especialistas é a redução da diversidade de sementes. Por meio do vento, da chuva, pássaros e insetos, o pólen de plantas transgênicas é levado para lavouras convencionais. Nesse processo de contaminação, as sementes convencionais, também conhecidas como crioulas, vão desaparecer.

O prejuízo é grande porque essas variedades, naturais, poupam o solo do desgaste ao mesmo tempo que produzem relativamente bem durante muito tempo, independentemente das condições climáticas. Indispensáveis à soberania dos agricultores em seus programas de melhoramento genético, que levam anos e até gerações, são também estratégicas para a segurança alimentar.
Já as geneticamente modificadas, criadas em laboratório com a promessa de maior produtividade, dependem de grande quantidade de fertilizantes químicos, que desequilibram o solo, e de agrotóxicos, que prejudicam a saúde humana e ambiental. Protegidas por patentes, são mais caras e controladas pela indústria, que vende ao agricultor em promoções aparentemente vantajosas, em vendas casadas, muitas vezes atreladas a empréstimos financeiros.
Contrariando argumentos dessa indústria, um estudo do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imeecc) da Unicamp vem reforçar os argumentos dos riscos à biodiversidade pela contaminação das lavouras pelos transgênicos. "Com o tempo, a coexistência desses dois tipos de lavouras deve levar à queda na produtividade de ambas. Porém, a redução será bem maior na variante natural", afirma o matemático e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Rinaldo Vieira da Silva Júnior, autor do trabalho para seu doutoramento.
Aos longo de quatro anos, ele aprofundou a leitura sobre biotecnologia, genética, produção agrícola, meio ambiente e saúde. Paralelamente, desenvolveu os modelos matemáticos – conjunto de equações articuladas com softwares computacionais – que utilizaram informações disponíveis em bancos de dados de instituições e na literatura científica para chegar a tal conclusão.
"Para conduzir o trabalho, simplificamos as suposições para as simulações, trabalhando com um cenário em que as variedades de semente deveriam ser da mesma espécie de planta, que as duas plantações ocupam áreas contíguas, que a velocidade de dispersão do pólen pelo vento é uniforme, e que a competição entre ambas por nutrientes do solo, por exemplo, seja equilibrada. Isso para que um organismo dominante não elimine o outro, inviabilizando assim a comparação".
Como ele destaca, essas simplificações compõem um primeiro estudo. E que modelos mais complexos poderão ser desenvolvidos futuramente, em estudos para antever o impacto de transgênicos no meio ambiente de forma mais abrangente, o que depende da parceria de especialistas em agronomia, para investigar o comportamento do modelo matemático a partir de um cenário real.

Método
Conforme a professora da Universidade Federal de Pernambuco e orientadora do trabalho, Solange da Fonseca Rutz, um diferencial é a utilização da Trofodinâmica Analítica, um método de modelagem matemática da dinâmica de ecossistemas, entre outros processos biológicos, com ênfase na análise da sua estabilidade e evolução. Tem sido usado largamente em outros países, como o Canadá.
"Em vez de trabalhar com dados estatísticos, como outros modelos matemáticos largamente utilizados, utilizamos também variantes que podem alterá-los. Com isso é possível estimar, entre outras coisas, alterações determinadas por circunstâncias ambientais", explica Solange.
Entre essas circunstâncias ambientais, conforme destaca, está o fato de as sementes transgênicas terem sido desenvolvidas em laboratórios para serem resistentes a determinadas pragas, por exemplo, e serem testadas em ambientes diferentes daqueles em que serão plantadas e cultivadas. "Deve ocorrer alterações na biodiversidade como ocorre no cultivo de qualquer espécie atípica. É o caso do eucalipto, por exemplo, trazido da Austrália, que altera o solo. Espécies que não são do nosso bioma trazem impacto", compara a professora, que tem experiência em modelagem matemática e computacional em Biologia.
"Estima-se que no caso de uma planta alterada artificialmente em laboratório deve ser bem pior; o impacto seja bem maior", afirma, referindo-se aos danos que as lavouras transgênicas possam causar ao meio ambiente como um todo.
"E a queda de produtividade das sementes crioulas, até o seu desaparecimento, deve ser bem maior na realidade do que nas simulações feitas para o trabalho. O problema é que estamos perdendo algo sobre o que nem estudamos o suficiente. Não conhecemos a fundo o potencial das sementes crioulas para a obtenção de medicamentos e mesmo na produção de alimentos."

Catástrofes
O coordenador do grupo de trabalho sobre agrotóxicos e transgênicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), o agrônomo Leonardo Melgarejo, considera que, apesar da necessidade de mais estudos, com simulação de condições mais realistas, o trabalho é oportuno porque abre caminho para a antecipação de informações. "Podem significar a diferença entre antecipar catástrofes ou conhecê-las só após terem ocorrido. Algo como dirigir usando o farol de milha ou o retrovisor", compara.
Ele acredita que esse método analítico permitirá simular e projetar impactos dos organismos geneticamente modificados ainda não liberados no mercado, contribuindo ainda para decisões de conveniência e oportunidade a serem tomadas pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) no momento de acatar ou rejeitar recomendações da CTNBio”, diz . “Infelizmente, o CNBS não tem se reunido e não tem tomado tais decisões, que lhe cabem por lei.”
Além disso, segundo ele, o trabalho reitera informações empíricas disponíveis. "Reforça que há mecanismos de mercado que levam à dominância de sementes transgênicas e ao desaparecimento, ao sumiço, ou dificuldade para obtenção das demais."
E isso, conforme destaca, numa simulação que exclui pressões comerciais. "Nas variedades naturais, de uso comum, suas sementes tenderiam a desaparecer, sendo substituídas por sementes protegidas pelo direito de patente.  Isso é muito relevante em contexto de acelerada mudança climática, onde se faz imperioso trabalhar com um máximo de diversidade e variabilidade genética."

Por Cida de Oliveira - RBA
Foto: Ricardo Teles - Pulsar Imagens 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

CPT registra 23 mortes no campo somente no primeiro semestre de 2015



Em 2014 haviam sido 20 assassinatos no primeiro semestre. Em 2015 foram registrados 23, sendo que desse total somente um não foi na Amazônia.


O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), registrou até julho de 2015, 23 assassinatos em conflitos no campo em todo o Brasil. No ano anterior haviam sido registrados, no mesmo período, 20 assassinatos. Desse total de 23, apenas um não aconteceu na Amazônia, foi o assassinato de um indígena Tupinambá na Bahia.
Foram 22 assassinatos em três estados da Amazônia: Pará (11), Rondônia (10) e Maranhão (1).
Pará e Rondônia, estados nos quais estão sendo desenvolvidos grandes projetos como a usina de Belo Monte, a de Tapajós, Jirau e Santo Antônio, foi onde mais se matou no Brasil em conflitos no campo. A Articulação das CPT’s da Amazônia tem denunciado os constantes conflitos na região, bem como o acirramento da violência e os impactos desses grandes projetos sobre a vida dos povos e comunidades amazônicas. Acompanhe aqui as notícias da Articulação.
Violência no campo
No Pará foram assassinados, em sua maioria, assentados e sem terras, pressionados para deixarem o pedaço de terra conquistado ou mesmo a luta por ele. Além disso, um trabalhador rural submetido a trabalho escravo foi morto com um tiro no peito ao cobrar do patrão o pagamento a que teria direito pelo trabalho prestado.
No caso de Rondônia, a violência se concentrou na grande região de Ariquemes e no entorno do Vale do Jamari, (Buritis, Monte Negro, Campo Novo, Cujubim, Distrito Rio Pardo, e Machadinho do Oeste). A maioria das mortes do campo de 2015 no estado (9), até o momento, além de duas tentativas de homicídio por conflito agrário, aconteceu nessa região. Um dos assassinatos ocorreu no dia 15 de julho, enquanto a CPT realizava seu IV Congresso Nacional, com cerca de mil participantes, na capital rondoniense, Porto Velho.
Foram registrados no estado, ainda, duas tentativas de assassinato. Em janeiro, Elizeu Bergançola, geógrafo, sofreu um atentado a tiros, em Machadinho do Oeste. Ele continua ameaçado por denunciar, juntamente com os seringueiros, a extração clandestina de madeira de áreas extrativistas. Já no dia 2 de maio, Alexandre Batista de Souza, sem-terra, foi baleado no Assentamento Nova Esperança, localizado na linha LC 110 de Cojubim.
Conforme informações da CPT no estado, o que mais preocupa em Rondônia é a espiral crescente de mortes de sem terras por jagunços, a mando dos latifundiários, com denúncias (reiteradas e não esclarecidas) de envolvimento de policiais e milícias armadas. Segundo a CPT no estado, com acampamentos a beira da estrada e conflitos sem solução por décadas, o governo de Rondônia tem apenas criado, quando o faz, novos assentamentos. Além disso, com o aumento do desemprego nas cidades, a cada dia mais empobrecidos das periferias olham de novo para o campo como uma alternativa de sobrevivência e ocupam terras abandonadas, reivindicando a reforma agrária.
No Maranhão, foi uma liderança indígena Ka’apor que foi assassinada, o que mostra, também, a investida contra os territórios tradicionais e contra as lideranças, em especial, que tem sofrido constantes ameaças.

Histórico dos assassinatos no campo de janeiro a julho de 2015:
MARCUS, 14 DE JANEIRO DE 2015 – FLORESTA DO ARAGUAIA, PA. Os trabalhadores Marcus e Cosmo foram cobrar do patrão pelo tempo de serviço. Marcus entrou para falar com patrão e levou um tiro no peito de espingarda cartucheira. Cosmo testemunhou o crime, e saiu correndo pela mata adentro.
JOSÉ ANTÔNIO DÓRIA DOS SANTOS, 27 DE JANEIRO DE 2015 - CAMPO NOVO, RO. José Antônio Dória dos Santos, conhecido como Zé Minhenga, de 49 anos, foi morto a tiros durante a noite da terça-feira, 27 de janeiro de 2015, no Distrito Rio Branco, situado entre Campo Novo e Buritis, Rondônia. Suspeita-se de pistoleiros comandados por ex-policiais que atuam na região, em represália à luta pela desapropriação da fazenda Formosa/Acampamento 10 de Maio. Desde 2004 um grupo de famílias reivindica a criação de um assentamento no local. 
CASAL, 3 FILHOS E SOBRINHO (6 PESSOAS), 17 DE FEVEREIRO DE 2015 – CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, PA. Casal, três filhos e sobrinho foram assassinados a tiros e golpes de facão. O crime foi motivado por disputa por lote de terra entre ocupantes. Os irmãos “Oziel” e “Oliveira”, após abandonarem a área, queriam o terreno de volta. Os investigadores da Polícia Civil também apuram a denúncia de que o Incra orientou as vítimas a ocupar o lote, mesmo sem ainda estar legalizado. Para CPT uma das principais causas do acirramento da violência no campo é a demora na regularização fundiária. No caso da ocupação ilegal onde a família foi assassinada, por exemplo, desde 2010 existe um decreto presidencial determinando a desapropriação da área para reforma agrária. Só que o processo foi parar na Justiça e até hoje, cinco anos depois, os colonos ainda não foram assentados.
ALTAMIRO LOPES FERREIRA, 47 ANOS - COSTA MARQUES, RO. Encontrado morto no dia 13/03/2015, com o corpo em estado avançado de decomposição. Estava desaparecido desde 04/03/2015. A vítima fazia parte das famílias sem-terra despejadas no mês de fevereiro/2015, do Acampamento Nova Esperança, município de Costa Marques. Trata-se de área pública reivindicada para a reforma agrária e sob análise do Programa Terra Legal para suspensão de títulos provisórios. As famílias denunciam que a área está sendo usada para extração ilegal de madeira. Antes de desaparecer, Altamiro Lopes relatou aos agentes da CPT Rondônia que foi ameaçado de morte. Por enquanto, não se tem informação de quem o ameaçou e assassinou.
PAULO JUSTINO PEREIRA, 01 DE MAIO DE 2015; ODILON BARBOSA DO NASCIMENTO, 10 DE ABRIL DE 2015 E JANDER BORGES FARIAS, 17 DE ABRIL DE 2015, DA “ASSOCIAÇÃO VLADIMIR LENIN”, NO DISTRITO DE RIO PARDO, PORTO VELHO, RO. Envolvidos no conflito da Flona Bom Futuro, (local onde morreu um policial da Força Nacional no ano passado) após criar a Associação Vladimir Lenin, Paulo Justino “Carcará” cobrava o reassentamento dos despejados da área ambiental, defendendo o seu retorno para a reserva. Foi assassinado em frente à Escola Municipal do Distrito de Rio Pardo, no dia seguinte da audiência pública realizada em Porto Velho pela Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo. Dias antes do assassinato de PAULO JUSTINO PEREIRA, também foram assassinados ODILON BARBOSA do NASCIMENTO, no dia 10/04/2015 e o topógrafo JANDER BORGES FARIAS, no dia 17/04/2015, sendo este último amigo de Paulo Justino, que também fazia parte da Diretoria da Associação Vladimir Lênin. Paulo Justino considerava que a origem de todo o conflito da Flona Bom Futuro vinha do fato da área abrigar uma grande jazida de cassiterita e nióbio.
FÁBIO CARLOS DA SILVA TEIXEIRA, 12 ABRIL DE 2015 - MACHADINHO DO OESTE, RO. Assassinado a pauladas, na linha SME-15, Vila Brinati, perto do Acampamento Fortaleza, local em que residia. Homicídio ocorrido no contexto de conflito resultante da apropriação indevida de lotes destinados à reforma agrária. O acampamento Fortaleza foi formado dentro do Sítio Alto Alegre, o qual concentra irregularmente cinquenta lotes destinados ao Assentamento Santa Maria II, criado pelo Incra em 1996. Desde o ano de 2014, cerca de 55 famílias vinculadas à Liga dos Camponeses Pobres (LCP) resistem no referido local, pedindo que a área seja regularizada.
EUSÉBIO KA’APOR, 26 DE ABRIL DE 2015 – CENTRO DO GUILHERME, MA. Liderança indígena, 42 anos. Assassinado a tiros disparados por dois pistoleiros, quando voltava para casa (Aldeia Xiborendá, T. I. Alto Turiaçu). De acordo com indígenas, que pediram para não serem identificados, os responsáveis pelo crime são madeireiros do município de Centro do Guilherme, revoltados com as ações de autofiscalização e vigilância territorial iniciadas pelos Ka'apor no local, desde 2013. Consta que Eusébio era um dos nomes da "lista de execução" dos madeireiros.
ADENILSON DA SILVA NASCIMENTO (PINDUCA), 1º DE MAIO DE 2015 – ILHÉUS, BA. Liderança indígena Tupinambá. Assassinado a tiros efetuados por pistoleiros, na região de Serra das Trempes, área disputada há anos pelos indígenas e fazendeiros. Na hora do crime, Adenilson estava acompanhado pela esposa, duas filhas crianças (10 e 11 anos) e um filho de 1 ano e 11 meses. A esposa da vítima foi baleada nas pernas e nas costas. As crianças não foram atingidas pelos disparos. A quantidade de tiros foi tanta que a equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT) não teve condições de levantar, no local, o número de tiros disparados contra os indígenas.
DOIS MORTOS NA FAZENDA FORMOSA, 11 MAIO DE 2015 EM ALTO PARAÍSO/MONTE NEGRO, RO: Trabalhadores sem-terra assassinados no contexto da luta pela desapropriação da fazenda Formosa. As vítimas não portavam documentação, por isso, não foram identificadas. Os corpos apresentavam perfurações de armas de fogo e fortes resquícios de crueldade. A polícia acredita que os trabalhadores foram assassinados em outro local e arrastados com fios elétricos para as proximidades do Acampamento 10 de Maio, constituído na fazenda Formosa. Por enquanto, não constam mais informações sobre o fato.
JOÃO MIRANDA, 15 DE MAIO DE 2015 – SÃO FÉLIX DO XINGU, PA. O sem-terra João Miranda e sua esposa Cleonice Araújo, sofreram uma emboscada e foram feridos à bala. João Miranda morreu no local do crime e Cleonice conseguiu escapar e se esconder dos tiros. Eles estavam acampados na Fazenda Santa Terezinha, desde 2013, e eram ligados à Fetagri. Segundo a Polícia Civil, que abriu inquérito para investigar o caso, a fazenda está ocupada há dois anos e o mandado de reintegração de posse do terreno nunca foi cumprido.
DANIEL VILANOVA DIAS e LEIDIANE DROSDROSKI MACHADO, 18 DE MAIO DE 2015 – VITÓRIA DO XINGU, PA. Um carro avançou no meio de uma manifestação de atingidos por barragens, e atropelou três manifestantes. Duas pessoas morreram e uma ficou ferida. O crime aconteceu na altura do km 55 da BR-230, em Vitória do Xingu. As lideranças do protesto afirmaram que o crime teria sido planejado. "A pessoa acelerou e partiu pra cima, conta o agricultor Deilson Fernandes. "As pessoas não estavam fechando a estrada no momento do crime. Ele mirou exatamente em cima das pessoas", declarou João Batista, coordenador da Fundação Viver, Produzir e Preservar. Cerca de 650 atingidos pela UHE de Belo Monte, entre pescadores e ribeirinhos, bloqueavam a BR-230 desde o dia 17/05, reivindicando serem reconhecidas como atingidas pela Norte Energia.
JOSÉ OSVALDO RODRIGUES DE SOUSA, 14 DE JUNHO DE 2015 – TUCURUÍ, PA. Assassinado por pistoleiros, depois de dois dias de terror, quando 25 pistoleiros atacaram as 120 famílias que esperam há 13 anos pela regularização da área, que está em disputa com um suposto proprietário Tarcísio Antônio Strapasson, que nunca apresentou o documento da terra.
CLOVES DE SOUZA PALMA, 42 ANOS, DIA 01 DE JULHO DE 2015 – COJUBIM, RO. Assassinado a tiros, diante da sua residência por um homem não identificado. Casado, 42 anos. Liderava a luta de um grupo de famílias sem-terra, na região da Linha C-114, zona rural de Cujubim. Suspeita-se que o crime esteja relacionado a este fato.
DELSON MOTA, CAPIXABA, 15 DE JULHO DE 2015– BURITIS, RO. Assassinado com cinco tiros no centro da cidade de Buritis. Liderava a luta por terra na região. Crime com característica de pistolagem. O caso foi encaminhado para investigação junto à Polícia Civil, que ainda não tem pistas dos responsáveis pelo homicídio. Por enquanto, não constam mais informações. Delson foi assassinado durante os dias em que a CPT realizava seu IV Congresso Nacional na capital de Rondônia, Porto Velho.

Mais Informações:
Cristiane Passos (assessoria de comunicação CPT Nacional) – (62) 4008-6406 / 8111-2890
@cptnacional

Prefeitura de Cruz das Almas: FECHAR ESCOLA DO CAMPO É CRIME

  Comunidade do Ponto Certo exige reabertura da Escola Manoel Caetano da Rocha A comunidade do Ponto Certo , no município de Cruz das Almas...