A despeito de que os empresários sempre estiveram tentando interferir com os processos
educacionais desde os tempos da teoria do capital humano, o que pode estar havendo de novo que esteja
motivando um redobrado interesse do empresariado pela educação? É possível que modificações no
processo de desenvolvimento econômico-social dos países, ou as próprias crises do capital, estejam
mobilizando os empresários? Acreditamos que sim. O atual interesse dos empresários tem aspectos
específicos que merecem ser examinados. Não é recomendável que acreditemos que “a história está se
repetindo”. Tal linearidade de análise nos desarmaria para o enfrentamento local das contradições que
estão postas por esta nova escalada do capital sobre a educação. A política educacional dos reformadores é
produzida para articular a necessidade de se qualificar para as novas formas de organização do trabalho
produtivo, ao mesmo tempo que preserva e amplifica as funções sociais clássicas da escola: exclusão e
subordinação. Está em jogo o controle político e ideológico da escola, em um momento em que algum
grau a mais de acesso ao conhecimento é exigido pelas novas formas de organização do trabalho
produtivo, novas exigências de consumo do próprio sistema capitalista e novas pressões políticas por
ascensão social via educação.
Palavras-chave: Política educacional; reformas educacionais; avaliação; trabalho produtivo.
O texto do Professor Titular da Faculdade de Educação da UNICAMP. E-mail: freitas.lc@uol.com.br, traz uma importante abordagem sobre o processo educativo em nosso país.
A privatização da educação só interessa a burguesia dominante. Veja maiores informações no site da revista Grminal marxismo e educação em debate disponível em: http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/12594/8857
Mensagem do Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, Paulo Gabriel Nacif ao Fórum de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá, por ocasião da realização do VI Seminário de Educação do Campo Realidades Contradições e possibilidades, realizado em Cachoeira - Bahia, 13 de novembro de 2015.
Com o Tema: políticas de Educação do Campo: caminhos e descaminhos e sendo a debatedora a Professora Doutora Celi Neuza Zulke Taffarel da Universidade Federal da Bahia.
Rosany Bochner coordena o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) e é pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (Icict). Ela analisou dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e constatou que há subnotificação e notificações irregulares sobre mortes provocadas por agrotóxicos.
O próprio Ministério da Saúde estima que a subnotificação faz com que, para cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, há outros 50 não comunicados.
Segundo dados do Sinitox, foram registrados, no período de 2007 a 2011, 26.385 casos de intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola, 13.922 por agrotóxicos de uso doméstico, 5.216 por produtos veterinários e 15.191 por raticidas.
Os agrotóxicos são o terceiro grupo responsável pelas intoxicações, com 11,8% dos casos. Antecedido pelos medicamentos (28,3%) e animais peçonhentos (23,7%).
Os óbitos causados por agrotóxicos de uso agrícola atingiram 863 pessoas (39,4%), os de uso doméstico 29 casos (1,3%), os produtos veterinários corresponderam a 22 ocorrências (1,0%) e os raticidas causaram 138 óbitos (6,3%). Segundo levantamento feito por Rosany Bochner, desses óbitos, apenas 14 (1,3%) foram registrados como ocupacionais.
Rosany Bochner analisou 33 mortes registradas no Brasil pelo SIM, no período de 2008 a 2012. Ela considerou o perfil socioeconômico; ano de óbito, estado e local do acidente, causas associadas aos óbitos decorrentes de intoxicações, dentre outros pontos.
Agricultores são afetados
A exposição a agrotóxicos atinge em especial agricultores, que podem ser afetados pela manipulação direta ou por meio de armazenamento inadequado, reaproveitamento de embalagens, roupas contaminadas ou contaminação da água.
Trabalhadores da agricultura e pecuária, de saúde pública, de firmas desintetizadoras, de transporte e comércio dos agrotóxicos, de indústrias de formulação de agrotóxicos são os principais profissionais sujeitos à exposição ocupacional a agroquímicos.
Segundo o relatório divulgado pelo Inca - Vigilância do Câncer relacionado ao Trabalho e ao Ambiente -, a exposição aos agrotóxicos pode ocorrer “pelas vias digestiva, respiratória, dérmica ou por contato ocular”.
Podem determinar quadros de intoxicação aguda (quando os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva e por curto período aos produtos tóxicos), subaguda (ocorre por exposição moderada ou pequena a esses produtos, e tem surgimento mais lento, com sintomas subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência, dentre outros) e crônica (quando o surgimento dos sintomas “é tardio, podendo levar meses ou anos, acarretando por vezes danos irreversíveis, como distúrbios neurológicos e câncer”).
Caso no Ceará
Esse é o caso de VMS*, residente na comunidade de Cidade Alta, no município de Limoeiro do Norte, na Chapada do Apodi - Ceará.
Ele trabalhava para uma multinacional na função de trabalhador agrícola, tendo sido transferido para o almoxarifado químico, onde era auxiliar no preparo da solução de agrotóxicos para borrifo na lavoura de abacaxi.
Mesmo utilizando equipamentos de proteção individual (EPI), a partir de 2008 VMS passou a sentir fortes dores de cabeça, febre, falta de apetite, olhos amarelados e inchaço no abdômen. Em agosto desse ano, houve piora em seu quadro clínico, obrigando-o a afastar-se do serviço. Em novembro, faleceu, aos 31 anos.
Se para alguns estava clara a intoxicação por agrotóxicos, para a Justiça havia a necessidade de se provar que de fato a intoxicação foi o que levou VMS a morte.
As evidências vieram dos estudos feitos pela pesquisadora e professora do Departamento de Saúde Comunitária, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFCE), Raquel Rigotto. Junto com a sua equipe multidisciplinar, ela comprovou que todos os problemas de saúde do paciente foram ocasionados pela exposição ocupacional aos agrotóxicos.
Em 2013, a Justiça reconheceu que a morte de VMS foi motivada “pelo ambiente ocupacional”, ou seja, pelo trabalho com substâncias agrotóxicas.
“Segundo o sistema, VMS seria mais uma vítima do agronegócio, que morre sem deixar vestígios da relação causal entre a exposição a agrotóxicos e o agravo à saúde”, disse Rosany Bochner.
Paulo Freire faria 94 anos dia 19 de setembro/ Crédito: Instituto Paulo Freire
Dia 19 de setembro de 1921, nascia em Recife (PE) Paulo Freire, patrono da educação brasileira e um dos pedagogos mais prestigiados do mundo.
Apesar do reconhecimento, a vasta obra de Freire ainda é pouco estudada no Brasil. Na data de seu aniversário, o Instituto Paulo Freire - a pedido do Centro de Referências em Educação Integral - selecionou, a partir de seu Acervo, alguns materiais que permitem entrar em contato com a obra do educador. Confira abaixo a seleção de materiais, todos disponíveis online. Saiba +Paulo Freire em seu devido lugar 1. “Paulo Freire e todos nós: algumas lembranças sobre sua vida e seu pensamento”, Carlos Rodrigues Brandão.
Nesse artigo, que leva o subtítulo “Lembranças sobre sua vida e seu pensamento”, o professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Carlos Rodrigues Brandão, faz um relato pessoal e afetivo do educador, traçando um perfil de sua personalidade e abordando aspectos importantes de sua obra, como a ideia da consciência humana como uma construção e a centralidade do diálogo em seu método pedagógico.
2. ”Freire: tudo sobre o homem e o educador“, Maria José Ferreira.
Nesse pequeno texto, Maria José faz uma breve resenha do livro Convite à leitura de Paulo Freire, de Moacir Gadotti, um dos grandes parceiros de Freire durante a vida. “Pelos 15 anos de convivência, e possivelmente pela amizade pessoal que os une, temos no livro acima um dos mais completos sobre Paulo Freire”, escreve. 3. O Método Paulo Freire e as contribuições político-pedagógicas para a educação brasileira, Margareth Neves Desmarias.
A monografia se dedica a analisar as contribuições político-pedagógicas do pernambucano para a educação brasileira, destacando o Método Paulo Freire. O texto descreve suas propostas, traçando as bases nas quais se assentam. A autora também salienta o aspecto revolucionário da concepção metodológica proposta por ele, posto que institui uma nova relação entre educador e educando. 4. Educação e conscientização, Paulo Freire.
Trata-se do capítulo IV da obra Educação como prática da liberdade, de 1967. Nele, o autor fundamenta historicamente sua concepção de educação, vista sempre em uma relação indissociável da conscientização política. Dessa forma, o processo de ensino-aprendizagem envolve a transformação de homens e mulheres em sujeitos de transformação social. As pessoas devem saber ler não apenas letras, mas ler o mundo, a partir de uma perspectiva crítica e autônoma. 5. Paulo Freire: uma biobibliografia, Moacir Gadotti (organização).
Essa obra reúne diversos estudiosos da obra do educador, bem como dezenas de pessoas que conviveram com ele. A característica do livro é buscar relacionar sua biografia com sua bibliografia, ou seja, descrever as imbricações entre o que Freire escrevia e o que fazia: entre teoria e práxis. Extratos da obra também estão disponíveis em formato audiolivro. 6. Pedagogia do Oprimido (audiolivro), Paulo Freire.
Uma das obras mais famosas e traduzidas do educador está disponível no Acervo em formato de audiolivro, lido pelo seu filho, Lutgardes Costa Freire. O livro foi escrito no Chile, em 1968, quando Freire estava no exílio, durante a Ditadura Militar brasileira. No Brasil, foi lançado apenas 6 anos depois. O trabalho é fruto das reflexões e da prática de Freire, a partir de sua experiência com a alfabetização de adultos. O educador escreve sobre a concepção “bancária” da educação como um instrumento da opressão e propõe uma ruptura a partir de um novo modelo, pautado por uma educação conscientizadora e libertadora. Os áudios podem ser baixados separadamente e o livro, inteiro, em formato mp3, aqui.
7. Paulo Freire Contemporâneo, Toni Venturi.
O documentário, feito para a TV Escola, é assinado pelo cineasta Toni Ventura, que dirigiu filmes como Cabra Cega, Dia de Festa e Latitude Zero. Em 50 minutos, somos apresentados às ideias, vida e obra do educador pernambucano, por meio de depoimentos de seus familiares, amigos e estudiosos. O filme aborda a perseguição a Freire e ao seu método, no período da ditadura militar, e também resgata experiências contemporâneas herdeiras do pedagogo.
8. Educar para Transformar, Tânia Quaresma.
O vídeo-documentário percorre os cenários urbano e rural, mediante várias linguagens, trazendo a vida e a obrado pedagogo. Usando linguagens como o rap, hip-hop, grafite e cordel, o vídeo reúne ainda depoimentos de familiares, amigos e estudiosos, que ajudam a construir um panorama sobre a história de Paulo Freire, registrando e divulgando um legado expressivo de nossa cultura. O vídeo faz parte de um conjunto de ações do Projeto Memória 2005.
Quando alguém me diz que sou da roça... às vezes mal criada, respondo: da roça é
grilo, formiga, mimoso, batata, outras vezes respeito a ignorância e não respondo
nada. Porque a vida no campo pode ser pacata. Mas quem disse que pacato é
defeito? ??
Esse é o nosso jeito! Produzimos o que consumimos e quase tudo que
você tem vem de nossas mãos.Aqui não tem cinema, não tem MC Donald nem
zoológico, mas aqui no meu quintal tem um balanço na goiabeira e entre tantas
mangueiras corre o sabiá, macacos e pardal.
É é é... não sei andar de ônibus sozinha
nem percorrer os mistérios dos shoppings , aqui não tem escada rolante nem
elevador, mas eu sem medo nenhum subo em qualquer jaqueira e salto do alto das
cachoeiras. Pela tela do celular a tecnologia me deixa conectada , sei o qUE é
facebook, whatsApp e atualizar.
Mas... duvido que você saiba a expressão: "aratu na
lata", o que é um cofo? , panecum e acunhar??? Quantas coisas desconhecemos não
é mesmo? Sendo assim, somos todos tabaréus, você da cidade e eu do campo!
Agora
olha pra mim q vim de lá e responda: EU PAREÇO BICHO DO MATO???
Jessica Calheiros - PASTORAL DA JUVENTUDE DE MARAGOGIPE, BAHIA.
Educação do Campo na Bahia: estratégias de luta e enfrentamento
Realização: Fórum Estadual de Educação do Campo
Assentados aprendem as lições da floresta para cultivar na Amazônia
O lote do assentado Ferreira é um exemplo de como é possível organizar uma experiência de produção sustentável, consorciando agrofloresta com a produção de frutas, madeiras e piscicultura.
aram o lote.
A principal linha de produção da família é a piscicultura e agrofloresta, e em menor escala hortaliças e criação de aves, vendidas na Feira do Produtor do município, além de outros alimentos para a subsistência.
A produção de frutas como cupuaçu, manga, açaí, coco, castanha, dentre outras, compõem os dois alqueires de sua agrofloresta, consorciadas com várias espécies de madeiras. A comercialização de alevinos dos quatro tanques de peixes terá início no próximo mês. Nos últimos dois anos, a produção de peixe do agricultor foi de cinco toneladas.
Nascido e criado no campo, tendo ficado anos afastado dessa realidade, seu Ferreira sempre teve o sonho de voltar a trabalhar na agricultura. “Ninguém dá de comer a uma família com um salário mínimo. Na terra a gente tem uma vida segura. Minha profissão é a agricultura. Daqui eu tiro pra comer, sobra um pouquinho e compro outras coisas pra completar o rancho. Quando o dinheiro tá curto vou no açude e pesco um peixe, também tem a galinha, o ovo”, relata.
Produção agroecológica no lote de Ferreira e Maria.
Do garimpo à agroecologia
“A vida melhorou, hoje estou na terra, temos fartura, gado pra vender, arroz, milho. Na Serra Pelada não tinha nada – tudo que fazia era pra comer no dia, o amanhã não se sabia”, conta o assentado Antonio Barbosa dos Santos, 65 anos, que antes de ir para a luta dos Sem Terra e se tornar assentado, trabalhou durante 12 anos como garimpeiro na Serra Pelada.
No seu Sistema Agroflorestal, a produção de cupuaçu, jaca, manga, acerola, murici, goiaba e limão corre solta entre tantas outras árvores nativas. Em média, são produzidas duas toneladas de cupuaçu por ano, o carro-chefe de Santos. A produção de feijão, milho, arroz e mandioca é mais do que suficiente para sua subsistência.
Criado em 1995, as famílias do Palmares II passaram por um ano de acampamento e resistência e um histórico de oito ocupações, entre despejos e reocupações. Atualmente, as mais de 500 famílias assentadas estão organizadas em forma de agrovila.
A Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental “Crescendo na Prática”, com cerca de 1.200 alunos, é mais um resultado da luta dos trabalhadores e trabalhadoras do assentamento, que contam ainda com um Posto de Saúde da Família e uma cooperativa de transporte.
Permanência no campo
Uma das grandes conquistas do MST no Assentamento Palmares II foi a construção da Escola de Ensino Fundamental “Crescendo na Prática”, onde estudam mais de mil crianças.
A escola se tornou uma referência para a comunidade, ao garantir desde a época do acampamento os processos de formação e o acesso e direito à educação, reduzindo o analfabetismo e incentivando a permanência das famílias na terra.
O fortalecimento da identidade e cultura camponesa também foi um dos marcos desse processo, por meio da organização de atividades culturais e festas do assentamento, trabalhadas em sala de aula. “O aniversário do assentamento, por exemplo, é muito forte. É um momento que todo mundo fica envolvido na festa. Ou seja, a festa é um pretexto para você trazer toda a história do assentamento, como surgiu, quais as lutas do MST na região”, explica Clívia Regina Uhe, integrante da equipe pedagógica da escola.
Criada ainda na época em que as famílias estavam acampadas, em 1994, sua construção e reconhecimento se deu apenas após anos de lutas e reivindicações. Com isso, a própria comunidade foi debatendo e or- ganizando sua participação, de modo que seu envolvi- mento se dá desde o processo de escolha da direção às atividades realizadas pela escola, garantindo a democracia e autonomia. Esse feito a torna a única escola do município com eleição direta para direção, com participação da comunidade. Normalmente, esse é um papel destinado somente à Secretaria Municipal de Educação.
Um dos grandes desafios é justamente manter essa autonomia e garantir os princípios do projeto político pedagógico, como a formação continuada de professores, para que conheçam mais a realidade do campo. “Há mais de quatro anos que viemos construindo um coletivo mais efetivo. Temos 42 educadores e só 50% deles moram no assentamento. É um processo contínuo e de longo prazo”, explica Clívia.
A escola “Crescendo na Prática” é um território de fortalecimento da educação do campo, em que o projeto político pedagógico e sua implementação refletem a necessidade da construção permanente da Reforma Agrária Popular no país.
Desenvolvimento
A região sul e sudeste do Pará possui em média 2 mil famílias assentadas do MST que vivem nos Assentamentos Palmares II, Onalício Barros, 17 de Abril, Cabanos, Canudos, 26 de Março, 1º de Março, Nega Madalena, Chico Mendes I e II e Salvador Allende.
Os diversos alimentos produzidos pelos assentados contribuem no abastecimento dos municípios da região. Os produtos comercializados em maior escala no mercado regional são milho, mandioca, hortaliças, frutas e leite. Também são produzidos outros alimentos para a subsistência das famílias e venda em menor escala, como avicultura e caprinocultura.
Segundo o técnico em agropecuária e integrante da equipe pedagógica do Instituto de Agroecologia Latino Americano Amazônico (IALA), Cleiton Conceição Almeida, os assentamentos abastecem as feiras de produtores da região, as cooperativas e os supermercados. No município de Parauapebas há 400 famílias assentadas e acampadas, que comercializam os produtos na Feira do Produtor municipal, que funciona quatro vezes por semana. Ao todo são vendidas cerca de 130 variedades de produtos.
“Depois que chegamos aqui a fartura em Parauapebas aumentou muito. Nas feiras se enxerga a grande fartura dos assentamentos, que produzem todo tipo de alimentos. A gente trabalhou e trabalha muito”, relata Santos.
Antes de se aliar à luta dos Sem Terra, Barbosa trabalhou 12 anos no garimpo.
A criação dos assentamentos trouxe desenvolvimento e vários empregos diretos e indiretos para a região, principalmente no comércio. Além de melhorias nas condições de vida dos assentados. Segundo Ferreira, os assentamentos também têm um papel fundamental na diminuição do inchaço das cidades, já que absorvem uma grande parte de trabalhadores das áreas pobres, que foram para os assentamentos.
Além de gerar desenvolvimento econômico, os assentamentos também provocam impactos culturais, melhorando a convivência entre as famílias, agora assentadas, com a população urbana. O assentado Santos relata que na época em que as famílias estavam acampadas eram tratadas como marginal, mas hoje, após os assentados iniciarem o cultivo da terra e vender a produção na região, são tratados como um cidadão.
No entanto, a produção de alimentos é um desafio para os assentados da região, pois a maioria das fazendas ocupadas são terras que possuem crimes ambientais, sendo desmatadas e usadas para a exploração da pecuária extensiva, destruindo o bioma original. Sobra para os camponeses o passivo ambiental. Além de produzir a substância da família, precisam recuperar parte do bioma destruído.
Fator que se torna difícil sem a criação de políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar e camponesa.
Também há na região aproximadamente 1200 famílias que permanecem acampadas, devido ao abandono da Reforma Agrária no Pará. Há famílias que estão há mais de dez anos nessa situação.