No dia 08 de julho de 2026, no marco do Congresso 80 anos da UFBA, foi realizada a Mesa: "O FECHAMENTO DAS ESCOLAS NO CAMPO: diagnóstico, desterritorialização e a ofensiva do capital", no IGEO - Sala 103 C.
O debate reuniu pesquisadoras e pesquisadores da UFBA para discutir um dos maiores ataques ao direito à educação pública nos territórios rurais do Brasil.
Os dados apresentados são alarmantes. Segundo o Fórum Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas - FONEC, entre 2000 e 2024 foram extintas 163.854 escolas no Brasil. Desse total, 110.758 estavam nos territórios rurais. Só em 2024, 1.585 escolas rurais foram fechadas no país. Em 2024, 31.321 escolas encontravam-se paralisadas no Brasil, sendo 18.201 em áreas rurais.
No Nordeste o fechamento é mais acentuado. De cada 100 escolas do campo fechadas no Brasil, 65 estavam no Nordeste. Entre 2002 e 2009, a região perdeu 14 mil instituições, o maior índice do país.
Na Bahia, segundo o Diagnóstico das Escolas do Campo da Bahia (2025), entre 2017 e 2021 foram 5.521 fechamentos e 20.337 paralisações de escolas do campo.
No Recôncavo baiano e em Cruz das Almas, os impactos são diretos e concretos. O município já registrou fechamentos desde 2006, quando diversas escolas do campo foram desativadas com a política de nucleação. O caso mais recente é o fechamento da Escola Manoel Caetano da Rocha Passos, localizada na comunidade, que escancara a continuidade dessa ofensiva. Com a justificativa de redução de custos e concentração de estudantes na sede, o poder público vem fechando unidades escolares e obrigando crianças, jovens e famílias a se deslocarem diariamente para a cidade. Em Cruz das Almas, território histórico de luta camponesa, o fechamento de escolas representa o enfraquecimento dos vínculos com a terra, com a cultura e com o projeto de permanência no campo.
A atividade contou com a presença da Profª Dra. Rosana Chaves - UFBA como convidada, e dos/as comentadores/as Profª Dra. Celli Zulke Taffarel - UFBA, Prof. Dr. Edilson Fortuna - UFBA, Profª Ma. Elisete Santos - UFBA e Prof. Me. Pedro Melo - UFBA. A mediação foi de Ma. Irani Soares - UFBA.
O debate apontou que o fechamento não é um fenômeno isolado. É uma estratégia política intencional que viola a gestão democrática do ensino e aprofunda desigualdades históricas. Entre as consequências estão o deslocamento forçado de estudantes, o aumento da evasão escolar e o enfraquecimento dos vínculos sociais e culturais.
A mesa reafirmou que "Fechar escola é crime" e que a escola do campo é mais que um prédio: é garantia de permanência no território, de cultura e de futuro para as comunidades camponesas, quilombolas, ribeirinhas e da agricultura familiar.
Seguimos em luta. A ciência precisa estar a serviço da vida e da resistência.
Essa atividade foi realizada como parte das ações do Programa de Pós-Graduação em História, Filosofia e Ensino de Ciências - PPGHFC/UFBA.
Por Pedro Cerqueira Melo
Doutorando em Filosofia, história e Ensino de Ciências UFBA
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