segunda-feira, 27 de junho de 2016

EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Colegas servidores e servidoras federais e de estatais,
Servidores do Banco Central de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, logo apoiados por colegas da AGU de São Paulo, decidiram apresentar aos Senadores e Senadoras um abaixo-assinado pedindo o voto contra o impeachment.
O documento rebate as acusações referentes às "pedaladas fiscais" e aos decretos de abertura de créditos suplementares, mostrando que não há crime de responsabilidade que justifique o impeachment.
Todos nós, que temos como preocupação a defesa da democracia, dos serviços públicos e da nação, só podemos estar estarrecidos diante das medidas que toma o ilegítimo governo Temer e da conspiração que o levou ao poder.
A cada dia, novas revelações descortinam as verdadeiras intenções desse governo formado por velhas raposas da política, conservadores, investigados em atos de corrupção e vendilhões da pátria (já deixaram claro que pretendem entregar o pre-sal, por exemplo).
Se você estiver de acordo com o conteúdo do Manifesto pedimos seu apoio, sua assinatura e sua ajuda para divulga-lo e obtermos novas adesões.
Nossa participação pode fazer a diferença para ajudarmos a barrar o golpe e preservar a democracia em nosso país.
"Servidores federais e de estatais contra o golpe" é o título do manifesto. Para ler e assinar entre no link:
Depois de clicar em "assinar o abaixo-assinado" você receberá um email para confirmar sua adesão.
Juntos, vamos barrar o golpe! Com luta podemos reverter votos no Senado!

domingo, 19 de junho de 2016

“Bem viver” indígena: caminho para reinventar a democracia?

FONTE:http://outraspalavras.net/blog/2016/06/19/bem-viver-indigena-caminho-para-reinventar-a-democracia/
indio protesto,
Seminários sondam a partir desta segunda-feira, em S.Paulo, como construir outra política em diálogo com saberes dos povos originários. Luiza Erundina participa

Seminário “A Reinvenção da Democracia: Bem Viver/Teko Porã, Ubuntu e Ecossocialismo”

Dias 20/6 (Tucarena), 27/6 (Auditório 117) e 4/7 (Tucarena)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC)
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo
Bem Viver na cidade
Dia 20/6, das19h30 às 22h30
Com Luiza ErundinaCristine TakuáSuely RolnikVanessa LafayetteDaniel Caballero e Wellinton NogueiraVeja e divulgue o evento no Facebook
Na próxima segunda-feira, 20 de junho, um seminário apresentará e discutirá as noções de Bem Viver, Teko Porã, Ubuntu, Ecossocalismo e Democracia Direta aplicadas à cidade de São Paulo. Os debates terão continuidade nos dias 27 de junho e 4 de julho, sempre às 19h30, no Tucarena, teatro da PUC-SP reconhecido por ter sido palco aberto histórico de experiências democráticas. Luiza Erundina, candidata a prefeita em São Paulo, participa ativamente do processo de investigação e debate coletivos.
Originados na cultura de populações indígenas e africanas e na crítica tanto ao neoliberalismo quando a um desenvolvimentismo que não dialoga com as novas realidades do século 21. Os princípios do Bem Viver, Ubuntu e Ecossocialismo são uma fonte de inspiração importante para a defesa do Direito à Cidade.
O Bem Viver – tema do primeiro encontro – tem origem na sabedoria indígena e na resistência de cinco séculos dos povos latino-americanos contra o avanço da colonização, do progresso e do desenvolvimento que desde a Conquista vêm esbulhando seus territórios, submetendo suas populações e combatendo seus modos de vida. Graças a intensas mobilizações ocorridas no final do século 20, as comunidades tradicionais equatorianas e bolivianas conseguiram incluir os princípios do Bem Viver na Constituição de seus países, aprovadas em 2008 e 2009.
O Bem Viver, no entanto, não se aplica apenas à vida das populações indígenas. Seu arcabouço conceitual comporta ideias que podem renovar a democracia, com novas formas de economia solidária e participação política, além de um amplo reconhecimento às diversidades sociais, culturais, étnicas e religiosas. Ao propor uma comunhão entre os Direitos Humanos e os Direitos da Natureza, o Bem Viver também prega um profundo respeito à vida e aos ecossistemas – temas urgentes para uma cidade violenta, segregada e que passa por períodos climáticos extremos.
Além da participação de Luiza Erundina, o debate sobre Bem Viver contará com a presença de Cristine Takuá, filósofa e educadora indígena; Vanessa Lafayette, secundarista do movimento Juntos; Daniel Caballero, artista plástico; e Suely Rolnik, psicoterapeuta do Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC. A mediação será de Célio Turino, ex-secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, criador dos Pontos de Cultura e um dos fundadores do RaiZ Movimento Cidadanista.


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Internet e Democracia, relação complexa – 13 DE JUNHO DE 2016

Novo livro explora possibilidades da política em rede. Mas também alerta: sem analisar conjunturas, formular teorias e definir estratégias, nunca se transformará sociedade alguma
Por João Paulo Charleaux, no Nexo
Uma boa parte do que pensamos sobre a política vem das formulações expressas por um cidadão suíço chamado Jean-Jacques Rousseau. Quando usou as palavras “transparência” e “participação” para definir a democracia, há mais de 250 anos, o filósofo não se referia exatamente à disponibilização de dados do governo na internet, ou ao uso de um smartphone para participar de um abaixo-assinado ou para pressionar o voto de um senador da República, deputado ou vereador.
O primeiro “telégrafo falante” só seria inventado quase cem anos depois da publicação do livro “O Contrato Social”, de Rousseau, e os primeiros celulares, pesando mais de 40 quilos, e criados para serem acoplados ao porta-malas dos carros, só começariam a ser aperfeiçoados depois da primeira metade do século 20. Ainda assim, o desenvolvimento de toda essa parafernália – e, principalmente, sua miniaturização e interconectividade – acabou dando impulso renovado ao que Rousseau evocava como ideal democrático nos anos 1700.
Democracia de bolso
O livro “Artefatos digitais para a mobilização da sociedade civil. Perspectivas para o avanço da democracia”, organizado por José Antonio G. de Pinho, da UFBA (Universidade Federal da Bahia), lançado no dia 6 de junho, na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, traz uma coletânea de oito artigos sobre o tema.
Ao longo de todo o livro, os autores tentam responder se os artefatos digitais são ferramentas para o aperfeiçoamento da democracia. Os textos têm pontos de vista majoritariamente convergentes e possuem como marca o entusiasmo com o que alguns chamariam de democracia 2.0, mesmo que haja ressalvas.
Foco na internet
O livro discute as “novas dimensões e os novos modos de ação política impulsionados pelo uso generalizado de ‘artefatos digitais’ e tecnológicos (internet, redes sociais, celulares, blogs, sites, portais), que exercem forte poder de comando sobre a vida em seu todo e, portanto, sobre a mobilização da sociedade civil e as possibilidades de avanço e de qualificação da democracia”, nas palavras do professor de Teoria Política Marco Aurélio Nogueira, autor do prefácio da edição.
Ele afirma que os autores buscam identificar tentativas de “avançar a democracia através do incremento da transparência, accountability e participação, configurando o que tem sido chamado de ‘democracia digital’”, explorando “as relações entre democracia representativa e democracia digital, a evolução do uso da internet na participação política e na atuação das organizações da sociedade civil, as mudanças nos processos de gestão e o efeito das redes sociais sobre os movimentos coletivos.”
Junho de 2013 como ponto de partida
TEXTO-MEIO
Manifestante paulista segura cartaz contra a realização da Copa do Mundo no Brasil em ato que fez parte das Jornadas de Junho no país
Manifestante paulista segura cartaz contra a realização da Copa do Mundo no Brasil em ato que fez parte das Jornadas de Junho no país
Um dos eventos mencionados para alavancar o debate é a série de protestos ocorridos em 2013 em todo o Brasil, antes da realização da Copa do Mundo. Diz Marco Aurélio Nogueira:
“Em junho de 2013, a hipermodernidade explodiu nas ruas brasileiras, exibindo seu estilo imprevisível, sua falta de ‘narrativa’ sustentável, sua distância da política instituída, sua adesão às redes e ao uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação, sua mobilização e movimentação horizontais”
Nogueira considera que “as vozes da revolta verbalizaram demandas reais, mas também muita intolerância e incompreensão. Disseram muitas coisas, mas não forneceram soluções. Despertaram consciências e tiraram a política da letargia, mas mostraram ter baixo poder de agenda e dificuldades para elaborar uma análise da situação e coordenar os próprios passos políticos. Mesmo assim, seu efeito positivo não pode ser desprezado”.
Pinho, organizador do livro, lembra, entretanto, “a necessidade do movimento transbordar para a mídia tradicional, ser divulgado por esta, questão que ainda se coloca no presente apesar de todo o avanço e ‘independência’ das atuais’ redes”.
Esse diálogo entre o offline e o online, o analógico e o digital, marca vários dos artigos, começando pelo de Ana Cláudia Farranha, da UnB (Universidade de Brasília), que faz uma ponte entre o contratualismo de Rousseau e o uso de ferramentas como o Twitter e o Facebook, para analisar o papel dos artefatos digitais no rumo da política atual.
Nem tudo é internet
No capítulo que analisa “A evolução do uso da internet na participação política de organizações da sociedade civil”, de Jussara Borges e Othon Jambeiro, os autores, acompanham em terreno a experiência de mais de 30 organizações da sociedade civil na Bahia, desde de grupos de defesa do meio ambiente até os que promovem os direitos de pessoas portadoras de deficiências físicas. Eles afirmam que a internet é mais uma “extensão da participação em democracias representativas” do que uma “substituição” da democracia representativa.
Os autores reconhecem que essa é uma “linha de raciocínio diferente” dos pesquisadores que “acreditam inclusive que essa nova tecnologia poderia reviver o sentido político da democracia direta, tornando-se uma ágora digital”. A palavra ágora é de origem grega e se refere ao local de reunião no qual a política era discutida, normalmente ocupando um local central no espaço urbano.
Jussara e Jambeiro explicam que “o mais relevante é a constatação do expressivo uso da internet em todas as formas de participação política” entre as organizações pesquisadas. Eles diferenciam esse uso, entretanto, mostrando que ele é mais forte em atividades como “busca de informações” e na difusão de suas mensagens e pontos de vista na rede, do que na “fiscalização de políticas públicas”, por exemplo. Ou seja: o uso existe, mas é preciso notar os diferentes usos que se faz da ferramenta.
Quem não tem internet também se beneficia
Nexo perguntou ao cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV – presente no debate do lançamento do livro, em São Paulo – como é possível considerar a internet como uma ferramenta importante da democracia quando pesquisas mostram que metade dos brasileiros não se conectam com frequência à rede.
“Nossa perspectiva é mais de futuro”, ele respondeu. “A tendência é que esses artefatos digitais venham a melhorar a representação, com políticas de transparência e com um conjunto de ferramentas com as quais você mobiliza e pressiona muito rapidamente as autoridades públicas.”
Ele acredita que, embora a ferramenta possa não estar nas mãos de todos, seus benefícios atendem a coletividade de maneira ampla. “Cada vez mais, elas [as autoridades] serão vigiadas, sancionadas e cobradas publicamente. Queira ou não, os artefatos digitais têm conseguido isso.”
TEXTO-FIM

Para frear o desmonte das universidades

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Em São Paulo, governo sucateia instituições admiradas em todo o país. Elas resistem, em greves e ocupações. Movimento compreende: para questionar ensino e pesquisa, urge salvá-los
Por Francisco Rolfsen Belda
Em um contexto de greves, paralisações e manifestações a se alastrar pelos principais campi universitários de São Paulo, a sociedade paulista está chamada a debater e decidir, com urgência, qual modelo de universidade pública quer manter e oferecer para a atual e as futuras gerações. Há dois projetos em jogo.
Um deles significa aprimorar os mecanismos de financiamento e de gestão que, até hoje, garantiram que USP, Unesp e Unicamp conquistassem prestígio nacional e internacional, ofertando ensino superior gratuito e de qualidade, pesquisas científicas e tecnológicas de alto impacto e serviços de atendimento social e comunitário em áreas de saúde e educação básica, entre outras, como os do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, da USP, e dos cursinhos pré-vestibular Principia, Primeiro de Maio e Ferradura, da Unesp, em Bauru, amplamente reconhecidos pela população.
O outro projeto em jogo significa o desmonte gradativo dessa estrutura — o que já está em curso, mediante uma sistemática defasagem nos recursos destinados pelo governo estadual ao custeio dos programas de ensino, pesquisa e extensão que, ao longo das últimas décadas, expandiram-se para garantir a formação profissional e ampliar as oportunidades de emprego e geração de renda para mais de um milhão de egressos de seus cursos de graduação e pós-graduação, além da construção de um patrimônio público inestimável dedicado à ciência e à tecnologia em mais de 30 campi em todas as regiões do estado.
Falta de professores, corte de bolsas, encerramento de projetos de extensão, desvinculação de hospitais universitários, sucateamento de laboratórios, prédios com manutenção deficiente e arrocho salarial são apenas algumas das faces mais visíveis desse desmonte. Em alguns casos, a situação chega às beiras do ridículo, com a falta de papel higiênico, sabonete e toalha de papel nos banheiros. Sem contar inúmeros serviços que só não estão sendo desmontados agora porque, a rigor, nunca chegaram a existir na forma e amplitude devidas, como moradias, refeitórios e transporte coletivo para estudantes de baixa renda.
Um argumento geralmente usado para apoiar o desmonte alega ser “injusto” usar o dinheiro público, que é de todos, para bancar ensino de excelência para “alguns privilegiados”. Considerada de relance, a tese parece ter sentido, mas é falsa, assim como a ideia de que o parque universitário paulista poderia ser gerido com “mais eficiência” se fosse vendido ou concedido à administração privada. Neste caso, mais ou menos pode ser apenas uma questão de perspectiva, já que uma gestão eficiente muitas vezes visa, prioritariamente, a ampliação das margens de lucro de quem explora a educação como um serviço particular, e não como um direito social — aliás, quem desdenha, geralmente, quer comprar.
Inúmeros estudos sobre desenvolvimento internacional provam que formar quadros qualificados e promover ciência e tecnologia de qualidade são investimentos que produzem efeitos benéficos a toda a sociedade, e não apenas aos indivíduos que conquistaram propriamente um diploma ou um título de pós-graduação. Em países ditos desenvolvidos, onde algumas universidades datam de muitos séculos, sobram exemplos de como a produção intelectual e a disseminação e a aplicação do conhecimento estão diretamente relacionadas com o avanço de indicadores socioeconômicos mais amplos — por exemplo, na produtividade do trabalho e na redução dos gastos com licenciamento e importação de tecnologias.
Mas se em poucos países, como os Estados Unidos, as melhores universidades são financiadas principalmente com dinheiro privado, via matrículas, doações e fundos empresariais de pesquisa (além, é claro, das encomendas tecnológicas de órgãos governamentais), é preciso reconhecer que países como o Brasil ainda não podem prescindir do papel do estado no fomento e no financiamento do ensino e da pesquisa de qualidade, haja vista o reduzido poder aquisitivo da maioria das famílias, a falta de estímulo tributário à filantropia e a obtusa cultura de distanciamento entre as atividades acadêmicas e o mundo corporativo daqui, que ainda prefere importar soluções a desenvolver e implementar inovação em parceria com a universidade.
Além disso, nos últimos anos, políticas afirmativas passaram a garantir um número expressivo de vagas a estudantes negros e de outras minorias étnicas ou oriundos de escolas públicas, minimizando uma distorção histórica que sempre imperou no acesso ao ensino superior no Brasil. Se é verdade que, em cursos como o de medicina (um exemplo clássico, mas enganoso, devido à sua especificidade), filhos da elite ainda ocupam a maioria das vagas gratuitas, não é menos certo afirmar que, na maioria dos cursos universitários públicos, atualmente, o cenário demográfico é outro, e sobretudo na Unesp, onde o avanço dessas políticas se dá de modo mais acelerado, ainda que não sem contradições.
Por fim, a pauta salarial dos professores e servidores técnico-administrativos, que entraram novamente em greve no início do mês, em diversos campi paulistas, é um item importante e que também deveria preocupar quem, estando fora dos círculos acadêmicos, ainda defende um modelo de excelência para essas universidades. Afinal, o achatamento gradativo das remunerações vai, aos poucos, afastando os melhores talentos do ensino público, fazendo com que se percam décadas de investimento na formação e qualificação de recursos humanos de nível superior. Em alguns departamentos, a fuga de cérebros já começou e, sem recomposição dos salários, irá se agravar.
Ainda assim, acredito ser possível que docentes e servidores relativizassem o impacto de suas perdas salariais caso vislumbrassem um projeto estratégico mais amplo, que lhes devolvesse uma perspectiva de desenvolvimento profissional e de melhoria da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão que são, por dever de ofício, mas sobretudo por vocação, obrigados a ofertar. Por isso, o atual movimento de greve não é apenas pela reposição da inflação no valor dos salários e sim, principalmente, em defesa da universidade pública de excelência e gratuita em benefício da comunidade, com vasto apoio entre estudantes e outros setores sociais.
Aperfeiçoar e corrigir aspectos do atual modelo de gestão e financiamento das universidades públicas do estado de São Paulo, bem como dotá-lo de maior transparência no modo como aplica seus recursos é certamente necessário, e isso deve ser debatido de forma ampla e participativa pela sociedade paulista e suas lideranças políticas. E a hora é agora. Mas usar essas supostas distorções para justificar um desmonte ou mesmo a privatização desses serviços e desse patrimônio só pode ser obra de uma política que esteja francamente a favor do atraso científico, tecnológico e educacional do estado. Ou, pura e simplesmente, de sua inação.
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FONTE: http://outraspalavras.net/brasil/para-frear-o-desmonte-das-universidades-publicas/


quarta-feira, 15 de junho de 2016

1 CONGRESSO INTERNACIONAL ON-LINE DE AGROECOLOGIA


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Caminhando para a ANPJ do Crato…




#SerTãoPJ 2.1
A carta que segue quer partilhar com vocês um pouco dos passos que já estão sendo dados em direção à Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude. Sabemos que essa atividade é de grande importância para a PJ no Brasil inteiro; e por isso, quanto mais gente sonhar e rezar junto, mais bonita, poética e profética ela será. Vamos entrar juntas e juntos nos passos dessa ciranda que nos leva ao Crato!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Operação resgata sete pessoas de trabalho escravo no sudoeste baiano

A Operação Café Amargo, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), prendeu um fazendeiro e resgatou sete trabalhadores de condições análogas ao trabalho escravo. A operação aconteceu em oito cidades do sudoeste baiano e fiscalizou 16 fazendas em dez dias. Foram fiscalizadas as cidades de Itambé, Barra do Choça, Encruzilhada, Cândido Sales, Guanambi, Jacaraci e Malhada para verificar denúncias e inspecionar propriedades que estão sendo alvo de inquéritos no MPT. A equipe deve voltar a se reunir para nova operação de fiscalização na mesma área assim que a colheita de café – principal produto agrícola do local – se intensificar.

Operação resgata sete pessoas de trabalho escravo no sudoeste baiano
Foto: MPT-BA

De acordo com o procurador do Trabalho, Ilan Fonseca, coordenador da operação, as fazendas inspecionadas são investigadas por contratar trabalhadores para o período de colheita em condições degradantes de alojamento, sem medidas de proteção à saúde e à segurança dos lavradores e até mesmo a casos de trabalho infantil. As indenizações pelos danos morais podem chegar a R$ 1,2 milhão e mais R$ 110 mil deverão garantir o pagamento de rescisões de contrato de trabalho dos resgatados. 

As denúncias de trabalho escravo podem ser feitas pelo site www.prt5.mpt.mp.br ou ainda pelo Whatsapp da Ceotrae – (071) 99905-5969. A operação contou com a participação do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), com os auditores-fiscais do trabalho Jackson Brandão e Larissa Jorge; com a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae), através de seu presidente o assessor da secretaria estadual da Justiça Social Admar Fontes, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal. 

Os sete trabalhadores resgatados foram encaminhados para suas cidades de origem e tiveram as guias para solicitação de seguro-desemprego expedidas. O fazendeiro preso em Itambé foi liberado após prestar depoimento. Na fazenda dele foram resgatados cinco trabalhadores, que estavam alojados em um curral sem as mínimas condições de higiene. Todas as irregularidades encontradas estão sendo listadas num relatório que vai subsidiar inquéritos no MPT.

Situação exposta na foto acima foi encontrada em uma das fazendas alvo da operação.
Foto de um dos locais fiscalizados

Fonte: www.bahianoticias.com.br

ABERTURA DE INSCRIÇÕES SELEÇÃO DE CANDIDATOS PARA A VII TURMA DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL (2016.2-2018.2)

O Reitor em exercício da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, no uso das suas atribuições, torna pública a abertura das inscrições para a seleção de candidatos ao Curso de Especialização em História do Brasil. As regras desta seleção seguem o disposto na Resolução CONSU 06/2013.

CLIENTELA 

Podem candidatar-se profissionais portadores de diploma de graduação ou de atestado de concluinte ou de certidão de conclusão do curso de História e áreas afins.

VAGAS: 30 (trinta) A seleção, cujas inscrições são abertas pelo presente Edital, objetiva o preenchimento de 30 (trinta) vagas do curso. Atendendo ao regimento da pós-graduação da UESC, 

Todos os cursos de Pós-Graduação da UESC deverão abrir vagas para atender a demanda interna, denominada de Vaga Institucional no percentual mínimo 10% (dez por cento) sobre as vagas oferecidas para cada curso, salvo os cursos em rede com regulamentação específica. Parágrafo Único – Só poderão candidatar-se à Vaga Institucional os servidores do quadro efetivo da UESC. 

Os candidatos à Vaga Institucional participarão do processo seletivo único do programa, porém serão classificados em lista específica de vagas institucionais. 

Se porventura não forem preenchidas todas as vagas institucionais colocadas em disponibilidade pelos cursos, estas, a critério do Colegiado de cada curso, poderão ser preenchidas por candidatos classificados como excedentes nas demais vagas. 

INSCRIÇÕES

As inscrições poderão ser feitas diretamente pelo candidato, por procuração simples (feita e assinada pelo candidato) o ou pelo serviço dos correios, via SEDEX (com data de postagem até o dia 29 de julho de 2016). A documentação via SEDEX deve ser encaminhada ao Protocolo Geral da UESC, Especialização em História do Brasil / DFCH, Rodovia Ilhéus/Itabuna, km 16, CEP 45.662-900, Salobrinho, Ilhéus-BA, com indicação no envelope “ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL.

Fonte: www.uesc.br/publicacoes/editais/05.2016/77.pdf

terça-feira, 7 de junho de 2016

MST emite nota sobre notícia falsa veiculada no portal G1

O MST de Minas Gerais esclarece que não é responsável por nenhuma ocupação urbana da cidade de Teófilo Otoni.
O MST em Minas Gerais emitiu nesta segunda-feira (06) uma nota em que classifica como "erro grosseiro" a edição por parte do portal de notícias G1, da família Marinho, de matéria sobre um suposto estupro em acampamento do Movimento, na cidade de Teófilo Otoni. Na nota o MST reafirma seu compromisso com o combate a violência contra a mulher ao passo que esclarece que não há qualquer ocupação no referido município sob responsabilidade do MST. Confira o texto assinado pela direção estadual de MG:

Site G1 divulga notícia mentirosa sobre o MST


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Minas Gerais esclarece que não é responsável por nenhuma ocupação urbana da cidade de Teófilo Otoni, tão pouco tem relação com o fato criminoso noticiado pela site G1, neste sábado (04).


A notícia mentirosa foi veiculada sem o conhecimento do movimento. O erro grosseiro e a falta de apuração só comprovam mais uma vez a decadência dos meios de comunicação brasileiros. Estes, não possuem qualquer compromisso com a verdade e com a população, a quem deveriam informar e não propagar falácias que tentam degradar a imagem dos movimentos sociais.


Exigimos uma imediata retificação do site. Ressaltamos ainda que o MST repudia qualquer tipo de violência contra a mulher e não tolera condutas criminosas entre seus membros.


Direção Estadual do MST-MG

Fonte: www.mst.org.br

Charter school: uma escola pública que caminha e fala como escola privada

Em conversa com a professora Nora Krawczyk, da Unicamp, pesquisador americano Dwight Holmes explica por que esse modelo de ensino vem ganhando espaço em seu país e ameaça o Brasil

Escolas charter têm pouquíssimos professores sindicalizados

Vivemos no Brasil um intenso processo de mudança da racionalidade organizacional da educação, que afeta de maneira radical a lógica de gestão e o trabalho na escola pública. As escolas charter (charter schools), modelo de escola pública que adota a lógica da gestão privada, têm sido apontadas como principal referência de excelência para as mudanças que se tenta implantar. São glamouralizadas e exaltadas no Brasil (como se faz com supostas excelências da gestão privada) sem que haja um verdadeiro debate sobre o tema.

Até que ponto essa visão midiática das escolas charter é real? Onde terminam suas qualidades e começa a mitificação? Foi em busca de respostas para questões como essas que vim para o berço das escolas charter, os Estados Unidos, estudar o sistema de educação local, com bolsa concedida pela Fapesp.

Dado o momento que o Brasil vive, no qual se tenta impor soluções e contaminar todos os espaços (inclusive o educacional) com posturas conservadoras e antidemocráticas, um verdadeiro debate sobre o que são as escolas charter, como funcionam e quais consequências trazem para a escola pública parece fundamental. Afinal, com o afastamento de Dilma Rousseff, o governo interino parece disposto a favorecer mudanças radicais na gestão da escola pública, dando suporte a medidas tomadas pelos estados, como a extinção dos concursos públicos para professor em Goiás, e outras em andamento como os modelos de escolas charter.

Pesquisador em educação desde 1977 e das escolas charter nos Estados Unidos, Dwight Holmes, analista sênior de políticas com foco em questões de equidade na educação para a Associação Nacional de Educação (NEA), explica em entrevista ao Carta Educação a origem desse modelo, quais os interesses e de que maneira essas escolas aprofundam desigualdades.

Leia a seguir:

Carta Educação: O que é uma escola charter? Como elas começaram?

Dwight Holmes: Para começar, gostaria de dizer que eu não estou falando em nome da NEA. São minhas próprias opiniões. Em poucas palavras, escola charter é uma escola mantida com recursos públicos, mas cuja gestão é privada. Ela tem origem na década de 1980, curiosamente pensada para ser uma escola liderada por professores e para acolher os alunos que fracassavam nas escolas tradicionais. Pensavam que poderiam contornar regras administrativas para poder experimentar diferentes abordagens de ensino com estudantes que enfrentam desafios maiores. Lamentavelmente, essa boa ideia virou uma indústria poderosa, que compete com as escolas públicas para atrair estudantes e recursos públicos preciosos.

CE: O livro Myths and lies about who’s best, de David C. Berliner e Gene V. Glass, mostra que a escola charter é um tipo de escola que anda e fala como uma escola privada, mas na realidade é uma escola pública, porque recebe dinheiro dos contribuintes. Você concorda?

DH: Sim. As escolas charter são públicas porque recebem dinheiro dos governos estaduais e federal, com os mesmos critérios que as escolas públicas tradicionais. As regras de governança e de responsabilização variam muito segundo as leis de cada estado para as escolas charter. Por isso, podemos dizer que elas funcionam mais ou menos como as escolas particulares, dependendo do estado onde estão localizadas e das agências que as autorizam.

Em seguida, é importante entender que existem duas grandes categorias de escolas charter. Existem as chamadas “Mamãe & Papai Charter”, escolas sem fins lucrativos iniciadas por educadores locais ou líderes comunitários e geridas de forma independente. E existem as escolas charter que são parte de uma “organização de gestão da educação” (Education Management Organization, em inglês), muitas dessas consideradas “cadeias nacionais”. Algumas delas são organizações sem fins lucrativos, enquanto outras indiretamente acabam sendo puro business. Atualmente, cerca de 60% de todas as escolas charter são independentes (Mamãe e Papai) e 40% são administradas por contrato com organizações de gestão da educação, sendo metade organizações com fins lucrativos.

Evidentemente também há aspectos condenáveis em parte das escolas do tipo Mamães & Papai. Há casos de fraudes entre elas, e algumas são abertas por grupos interessados em se ver livres de problemas das escolas tradicionais, como alunos indisciplinados e crianças com dificuldades de aprendizagem.

CE: Você disse que os regulamentos das escolas charter são diferentes de um estado para o outro. Em linhas gerais, quais regras são mais comuns e onde estão as diferenças mais importantes entre os estados?

DH: A educação pública nos EUA é um sistema federal de 50 estados, cada qual com um próprio sistema. A Constituição dos EUA não faz nenhuma menção à educação pública. As únicas leis federais que se aplicam a todas as escolas do país, incluindo as escolas charter, são aquelas que dizem respeito à proteção dos direitos civis para os estudantes (com base na etnia, religião, nacionalidade, deficiências) e às condições vinculadas ao dinheiro federal para o estado, distrito ou escola.

Em média, as receitas federais representam 10% da receita total da escola, e 90% são provenientes de governos estaduais e municipais. Em geral, onde o poder político é mantido pelo Partido Republicano, as leis para as escolas charter são mais flexíveis, permitem maior liberdade tanto para a agência que autoriza sua criação quanto para as próprias instituições de ensino. Onde o Partido Democrata está no poder e a influência de sindicatos de professores é mais forte, as leis para as escolas charter tendem a ser mais restritivas e existe maior controle e responsabilização das escolas. Há grandes exceções a essa regra geral, como a Califórnia: um estado fortemente democrata, com um sindicato docente muito atuante e leis pró-charter.



Você sabia que o Brasil também tem escolas charter? Saiba mais como esse modelo começou no País e na região:

Leia Mais

CE: Há algum tipo de recomendações para os estados?

DH: A Aliança Nacional para Escolas Públicas Charter, um importante lobby pró-charter, publicou um modelo de lei para a escola charter”, que descreve o mundo como eles gostariam que fosse. Ela também classifica os estados de acordo com a proximidade de suas leis para as escolas charter com a “lei modelo”. Nesse modelo, os componentes essenciais de uma lei para escola pública charter são a autorização ilimitada do número de escolas charter, a possibilidade de criar diferentes tipos de escolas charter, incluindo virtuais/on-line, e que organizações externas estejam autorizadas a gerir escolas charter. Ela quer também as escolas charter isentas das leis e convenções estaduais coletivas, evitando que os professores possam se organizar em sindicato.

CE: Como assim? Os professores que trabalham nas escolas charter não podem participar do sindicato? O sindicato de professores tem possibilidades de negociar as condições de trabalho desses docentes?

DH: São pouquíssimos os professores das escolas charter sindicalizados. Um dos estados onde o NEA e a Federação Americana de Professores (AFT) estão tendo algum sucesso nas campanhas para organizar os professores das escolas charters é Nova Jersey. Mas isso tem preocupado bastante a associação das escolas charter local, principalmente pelas condições deploráveis de trabalho dos professores e porque os professores não têm voz nas escolas charter.

CE: Como são as condições de trabalho dos professores na escola charter? São diferentes daquelas das escolas públicas tradicionais?

DH: Muitas. Os estados não exigem que os professores das escolas charter tenham a certificação correspondente para ensinar. Como disse, muito poucos são sindicalizados e, embora AFT e NEA estejam atuando nessas escolas, os números ainda são pequenos. Os professores das escolas charter tendem a ser mais jovens, menos qualificados, com menos experiência, recebem menos, têm menos benefícios e volume de trabalho superior. Na Flórida, por exemplo, o salário médio anual dos professores nas escolas charter em 2011-2012 era de 38.459 dólares e nas escolas públicas tradicionais de 46.273 dólares.

A porcentagem de professores com apenas um ou dois anos de experiência era de 69% nas escolas charter e de 21% nas escolas públicas tradicionais. Além disso, as cadeias nacionais de escolas charter deixam muito pouco nas mãos dos professores sobre o que, como e quando ensinar. A maioria delas utilizam currículos estruturados e orientados para o teste. Os professores são obrigados a usar apostilhas, produzidas de forma centralizadas para todo o país.

CE: Como funciona o financiamento público para as escolas charter?

DH: Em geral, recebem o mesmo financiamento por aluno que as escolas públicas tradicionais para despesas operacionais. O financiamento de capital e aquisição de instalações escolares têm sido um problema para as escolas charter na maioria dos estados. Algumas recebem grandes quantidades de contribuições privadas, embora haja poucos dados sobre isso.

CE: Quantas escolas charter existem hoje nos EUA e que porcentagem representam no total das escolas públicas?

DH: Nos Estados Unidos temos atualmente 90.189 escolas públicas, sendo 94% tradicionais. Essa relação se mantém, aproximadamente, em todos os níveis de ensino básico. O ensino privado representa 24% das escolas do país e 10% de todos os alunos do ensino básico.

CE: Realmente a porcentagem de escolas charter é bastante pequena, só o 6% das escolas públicas em todo o país, mas elas têm aumentado. Por que isso está acontecendo?

DH: Por diferentes razões, mas gostaria de destacar que a administração de Obama tem sido bastante pró-charter. O Programa Federal Escolas Charter gastou mais de 3,7 bilhões de dólares ao longo dos últimos 10 anos, na criação de escolas charter em todo o país. Outro motivo é que as organizações que defendem o modelo charter como alternativa mais eficiente às escolas tradicionais têm pressionado muito para aumentar o número de escolas charter e flexibilizar ainda mais as leis que as regulam.

Uma forma de pressão é injetar grandes quantidades de dinheiro nas escolas charter para que diferentes grupos possam iniciar novas escolas charter. Um dos financiadores que se destaca é a fundação da família Walton, dona do Walmart e uma das mais ricas do país. Além do investimento em escolas charter, durante décadas investiram milhões tentando desviar fundos da escola pública às escolas privadas com bônus. De qualquer maneira, é importante destacar que o investimento federal, através do Programa Charter, tem superado os investimentos realizados por grandes fundações privadas.

CE: Um dos argumentos favoráveis às escolas charter é as famílias terem a possibilidades de escolha. O que você acha disso?

DH: Seguramente existem escolas charter “Mamãe e Papai” que trabalham bem e que, em média, são menores que as escolas públicas tradicionais. Mas hoje o setor charter de escolas públicas está dominado pelas corporações. O volume de negócios é elevado. Lembre-se que muitas dessas escolas são administradas por empresas com fins lucrativos e têm de obter seus 15% de lucros de algum lugar.

O que significa isso quando pensamos nas oportunidades educacionais para crianças e jovens? Por exemplo, uma escola tradicional pode gastar 65 mil dólares por ano em eletricidade. Se um grupo de alunos sai e vai para a escola charter, o uso de eletricidade não diminui e as contas têm de ser pagas, mas parte do financiamento vai embora junto com os alunos para as escolas charter. Os impactos negativos sobre as escolas de bairro tradicionais são enormes. E, sem falar das denúncias de segregação e mãos tratos que as crianças e jovens sofrem em algumas escolas charter.

CE: Muitas escolas fecham após um tempo de funcionamento, não?

GH: Sim, esse é um problema grave para os alunos. Temos muitas ​​interrupções na escolaridade de crianças e jovens causadas por fechamento de escolas charter. Dados de 2000- 2012, os últimos disponíveis, mostram o fechamento de 27% das escolas charter nesse período. Uma análise desses dados nos indicam que quantos mais anos de funcionamento tem a escola, maior é a probabilidade de ela fechar. Cerca de 40% não sobrevive após 12 anos desde o nascimento. No entanto, também temos um número considerável de escolas charter que deixam de funcionar já no primeiro ano de funcionamento.

CE: Qual é a taxa de graduações nas escolas charter e em escolas públicas tradicionais? Há diferenças por conta de diferentes etnias?

DH: Em geral, são muito mais baixas nas escolas charter vis-à-vis escolas públicas tradicionais. E isso é verdade independentemente da etnia. Em 2015, a taxa de graduação no Ensino Médio nas escolas públicas tradicionais foi de 84%, contra 61% das escolas charter

CE: Por que corporações têm interesse nas escolas charter?

DH: Lucro. O custo da educação básica pública está se aproximando de 1 trilhão de dólares por ano, sendo 80% para pagamento de pessoal. As forças privatistas têm procurado captar de diferentes maneiras uma parte significativa desse dinheiro para si. Por exemplo, através da emissão de bônus (voucher) para pagar a mensalidade em escolas privadas para crianças pobres, benefícios fiscais para quem paga escola pública, terceirização de funções tradicionalmente desempenhadas por funcionários públicos (alimentação, transporte e limpeza) e agora, também, via escolas charter.

No geral, os milionários defensores da escola charter são obcecados em criar e expandir um sistema de educação paralelo à educação pública tradicional que reflita os valores corporativos e não seja responsável publicamente frente aos pais e a comunidades. Esse esforço exacerba a desigualdade de renda, uma vez que drena recursos de distritos escolares públicos e prejudica o seu sucesso.
Modelo ameaça educação pública precária do Brasil (Foto:
Fernando Frazão/ Agência Brasil)

CE: Há muitas denúncias sobre corrupção nas escolas charter.

DH: Há muitos casos de corrupção em escolas charter. O governo federal dá todos aqueles milhões de dólares e não monitora o dinheiro. Os estados tampouco o fazem. A NEA pressiona para que as leis da escola charter incluam mais exigências na prestação de contas, mas existe uma resistência maciça do lobby da escola charter. Eles se queixam de regras “onerosas” e dizem que precisam de “liberdade” para inovar, mas o que conseguem é um ambiente em que ninguém sabe (ou não quer saber) onde e como o dinheiro é gasto ou se as necessidades dos alunos e professores estão sendo atendidas.

Claro que tem havido casos de corrupção na administração do ensino público também. Mas são poucos e por um bom motivo: há muitos controles contábeis e financeiros. Já o modelo de gestão da escola charter permite um truque fiscal muito hábil. Informações levantadas em Los Angeles mostram que: as corporações criam organizações sem fins lucrativos para gerir cadeias de escola charter e criam empresas de responsabilidade limitada para controlar as propriedades da escola.

Na Califórnia, ganham dinheiro alugando imóveis para escolas charter, pelos quais são reembolsados por verbas de agências estaduais e federais. Essas empresas podem até emitir títulos negociáveis no mercado que, em última instância, estão garantidos pelo contribuinte. Houve recentemente um escândalo em Ohio, onde encontraram dados falsos sobre o sucesso das escolas charter de uma dessas corporações, usados para receber mais verbas federais.

CE: Por que o número de escolas charter tem aumentado e o mesmo não acontece com o sistema de bônus para as escolas privadas?

DH: Boa pergunta. Não tenho certeza, mas certamente os americanos entendem que é impossível ter o controle do dinheiro público se ele é entregue às escolas privadas. A maioria das escolas que aceitam estudantes com bônus são escolas religiosas. Acho que isso também pesa porque duvido que as pessoas estejam de acordo que os alunos recebam educação religiosa com dinheiro público.

CE: A escola charter é inevitável? Se sim, por quê?

DH: No curto e médio prazo, com certeza. Em parte, porque elas preenchem uma demanda social e uma parte dessas escolas são bem-sucedidas. Mas principalmente porque elas servem aos interesses políticos de capturar o máximo de orçamento da educação pública para o lucro privado e de minar os professores e seus sindicatos. Isso é muito sério porque exacerba ainda mais as desigualdades já existentes em nosso sistema de educação pública e serve como uma distração para os passos reais necessários para melhorá-la.

*Nora Krawczyk é professora da Faculdade de Educação no Departamento de Ciências Sociais e Educação e membro do Grupo Políticas Públicas e Educação na Unicamp. Atualmente faz pós-doutorado na Universidade de Maryland, EUA. norak@unicamp.br

Fonte: www.cartaeducacao.com.br

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