quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Em áreas de commodities, índices de malformados é 300% acima da média, diz defensor

Por Nadine Nascimento
Cenoura tem cerca de 48,9% de veneno em sua composição - Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil
Cenoura tem cerca de 48,9% de veneno em sua composição / Fernando Frazão/Agência Brasil
Há sete anos, o Brasil é líder mundial no uso de agrotóxicos e muitas substâncias vetadas em outros países continuam sendo vendidas aqui. O consumo médio mensal per capita é de 5,2 kg de veneno agrícola no país. Só o estado de São Paulo consome cerca de 4% de todo veneno produzido no mundo.
Malformações, intoxicações, alguns tipos de câncer e empobrecimento e contaminações do solo são alguns dos efeitos graves atribuídos ao uso massivo dessas substâncias na agricultura. Trabalhadores rurais e moradores do entorno de fazendas fazem parte dos grupos de risco mais alto.
Para debater os impactos o uso de agrotóxicos, analisar seus impactos, estabelecer estratégias de fiscalização e atuação institucional no combate ao uso inadequado dessas substâncias no estado de São Paulo foi criado no fim de agosto o Fórum Paulista de Combate ao Impacto dos Agrotóxicos e Transgênicos.
Grupos de defesa do consumidor, representantes da Defensoria Pública do Estado, da Defensoria da União, do Ministério Público Federal, pesquisadores, organizações sociais, como a Aliança pela Água, e sindicais, como a CUT, integram o fórum.
Marcelo Novaes, representante da Defensoria Pública Estadual de São Paulo no fórum, comenta em entrevista ao Brasil de Fato os principais efeitos socioambientais dos agrotóxicos no estado. Com base em dados levantados pelo Observatório de Saúde Ambiental, Novaes associa o crescimento das taxas de câncer ao uso indevido desses produtos.
"De 2000 a 2013, a taxa de prevalência média de malformações no estado foi de 7,8 [para cada 100 mil nascidos vivos] e, em algumas cidades do interior, inseridas em um território de produção de cana, café, soja, os índices se aproximavam de 24, o triplo do que existia em Cubatão. Os estudos apontam que em 70% dos casos de malformação a razão decorre de problemas ambientais e não de problemas de transferência de carga genética", diz.
Confira a seguir a entrevista completa:
Brasil de Fato - Como se configura o Fórum Paulista de Combate aos Agrotóxicos e Transgênicos?
Marcelo Novaes - Esse fórum foi organizado para sincronizar entre algumas instituições na luta contra os agrotóxicos as informações sobre o que está sendo feito em cada uma delas. Buscamos também fazer um intercâmbio com as atividades acadêmicas e, assim, reunir os institutos de pesquisa e buscar o apoio da sociedade civil. Há a necessidade de que essas informações sejam expostas para a população e essa se mobilize.
O Fórum é aberto e democrático. São basicamente seis coordenadorias, com integrantes de inúmeras entidades e instituições jurídicas, além de um representante da sociedade civil. Acreditamos que o debate da fiscalização, controle e coibição do uso ilegal e irrestrito dos agrotóxicos deve ser feito no aspecto social, jurídico e científico.
No lançamento do Fórum vocês discutiram os dados do Observatório de Saúde Ambiental. Quais os principais temas levantados?
O relatório do Observatório de Saúde Ambiental mostra que, em alguns municípios do interior de São Paulo, as taxas de nascidos com malformação chega a ser 300% superior à média estadual. Todos esses municípios têm em comum o fato de estarem inseridos em zonas de produção de commodities agrícolas, onde há, por consequência, uma grande utilização de agrotóxicos. O Brasil é campeão mundial do uso de agrotóxicos, e só o estado de São Paulo usa cerca de 4% de todo o agrotóxico produzido no mundo.
De 2000 a 2013, a taxa de prevalência média de malformações no estado foi de 7,8 para cada 100 mil nascidos vivos e, em algumas cidades do interior, inseridas em um território de produção de cana, café, soja, os índices se aproximavam de 24, o triplo do que existia em Cubatão. Os estudos apontam que em 70% dos casos de malformação a razão decorre de problemas ambientais e não de problemas de transferência de carga genética.
Pela própria natureza dos agrotóxicos, que são biocidas, perigosos e que exigem cautela no seu manuseio, obviamente sua utilização em larga escala provocaria efeitos deletérios. O que o estudo prova é que essas consequências não estão por vir, elas já chegaram há muito tempo. Todos nós estamos expostos a isso em razão da contaminação da água e dos alimentos. Cerca de 30% dos alimentos consumidos pela população são impróprios. Eles não poderiam ser destinados nem para a produção de ração animal. Eles deveriam ser incinerados.
Levantamos também a questão da pulverização aérea, que é proibida ou vista com sérias restrições na comunidade européia, e tem previsão de abandono no ano de 2017. E, aqui no Brasil, principalmente em São Paulo, a situação é muito preocupante.
No estado, temos 48 empresas de aviação agrícolas registradas no Ministério da Agricultura, que juntas pulverizaram uma área correspondente a 11,82% do território paulista somente em 2015. É como se pegasse o mapa de São Paulo e apagasse o Vale do Paraíba, a Baixada Santista e a Grande São Paulo, com produtos banidos em outros países em razão de seus efeitos mutagênicos e cancerígenos.
Quais são os grupos mais atingidos?
Em tese, os grupos mais atingidos seriam os profissionais da saúde, que manuseiam agrotóxicos utilizados no combate aos vetores de algumas epidemias; os trabalhadores da agricultura; os trabalhadores das indústrias que manuseiam e formulam esses produtos; e de uma maneira genérica, toda a população que consome os alimentos contaminados. O que esse estudo demonstrou é que existe um outro grupo, que é a população interiorana que mora em municípios onde a fronteira entre o rural e o urbano é muito tênue.
Temos denúncias de cidades em que 8% da população está em tratamento de câncer, como Coronel Macedo, por exemplo. O município de Bento de Abreu é o campeão paulista na taxa de prevalência média de câncer de encéfalo no estado de São Paulo.
Esses dados mostram que o agronegócio, da maneira que está sendo praticado, deixa um rastro de destruição e morte no interior. Os agrotóxicos não são defensivos agrícolas, não são agroquímicos, não são soluções modernas para a agricultura, não são substâncias "amigas" das pessoas e das plantas. São substâncias intrinsecamente tóxicas.
Como você avalia as políticas públicas ambientais no Brasil?
O que podemos observar é que há um retrocesso nas políticas públicas ambientais que não surgiu agora mas que vem se acentuando de maneira acelerada.
Uma das primeiras leis assinadas pelo novo governo foi a autorização da pulverização aérea de substâncias tóxicas nas cidades para o combate do mosquito da dengue, mesmo com todas as manifestações contrárias [de profissionais] da área da saúde. Tudo sem nenhuma justificativa científica, sanitária ou técnica.
Além disso, temos o PL dos agrotóxicos [3200/15], que é extremamente preocupante, não só pelo troca do nome de agrotóxico por fitossanitário, mas também porque o controle do que vai ser usado no país deixa de ter a interferência das áreas de meio ambiente e de saúde.
Somado a isso, temos um projeto [4059/12] que permite a aquisição de terras por estrangeiros, o que atenta contra a soberania nacional. O projeto possibilita que o mercado financeiro, por exemplo, seja proprietários de extensas áreas em nosso país sem nenhuma responsabilidade socioambiental.
Edição: Camila Rodrigues da Silva
Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2016/09/30/em-areas-de-commodities-indices-de-malformados-e-300-acima-da-media-diz-defensor/

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A escola como empresa: fanzine e vídeo sobre a reforma do ensino

O zine enfatiza a “privatização interna” por que passa a estrutura de ensino quando mecanismos de gestão das empresas passam a presidir o cotidiano escolar. Por Passa Palavra
zine_1Enquanto boa parte da esquerda brasileira se volta para o projeto conservador “Escola Sem Partido”, uma outra ameaça na área educacional ganha terreno sem muitos holofotes e a devida atenção. Trata-se de uma profunda reforma empresarial no campo da educação que, com um discurso muito mais modernizante e atraente para os jovens, avança a passos largos em estados como São Paulo e Goiás, e também em nível federal, como recentemente anunciado pelo Ministro da Educação, Mendonça Filho.
O fanzine e o vídeo “Privatização da Educação”, que acabam de ser lançados pela página da campanha Escola Sem Empresa, frutos de uma pesquisa de meses feita por Danielle Maciel e Sabrina Duran, com apoio da Fundação Rosa Luxemburg, buscam oferecer elementos para pensar este processo que progride de forma discreta, independente da coloração partidária que esteja no comando e suas picuinhas internas. O modelo de gestão escolar que parece estar em jogo é mobilizado por uma teia complexa composta por agências supranacionais, consultorias especializadas, entidades do terceiro setor, poderes públicos locais e grandes grupos financeiros e empresariais que têm o objetivo de intervir na área educacional segundo o interesse e as novas exigências da atual etapa do capitalismo. Nesse ponto, a recém lançada publicação é muito instrutiva, pois dá nomes aos bois, e indicam ao leitor quais são as principais associações de empresas (muitas delas por trás de sua “fachada social”) que têm se empenhado na articulação silenciosa de cada passo da reforma.
A privatização de que fala o zine não se limita a fazer do direito à educação um negócio rentável aos capitalistas do setor – embora esse aspecto não deixe de estar presente, podendo variar conforme as forças e os interesses envolvidos nas formas locais de aplicação desta grande reforma. Mais do que eventuais cobranças de mensalidades, a publicação chama a atenção para o perigoso processo de “privatização interna” por que passa toda a estrutura pública de ensino, na medida em que mecanismos de gestão da empresa privada passam a presidir cada minúcia do cotidiano escolar. Daí que tenhamos assistido nos últimos anos à multiplicação de sistemas padronizados de avaliação por desempenho, modelos de reformulação da carreira docente com base em medidores de resultado, tentativas de segmentação das unidades escolares sob o discurso da “eficiência da gestão” e da “qualidade do ensino” e outras medidas que tendem a estrangular qualquer resquício de autonomia na atividade escolar.
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Se implementada conforme preveem os programas, a reforma empresarial da educação tende a estreitar o controle e as pressões do capital sobre o dia a dia de pais, professores e alunos. Isso significa distanciá-lo das reais necessidade da comunidade que nela trabalha ou estuda, uma vez que irá reforçar a dimensão da escola enquanto fábrica de resultados vazios e mão de obra adaptada às variações do mercado. O estímulo à competição, ao individualismo cego, através da pressão cada vez maior para o batimento de metas, aponta para corrosão dos já frágeis laços de solidariedade entre os debaixo, minando as possibilidades de ação coletiva, como as que vimos com o recente levante dos secundaristas pelo país.
Procurando se expressar numa linguagem simples, o fanzine e o vídeo oferecem à nova geração de militantes informações relevantes sobre as linhas de atuação, discursos e mudanças institucionais que pavimentam a implementação das novas políticas de ensino. Decifrar suas origens, formas de funcionamento e os interesses envolvidos se coloca como uma tarefa fundamental para entender o novo campo em que possivelmente se darão os próximos conflitos.
O fanzine está disponível para download e impressão na página de facebook do Escola sem Empresa, onde também se poderão encontrar mais informações sobre a campanha.
Veja o vídeo aqui.
Fonte: www.passapalavra.info/2016/09/109402

Licenciatura em educação do campo: fundamental ao campo e à cidade, alvo do Estado e do mercado


Por Lizely Borges
Da Página do MST


A professora da licenciatura na educação do campo da Unb, Mônica Molina, defende a construção de organização de resistência dos educadores aos retrocessos em curso..JPGO conjunto de medidas adotadas pelo governo de Michel Temer (PMDB) e sua base de apoio, conjuntamente com o avanço do modelo de agricultura baseada no agronegócio, demandam dos profissionais da educação do campo, universidades e movimentos populares não apenas a construção unificada da resistência, mas também ações propositivas a este cenário. Esta é uma das reflexões centrais presentes no V Seminário Nacional dos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo, realizado nos dias 13 a 16 de setembro, em Bandeirantes-DF.

Organizado pelo Fórum Nacional de Educação do Campo (Fonec), espaço de articulação dos diferentes sujeitos coletivos da educação campesina, a atividade reuniu cerca de 150 estudantes, professores, coordenadores de licenciaturas de 38 universidades de todas as regiões do país que, conjuntamente com movimentos populares e sindicatos vinculados a questões do campo, teve como objetivo debater e construir ações em defesa da permanência dos 48 cursos de licenciaturas em educação do campo desenvolvidos por 39 universidades no país, e que estão sob risco de progressiva fragilização pela diminuição do papel do estado na educação pública e intervenção do setor privado na política educacional.

Estruturação da licenciatura em educação do campo

A ação para fragilização da educação do campo não é exclusiva dos tempos recentes. Nos últimos quinze anos cerca de 37 mil escolas rurais foram fechadas (Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep). No entanto, em paralelo à crise da agricultura e transição para consolidação do agronegócio, neste mesmo período foram realizadas ações para a estruturação da política educacional para o campo, com importante papel desempenhado pelos movimentos populares.

“O período inicial do Movimento da Educação do Campo coincide com o período de transição que tem sido compreendido como “da crise do latifúndio à consolidação do Agronegócio”. Foi, aliás, este período, de certa fragilidade da aliança das classes dominantes, que possibilitou o crescimento e avanço das lutas pelos direitos no campo”, aponta a professora em licenciatura da educação do campo, Mônica Castagna Molina.

A partir de experiências de cursos de pedagogia da terra desenvolvidas pelos movimentos campesinos e por meio de forte pressão popular, com destaque para a reivindicação unificada pelos campesinos, quilombolas, quebradeiras de côco e ribeirinhos na II Conferência Nacional por uma educação do campo, em 2004, foi instituído, neste mesmo ano, um grupo de trabalho com o papel de elaborar subsídios para a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) na proposição da política ao Ministério da Educação. Com aprovação do desenho das licenciaturas pelo MEC foram desenvolvidas experiências-piloto em quatro universidades.

Dois momentos seguintes ao GT e fundamentais na estruturação das licenciaturas foram o lançamento de editais em 2008 e 2009 pelo MEC com o objetivo de ampliar o desenvolvimento de licenciaturas nas universidades e a construção de normativas. Tanto o Decreto 7.352, de 2010, que instituiu a Política Nacional de Educação do Campo, quanto a Portaria nº 86/2013 que institui o Programa Nacional de Educação do Campo (PRONACAMPO) foram fundamentais para o estabelecimento de mínimas garantias de continuidade da formação, de turmas não mais únicas, e metas ambiciosas no número de educadores formados para os anos seguintes.

A estruturação das licenciaturas em educação do campo, acompanhadas de outras políticas públicas, como Bolsa Família, Luz no Campo e Programa Minha Casa, Minha Vida Rural, ainda que apresentem graves fragilidades colaboraram para alterar progressivamente o déficit educacional. De acordo com o Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a escolaridade média da população do campo aumentou de 5,6 anos em 2004 para 8,2 em 2014.

Papel da licenciatura em educação do campo

A reivindicação de cursos de licenciatura em educação do campo, de acordo com os movimentos populares, não atende unicamente à superação do déficit histórico educacional rural. A proposta de formação tem como centralidade o estabelecimento de outra relação do sujeito com a terra. Segundo a integrante do coletivo nacional de educação do MST, Vanderlúcia de Oliveira Simplício, não basta o acesso à educação. “Não vale para nós qualquer educação, mas uma educação que forme um sujeito para compreender a sua realidade, a não discriminar os sujeitos do campo e a construir com eles”, comenta.

Mônica complementa que a proposta de educação do campo implica não apenas o acesso pelo campesino ao conhecimento historicamente acumulado, mas também o reconhecimento das realidades do campo e compromissos dos sujeitos na transformação social. Para ela, a educação do campo é muito maior que a educação escolar. Falar de educação do campo demanda necessariamente tratar, no processo formativo, de temas da reforma agrária e da desconcentração fundiária, da necessidade de enfrentamento e de superação da lógica de organização da sociedade capitalista, pela apropriação dos bens naturais como a terra, a água e alimentos.

“O carro chefe da licenciatura é como somos capazes de ajudar o campesinato a construir estratégias de resistência a uma desterritorialização pela ação do agronegócio. Não pode ter licenciatura sem formação de formadores. Tem um perfil do educador do campo. Como a gente vai junto com os movimentos populares construindo junto. A lógica da universidade é essencialmente individualista. Falamos de uma ciência para que tenha mais vida para todos, e não para aparecer mais”, destaca Mônica.

Ela complementa e avalia o papel que as licenciaturas têm desempenhado no curto período de menos de 10 anos de existência. “Apesar das dificuldades, o conjunto das licenciaturas do campo está pondo em movimento no processo de transformação do conhecimento a dimensão da territorialidade, as tensões e constrições enfrentadas pelo campo”, conclui.

O papel de vínculo dos sujeitos do campo com o campo e a luta pela terra dificilmente passam pelas formações ofertadas pelas universidades e escolas urbanas. Vanderlúcia relembra a experiência de jovens que, na falta de cursos de ensino superior na área rural anteriormente à existência de cursos de licenciatura do campo, se deslocavam para a área urbana em busca de formação. “Se formavam e quando voltavam o estudo adquirido não tinha vinculação com a realidade do campo. As licenciaturas cumprem um papel fundamental na formação de profissionais na defesa de um projeto para o campo, defendido pela classe trabalhadora”, diz.

Para construir esta vinculação, a licenciatura tem como eixos centrais a formação em alternância, a articulação das lutas da educação com o conjunto de lutas sociais, o diálogo entre teoria e prática, a heterogeneidade dos estudantes e a formação para a auto-organização, formando sujeitos autônomos e voltados para demandas coletivas.

De acordo com os movimentos populares e especialistas, o ganho deste modelo educacional não se restringe aos sujeitos do campo. O sujeito da área urbana é intensamente afetado pelas políticas educacionais rurais. “A cidade não vive sem o campo, no que consome, na preservação dos bens naturais. As consequências do agronegócio, como a destruição do meio ambiente e da produção de alimentos voltada ao mercado interno, atingem a todos”, enfatiza Mônica.

Ofensiva do Executivo e Legislativo

Os participantes do Seminário manifestaram preocupação com as medidas adotadas e anunciadas pelo governo de Michel Temer. Eles destacam que a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 241/2016, apresentada por Temer em maio deste ano, vulnerabiliza a formação de educadores do campo. A PEC estabelece um novo regime fiscal para gastos com saúde e educação e congela por 20 anos os recursos destinados à estas áreas, reajustados apenas por índices inflacionários. “O governo Temer não vai se pautar pelo cumprimento integral das previsões constitucionais. Ele se pauta pelo mercado. Para o governo e o agronegócio a educação do campo é entrave porque por ela os sujeitos constroem sua própria história”, destaca o coordenador geral da Campanha Educação para Todos, Daniel Cara.

O orçamento aprovado para os cursos de licenciatura em educação do campo para 2016 foi de R$ 26 milhões. A proposta orçamentária encaminhada ao Congresso para 2017 é de R$ 11 milhões, uma redução em mais de 50%.

A deputada federal, Erica Kokay (PT-DF), debate a conjuntura política com educandos, educadores, coordenadores de licenciaturas e movimentos populares..JPG
Para a deputada Erica Kokay (PT), a consequente fragilização da política educacional reforça o argumento de que a área deve ser explorada pela iniciativa privada. “Se as políticas públicas estão congeladas eu abro espaço para a iniciativa privada. Você retira a capacidade do estado em gerir uma política pública. O Estado não tem mais capacidade de sustentar. Então você tem a iniciativa privada que vai intervir e atuar para o que lhe dá lucro”, argumenta. Daniel destaca o avanço das parcerias público-privadas na gestão da política habitacional nos municípios: “Os atores internacionais perceberam que a educação no Brasil é gigante, que tem se tornado mais relevante para as pessoas, que se tornou prioridade e tem fundos volumosos”.
Não apenas a redução do orçamento deve afetar duramente a estrutura e permanência dos estudantes nos cursos de licenciatura. Os especialistas em educação no campo apontam que medidas como o Escola sem Partido (PL 193/2016), do senador Magno Malta (PR), provocará o esvaziamento da função de educador do campo orientado pela perspectiva de educação para transformação. O PL estabelece controle sobre os conteúdos ministrados em sala de aula. Temas como reforma agrária e estruturação da agricultura brasileira passariam distantes das formações. “Há uma tentativa de homogeneizar a educação, desconsiderando as especificidades dos diferentes sujeitos e respectivas demandas educacionais”, destaca a integrante do Fonec, Clarice dos Santos.

Para eles há uma ação deliberada em esvaziar o campo com o fechamento das escolas rurais e fragilização da política educacional, estendendo ao mercado a tarefa de educar e formar os trabalhadores rurais. “Quanto mais hegemônico o modelo de agronegócio, o campo não precisa nem de sujeitos e nem de escolas. Não pensa o campo como produção de alimentos, mas de lucro”, diz Mônica.

Fonte: http://www.mst.org.br/2016/09/20/licenciatura-em-educacao-do-campo-fundamental-ao-campo-e-a-cidade-alvo-do-estado-e-do-mercado.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

SEMINÁRIO TEMÁTICO - A Formação de Educadores do Campo no cenário das políticas neoliberais e conservadoras: enfrentamentos e horizontes

O Mestrado Profissional em Educação do Campo, através da disciplina Formação do Educador do Campo, em conjunto com a Licenciatura em Educação do Campo: Ciências Agrárias, Movimentos Socais do Campo, PIBID Diversidade, Grupo de Pesquisa OBSERVALE e do Fórum de Educação do Campo do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá, promoverá nos dias 04 e 05 de novembro de 2016, o Seminário temático - A Formação de Educadores do Campo no cenário das políticas neoliberais e conservadoras: enfrentamentos e horizontes.


Para se escrever no evento, baixe a Ficha de inscrição preencha-o e encaminhe para o 
e-mail: espacodialogoedc@gmail.com



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Novo impulso na luta contra os agrotóxicos

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Fórum reunindo movimentos, universidades e Ministério Público aprofundará debate sobre venenos agrícolas e mobilização por um novo projeto para o campo
Por Inês Castilho
Os agrotóxicos foram responsáveis por mais de 25 mil pessoas intoxicadas entre 2007 e 2014, no Brasil. Calcula-se que a subnotificação seja de 50 para cada caso, o que soma 1.250.000 pessoas. São responsáveis por mortes, malformações, contaminação de bebês e leite materno. Por inúmeros casos de câncer. O que mais precisamos saber a respeito desses venenos para a saúde humana, animal e do ambiente?
“É uma questão de misericórdia”, disse o médico Paulo Saldiva, atual presidente do IEA – Instituto de Estudos Avançados da USP e um dos comentaristas do Jornal da Cultura, na audiência pública Exposição aos agrotóxicos e gravames à Saúde e ao Meio Ambiente. “As evidências são mais que suficientes. Trata-se agora de criar um espaço permanente, com reuniões regulares, onde se construa uma narrativa que sensibilize tanto a sociedade quanto os governantes.”
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Fórum foi criado na Audiência Pública sobre Exposição aos agrotóxicos e gravames à Saúde e ao Meio Ambiente
Esse espaço, em São Paulo, é a partir de agora o Fórum Paulista de Combate ao Impacto dos Agrotóxicos e Transgênicos, criado no encerramento da audiência pública realizada na Faculdade de Saúde Pública pela Defensoria Pública de São Paulo e Defensoria Pública da União, nos dias 29 e 30 de agosto, com a presença de renomados cientistas.
O Fórum paulista é o 20º fórum estadual no país, além do Fórum Nacional. Como os outros, seu objetivo é articular as instituições do Ministério Público, as de ensino superior e a sociedade civil no combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos, e discutir medidas de proteção ao meio ambiente, à saúde do trabalhador e do consumidor. Terá comissões sobre regulamentação legislativa, saúde, agroecologia, meio ambiente e saúde do trabalhador.
No Brasil, a receita com a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$ 7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011. Assim, já em 2009, alcançamos a posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), somos o principal destino dos agrotóxicos proibidos pelas autoridades sanitárias na União Europeia e nos Estados Unidos.
Para quem trabalha em contato direto com eles, o risco é de intoxicação aguda, caracterizada por irritação da pele e olhos, coceiras, dificuldades respiratórias, convulsões e até morte. Já quem os ingere, a quase totalidade da população brasileira, pode ter intoxicação crônica, resultando em infertilidade, aborto, desregulação hormonal, malformações, impotência, dificuldades respiratórias, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.
Seu uso desmedido tem contaminado o solo e a água usados por comunidades indígenas em todo o país, denunciou a antropóloga Lúcia Helena Rangel, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na audiência pública. O problema vem somar-se à difusão de sementes transgênicas – uma das responsáveis pelo aumento exponencial do uso do veneno no Brasil –, como ocorre nas comunidades guarani no Vale do Ribeira. Os trens que passam por ali carregando milho deixam cair sementes que tendem a espalhar-se e ocupar o espaço das nativas. “É o mesmo que acontece com o milho transgênico dos Estados Unidos, que solapa a diversidade do milho mexicano”, exemplificou.
Sônia Corina Hess, da Universidade Federal de Santa Catarina, apresentou experimentos feitos com ratos que beberam água contaminada por glifosato, em quantidade muito menor do que a permitida pela legislação brasileira. Vale lembrar que, embora seja o agrotóxico mais usado no Brasil, o glifosato não é monitorado no Brasil. “Todos desenvolveram tumores, tanto do sexo masculino quanto do sexo feminino, e alterações metabólicas muito intensas”. A professora afirmou que o herbicida 2,4-D pode apresentar as mesmas substâncias tóxicas presentes no Agente Laranja, desfolhante usado na Guerra do Vietnã que ficou famoso por ser altamente cancerígeno e causar malformação em fetos.
A lei nº 13.301, sancionada recentemente por Michel Temer, que permite a pulverização aérea de agrotóxicos para controle do mosquito Aedes aegypti, faz parte de uma estratégia de desmonte do sistema de regulação do uso de agrotóxicos no Brasil que, desde 2008, ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de venenos agrícolas, ultrapassando até os Estados Unidos. Se for executada, pode abrir caminho para aumentar as pulverizações aéreas de agrotóxicos em áreas rurais, que já geram ínumeros impactos às comunidades.
No Espírito Santo, a pulverização de venenos agrícolas provocou uma tragédia denunciada nacionalmente em 2011, quando a aplicação de venenos sobre uma monocultura de café contaminou crianças em uma escola rural e algumas comunidades rurais em Vila Valério, noroeste do Estado.
A cereja do bolo, como disse a professora Sonia Hess com seu humor cortante, é que os agrotóxicos recebem no país reduções de alíquotas em tributos federais (IPI, PIS/COFINS, II) e estaduais (ICMS).
Fonte: www.outraspalavras.net/blog/2016/09/13/novo-impulso-na-luta-contra-os-agrotoxicos/

terça-feira, 13 de setembro de 2016

18º Encontro Estadual de Educadoras e Educadores do MST

Com o lema "Educação do Campo: por uma educação agroecológica e da classe trabalhadora", começa nesta quinta-feira (15) o 18º Encontro Estadual de Educadoras e Educadores do MST, no Centro de Treinamento da EBDA, em Salvador.
Mais de 350 participantes, de 10 regiões da Bahia, estão sendo esperados para debater e ampliar as lutas em defesa de uma educação do campo de qualidade e que atenda os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. Além disso, o Encontro pretende discutir os retrocessos políticos implementados com o governo ilegitimo e golpista de Michel Temer (PMDB).

Fonte: https://www.facebook.com/MovimentoSemTerra/?fref=nf

terça-feira, 6 de setembro de 2016

As inscrições de trabalhos para a IV RECONCITEC serão encerradas nesta sexta-feira

O Evento

Apresentação
A Reunião Anual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura no Recôncavo da Bahia, (RECONCITEC) que em 2016 estará na quarta edição, está fortalecido no âmbito do Recôncavo, com um publico cativo e que aumenta a cada edição. A expectativa de publico para essa edição é de 5 a 8 mil pessoas, entre comunidade acadêmica, (docentes, técnicos, discentes de graduação e pós-graduação) da UFRB e externa, incluindo servidores e discentes de outras Instituições de Ensino, pesquisadores de Institutos, funcionários de empresas público-privadas, representantes dos Colegiados Territoriais (Recôncavo, Vale do Jiquiriçá, Portal do Sertão, Sisal e Baixo Sul), dentre outros.
Nesse ano, a nossa proposta é ampliar a discussão de temas, com vistas à formação de uma massa crítica e transformadora da realidade, enquanto estratégia de discutir a formação acadêmica a partir do princípio educativo que integram o ensino, a extensão, a pesquisa e a permanência. Diante disso, foram incorporados à IV RECONCITEC os eventos: X Seminário de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, II Simpósio de Extensão, Seminário de Permanência Estudantil, Seminário de Educação Tutorial e IV Feira Acadêmica de Economia Solidária (IV FAESOL).
A RECONCITEC, em 2016, visa a difusão e o estímulo do debate acerca das atividades científicas, extensionistas, tecnológicas, de internacionalização e permanência qualificada desenvolvidas em âmbito nacional e especificamente na região do Recôncavo Baiano. Objetiva ainda propiciar o intercâmbio da ciência e a aplicabilidade de resultados científicos e tecnológicos e elaborar estratégias para a promoção do desenvolvimento do Recôncavo da Bahia.
Data
30/11 a 02/12/2016
Local
Cruz das Almas, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Público-Alvo
Comunidade acadêmica da UFRB (docentes, técnicos, discentes de graduação e pós-graduação) e comunidade externa, incluindo servidores e discentes de outras Instituições de Ensino, pesquisadores de Institutos, funcionários de empresas público-privadas, representantes dos Colegiados Territoriais (Recôncavo, Vale do Jiquiriçá, Portal do Sertão, Sisal e Baixo Sul), dentre outros.
Atenção para os prazos da IV Reconcitec: 
Inscrições on-line para participantes do evento:
20 de julho a 09 de outubro
Inscrições para submissão de trabalho:
20 de julho a 09 de setembro
Inscrição Presencial:
Não haverá inscrições presencial
Inscrições pelo site:

Fonte: https://www.ufrb.edu.br/reconcitec/

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Violência contra a mulher e feminismo negro tematizam evento: dias 2,9 e 16/09

Discutir e instrumentalizar os modos de subjetivação e formação da identidade dos sujeitos marcados pela estigmatização.

Esse é o objetivo do Empodera, Preta – Pela Vida e Bem Estar das Mulheres Negras, um evento proposto e realizado pela Marcha do Empoderamento Crespo (MEC), que acontecerá nos dias 2, 9 e 16 de Setembro, no Campus I da UNEB e no Instituto Cultural Steve Biko, em Salvador.

A iniciativa consiste na realização de mesas expositivas que abordarão os temas Violência contra a mulher, Gênero e feminismos negro e Relação entre estética, racismo e antirracismo. A programação do evento reserva ainda a encenação da peça Eles Não Sabem de Nada e a apresentação da jam Som das Binhas.

O evento conta com o apoio da Pró-reitoria de Ações Afirmativas (Proaf), do Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia) e da Assessoria de Cultura e Artes (Ascult), todos da UNEB.

Informações: Cepaia – tel. (71) 3241-0787.

Fonte: http://www.uneb.br/2016/09/01/violencia-contra-a-mulher-e-feminismo-negro-tematizam-evento-29-e-1609/

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