sábado, 26 de novembro de 2016

MORRE FIDEL CASTRO, O LÍDER DA REVOLUÇÃO CUBANA

Fidel, por Eduardo Galeano

POR 
ANTONIO MARTINS

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Fidel na Serra Maestra, durante a luta de guerrilhas (Foto: Enrique Meneses, no “Paris Match”)
“E seus inimigos não dizem que apesar de todos os pesares, das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta”
Tradução: Eric Nepomuceno
Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.
E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes.
E nisso seus inimigos têm razão.

Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.
E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.
E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.
E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.
(Do livro “Espelhos, uma história quase universal”)

Fidel com Celia Sánchez, uma das mulheres que à guerrilha
Fidel com a guerrilheira Celia Sánchez,
Com Ernest Hemingway, um dos poucos norte-americanos que permaneceu em Cuba após a revolução
Com Ernest Hemingway, um dos poucos norte-americanos que permaneceu em Cuba após a revolução
Falando à multidão, num longuíssimo discurso na Praça da Revolução
Falando à multidão, num longuíssimo discurso na Praça da Revolução, Havana
Com Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sarte, nos primeiros anos da revolução
Com Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sarte, nos primeiros anos da revolução
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Com Angela Davis e Malcolm X (na foto acima), durante uma visita aos EUA
Com o primeiro-ministro sueco Olof Palme, o líder mais ousado da social-democracia europeia
Com o primeiro-ministro sueco Olof Palme, o líder mais ousado da social-democracia europeia
Com Salvador Allende, na breve aventura do Poder Popular chileno
Com Salvador Allende, na breve aventura do Poder Popular chileno
TEXTO-FIM

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE INSCRIÇÃO DO MESTRADO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO DO CAMPO - UFRB


Prezad@s,

Boa tarde!

Comunico a prorrogação do prazo para inscrição no processo seletivo para Aluno Regular do curso de Mestrado Profissional em Educação do Campo (PPG EDUCAMPO) da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), campus Amargosa. O prazo foi estendido até 02/12/2016, e algumas outras datas do cronograma sofreram alterações. 

Maiores informações no site do programa, onde pode ser acessado o Edital 03/2016 e o Termo Aditivo ao Edital 03/2016.
https://www1.ufrb.edu.br/educacaodocampo/o-curso/processo-seletivo-regular

Contamos com a sua colaboração na divulgação desta notícia para possíveis interessados.

Att.

Fábio Josué Santos
Coordenador do PPG Educampo
CFP/UFRB




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

MANIFESTO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO - DOURADOS 18 DE NOVEMBRO DE 2016


Nós, das Licenciaturas em Educação do Campo da UFGD e UFMS, Escolas Famílias Agrícolas, Escolas do Campo, CPT, MST, MMC, indígenas, estudantes e pesquisadores paraguaios, professores e estudantes de outras universidades brasileiras, componentes da Brigada Internacional de Educação do Campo da África do Sul, Nepal, Estados Unidos, México, Ilhas Mauricio e Índia, reunidos na 1ª Jornada Internacional de Educação do Campo durante a realização do 2º Seminário de Agroecologia da América do Sul em Dourados - MS, tornamos público esse Manifesto.
São tempos difíceis para pensarmos a escola e a Educação do Campo, as estruturas, engessadas e hegemônicas do capital, as conjunturas políticas e sociais têm sinalizado para o retrocesso dos direitos conquistados.
Urge convocar a militância e reunir forças junto aos sujeitos sociais que se mobilizam diante da onda conservadora e fundamentalista que se avança.
A luta por uma educação do campo é uma luta muito maior, é uma luta por emancipação que não se limita aos muros da escola e às cercas dos latifúndios.
O cenário nacional é bastante desafiador!!! O rompimento do projeto de governo aprovado pelas urnas em 2014 tem produzido e produzirá efeitos nefastos para o país em especial para educação do campo, educação essa negligenciada por séculos aos povos do campo.
Partindo do princípio de que a educação do campo é direito, direito esse conquistado por meio de muitas lutas, reforçamos a necessidade de construir/retomar coletivos de debates e proposição de políticas públicas garantidoras das especificidades da Educação do Campo!
Faz-se necessário construir espaços de resistências, lutar para a construção da educação do campo junto com seus sujeitos, articulada com a luta pela reforma agrária e a transformação do modelo de produção capitalista!
Nós, estudantes, professores (as), movimentos sociais do campo, pesquisadores (as), agricultores e agricultoras denunciamos os impactos dos cortes previstos para a educação, em especial para a educação do campo!!! Não nos calaremos frente à perda de direitos anunciada pelo governo que se instalou no Brasil!

Nenhum direito a menos!!!!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Bertolt Brecht: O Analfabeto Político O pior analfabeto...


O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vid... Frase de Bertolt Brecht.
O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Nota: Autoria não confirmada. O texto é atribuído a Brecht pela primeira vez em Terra Nossa: Newsletter of Project Abraço, North Americans in Solidarity with the People of Brazil, Vols. 1-7 (1988, p. 42), mas em alemão, a língua original do autor, não se

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DAS LICENCIATURAS EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

O I Encontro Nacional de Estudantes das Licenciaturas em Educação do Campo é fruto da auto-organização das Educandas e Educandos das tantas LEdoC existentes nas Universidades brasileiras.
Se você também é estudante de LEdoC, venha construir essa luta conosco!
INSCRIÇÃO NO LINK ABAIXO:
http://dacampoufrb.wixsite.com/eneledoc


I ENELEdoC - Encontro Nacional de Estudantes das Licenciaturas em Educação do Campo

O I Encontro Nacional de Estudantes das Licenciaturas em Educação do Campo é fruto da auto-organização das Educandas e Educandos das tantas LEdoC existentes nas Universidades brasileiras.
Se você também é estudante de LEdoC, venha construir essa luta conosco!

De 17 a 21 de dezembro de 2016, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Acesse aqui o site do evento.

Fonte: http://dacampoufrb.wixsite.com/eneledoc

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Há 120 anos, começava a Guerra de Canudos – 11 DE NOVEMBRO DE 2016 - OUTRAS MÍDIAS

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Resistência a soldados mobilizados por comerciantes deflagrou conflito, que mataria 25 mil sertanejos. Reportagem resgata, em Quixeramobim (CE), primeiros passos da vida de Antonio Conselheiro
Por Domitila Andrade, em O Povo
Foi promessa e necessidade. A igreja maior, nunca concluída, abrigaria a multidão de fiéis que passava de 20 mil, em Belo Monte. A madeira paga e encomendada em Juazeiro da Bahia não chegou ao destino, e o ajuntamento para ir buscá-la fez correr como pólvora o falatório: os conselheiristas iriam invadir Juazeiro. Ou nem iam, mas, até que se explicasse, já havia sido pedida a presença da tropa militar. O embate em Uauá, num dia 7 de um décimo primeiro mês, há 120 anos, inaugurou a guerra, a de Canudos, e principiou a resistência sertaneja sobreposta pelo massacre. Foi o estopim, mas não foi motivo único. O desenrolar das birras de Igreja, coronelismo e Estado com Antônio Conselheiro, o beato dito louco, já contava mais de um par de décadas. E as raízes se fincam 700 km distantes do arraial.
Rebento de Quixeramobim, no Sertão Central cearense, o peregrino nasceu Antônio Vicente Mendes Maciel, em 13 de março de 1830 na casa que ainda hoje segue de pé no Centro da Cidade. Muito se fala que, da terra natal, Antônio só carregou fracasso e tragédia. Mas, vivendo em Quixeramobim até os 27 anos e no Estado até os 43, Antônio se construiu como beato ainda pelas veredas do Ceará.
A religiosidade perene na trajetória tem princípio quando o pai, Vicente Mendes Maciel, quis o filho ordenado padre. “Por um determinado tempo ele se vocaciona para isso, estuda latim, tem contato com língua estrangeira”, reconta Bruno Paulino, escritor e professor que leciona em Quixeramobim disciplina específica sobre a vida do filho da terra.

Outro ponto dessa aproximação com a fé se dá com Padre Ibiapina, como detalha Ailton Brasil, historiador e presidente do Instituto do Patrimônio Histórico, Cultural e Natural de Quixeramobim (Iphanaq). “Os Macieis (família de Antônio) têm historicamente um conflito com os 

Araújos, e Antônio cresce vendo como a justiça funcionava, sempre a favor dos Araújos, o lado abastado da peleja. Quem faz alguma justiça pela família dele é o padre Ibiapina, que foi o primeiro juiz de paz daqui”, aponta. Um novo encontro com a missão do padre e seu catolicismo de ação se dá mais a frente, no Cariri, quando Antônio já havia se encontrado com sua sina.
Endividado depois de tentar seguir com os negócios do pai falecido, o recém-casado Antônio deixa Quixeramobim. O fracasso nos negócios já mostrava, para Bruno, sinal do humanista que Antônio era. “Quixeramobim o formou intelectualmente e foi também a cidade que o expulsou. A história oficial tenta colocar como um fracasso. Eu acredito que isso mostrava que ele estava destinado a voos mais altos. Conselheiro foi professor, rábula (advogado prático), arquiteto, líder, um pacifista, um homem de múltiplas facetas que ensinava o conviver com o outro e com a terra”.
A pecha que recai sobre o homem, na tentativa de diminuir sua história, era a de corno. A narrativa imprecisa da traição de Brasilina, a esposa, coloca Antônio em desespero. Era dali que partia o segundo infortúnio, a loucura, a ele imputada como que para enfraquecer a obstinação.“Essas pechas servem para esvaziar o ideal que ele representava”, afirma o psicanalista Osvaldo Costa Martins, um dos fundadores, na Quixeramobim de 1990, do Movimento Antônio Conselheiro. Apontando a loucura como “categoria social, que serve a todo tipo de estigmatização”, Osvaldo, analisou os manuscritos deixados pelo Conselheiro, e pondera que não tem elementos para diagnosticá-lo. “Ele era tido pela psiquiatria da época como monomaníaco religioso. Mas no texto do Conselheiro não tem elementos que apontam para um delírio, uma paranoia. É um texto muito bem construído, bem argumentado”, acredita.
Apartado da esposa, outra mulher teve, talvez, mãos mais fortes na moldura do beato de vestes azuis, profusão de pelos e pés descalços. Longe de Brasilina e dos dois filhos cujos destinos se perderam, Antônio se enlaça, em Santa Quitéria, com uma mística e tem com ela Joaquim Aprígio, o rebento que a luz da história alumiou. Joana Imaginária talhava santos. Santo também foi alcunha que seguiu Antônio.


Legado
Pedir no Centro da Cidade informações de onde fica a casa onde nasceu Antônio Conselheiro é receber informações imprecisas. Além da casa, o bairro abriga o Instituto Antônio Conselheiro, que guarda informações do peregrino e carece de cuidados. Ao lado dele, o único ponto comercial que carrega o nome do andarilho. Para quem leva tenta sustentar viva a memória do beato, esses são sinais de que os rótulos nele fixados ainda estão presentes e os ideais defendidos por Antônio seguem perigosos até hoje.
A família Maciel traz um orgulho quase tímido do parente distante. O pastor Roberto Maciel, da quarta geração posterior a Antônio, se ressente da falta histórica de apoio à família. Ele mesmo tem se inteirado da trajetória de Antônio pelas heranças do tio Marcílio Maciel. Falecido em 2015, Marcílio sabia de cor os caminhos do Conselheiro e queria que Antônio não fosse esquecido.
“Ele nos ensinou que a gente tinha o dever de repassar os ideais de Antônio. Quando morreu me deixou a missão de ir conhecer Canudos. Eu me apaixonei, foi uma das maiores emoções da minha vida”.
Conselheiro só passou a ser tema de pesquisa na década de 90, com o Movimento Antônio Conselheiro. Hoje, Quixeramobim tem o evento Conselheiro Vivo, que envolve escolas e movimentos sociais e rememora a vida do beato, no dia 13 de março, feriado na Cidade. Uma procissão também vai a Canudos anualmente em outubro. Para Neto Camorim, historiador que todo ano viaja a Canudos e perfaz os caminhos do Conselheiro na Bahia, Antônio deixa como legado “a resistência, a determinação, a teimosia”. “Ele era à frente do seu tempo e dá uma lição para as políticas públicas de que uma sociedade comunitária, num sertão seco, é viável”, diz. Bruno Paulino complementa: “Conselheiro ensina que o sertão é possível”.
Signo de tragédia
A peleja de Araújos e Macieis (esses acusados de roubo de cabeças de rês por aqueles), com baixas de ambos os lados; e a morte da mãe, Maria Joaquina, quando Antônio só contava quatro anos, principiam a vida marcada pelo signo da tragédia. Antônio cresce sendo maltratado pela madrasta; endivida-se ao assumir os negócios do pai; é traído por Brasilina; e já na Bahia é preso e trazido para o Ceará, acusado injustamente dos assassinatos de mãe e esposa. No percurso, Antônio sofre, passivamente, uma série de torturas.
Uma casa amarela toda azul
A casa de cinco portas, preparada para um comércio, construída na rua principal de Campo Maior, como era chamada a vila de Quixeramobim, segue de pé até hoje. Erguida pelo pai de Antônio Conselheiro, Vicente Mendes Maciel, no século XIX, a casa hoje amarela e vermelha já abrigou a família do músico e arquiteto Fausto Nilo. É sobre ela a música “Casa Toda Azul”, dizeres escritos na fachada, quando a casa de paredes largas e pé direito alto foi, além de residência, loja de tecido do pai do arquiteto, também de nome Fausto Nilo. O arquiteto conta que, depois da família Maciel, a casa passou para posse do coronel João Paulino, que a vendeu para Luiz Pereira, e depois para seu avô Benjamin Frutuoso. Hoje, vendida ao Governo do Estado, a casa espera restauro e a conclusão do tombamento.
Cronologia da Guerra de Canudos
1893
Neste ano, conselheiristas, no município de Tucano, enfrentaram e venceram um destacamento da Polícia Baiana. Este foi o primeiro conflito armado do grupo. O motivo foi a decretação de impostos. Nos primeiros dias de junho, Conselheiro e seus acompanhantes alcançaram o povoado de Canudos que tomou a denominação de Belo Monte. Começava uma nova era na vida sertaneja e nacional.
1896
Antônio Conselheiro encomendou madeira para a capela em construção com comerciantes juazeirenses. Sem a entrega, espalhou-se em Juazeiro, que os jagunços iriam buscar o material. Temendo uma invasão, preparou-se uma tropa de linha de 120 homens, comandada pelo tenente Pires Ferreira, que resolveu marchar contra Canudos e foi surpreendido, no povoado de Uauá, pela jagunçada. Estava iniciada, em 7 de novembro, a Guerra de Canudos.
1897
A expedição de Febrônio de Brito, a segunda, sofreu violento ataque dos jagunços e precisou recuar, no lugar conhecido por Taboleirinhos de Canudos.

O coronel Antônio Moreira César foi nomeado comandante da terceira expedição, formada por mais de 1,2 mil homens. A espetacular expedição foi desbaratada em março, vitimando seu famoso chefe, o Corta-Cabeças. A terceira expedição saiu de Canudos derrotada e deixou as armas necessárias à resistência.
A quarta expedição, com mais de 10 mil homens, foi dividida em duas colunas, partindo uma de Monte Santo e a outra de Aracaju na direção do Belo Monte, que resistiu durante alguns meses causando grandes perdas aos militares. Os ataques iniciados em junho somente em outubro dariam a vitória às armas republicanas.
O Conselheiro morreu em 22 de setembro, de disenteria, estilhaços de granada ou encantamento. O povoado foi dominado em 5 de outubro, com a queima do arraial e a dizimação de grande parte dos mais de 20 mil moradores.
O cadáver de Antônio Conselheiro, sepultado na casa em que morava, foi encontrado em 6 de outubro. Sua cabeça foi levada para Salvador para ser estudada por uma mestre da Medicina Legal, Nina Rodrigues, que concluiu se tratar de cérebro normal.

Fonte: http://outraspalavras.net/outrasmidias/capa-outras-midias/ha-120-anos-comecava-a-guerra-de-canudos/

Com PEC, recursos da cultura terão corte de 90% - BRASIL DE FATO

Sem um piso obrigatório, orçamento do setor será tão pequeno que as principais ações correm risco de paralisação total

Brasil de Fato | Brasília (DF), 
Ocupação do prédio do Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro / Tânia Rêgo/ Agência Brasil

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que congela o orçamento do governo federal por vinte anos tem sido alvo de duras críticas porque vai impactar diretamente em áreas como saúde e educação, com significativa redução dos investimentos. O que nem todo mundo se deu conta ainda é que na área cultural, a PEC será ainda mais devastadora. Isso porque, diferentemente da saúde e educação, que possuem pisos orçamentários obrigatórios previstos na Constituição, a cultura não tem essa garantia e, com isso, pode perder até 90% do seus recursos em apenas cinco anos. A projeção foi apresentada pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), João Brant.
Em 2016, o orçamento total da pasta foi de aproximadamente R$ 1,23 bilhão. Se a PEC for aprovada, esse orçamento não poderá crescer mais que a inflação do ano anterior. Como não se pode mexer nos recursos do pagamento de salários e previdência e nas despesas obrigatórias, por exemplo, o corte será justamente no montante de recursos que é destinado às próprias ações do ministério. “O que a gente pode prever, para os próximos cinco anos, é que a Cultura tenha uma perda de aproximadamente 90% do seu orçamento voltado a despesas finalísticas, ou seja, editais, obras, convênios com estados e municípios”, exemplifica João Brant.
Em nota técnica publicada recentemente, Brant, que foi secretário-executivo do ministério na gestão Dilma Rousseff até abril desse ano, explica que com a queda de quase 90% do orçamento voltado para as ações culturais, na prática, todas as ações do MinC serão paralisadas. Isso inclui editais de pontos de cultura, ações voltadas à cultura negra, obras de patrimônio cultural e exposições de museus, financiamentos não-retornáveis do Fundo Setorial do Audiovisual, além de ações de digitalização da Biblioteca Nacional, bolsas da Fundação Casa de Rui Barbosa e todas as ações financiadas pelo Fundo Nacional de Cultura, segundo conclusões do documento. Com isso, a tendência é o fechamento de unidades inteiras vinculadas ao ministério ou até mesmo a transferência da gestão para a iniciativa privada. O MinC possui atualmente sete unidades vinculadas, como a Agência Nacional do Cinema e Audiovisual (Ancine), a Fundação Nacional das Artes (Funarte), Fundação Biblioteca Nacional e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 
Pontos de Cultura
As medidas do governo vão na contramão do processo de desenvolvimento de outros países, que ampliaram seus gastos sociais, explica a socióloga Daniela Ribas, integrante do colegiado setorial de música no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). “Agora, a cultura passou a ser vista como gasto e não como vetor do desenvolvimento humano e econômico”, critica. 
Daniela prevê que o corte de 90% nas ações do MinC que deve impactar principalmente o Programa Cultura Viva, responsável pelos mais de 9 mil Pontos de Cultura espalhados pelo país, que atendem diretamente cerca de 9 milhões pessoas. Criado em 2004, no governo Lula, os Pontos de Cultura são formados por grupos da sociedade civil que recebem verba para desenvolver atividades relacionadas a música, dança, literatura, artes plásticas, cinema, economia solidária, entre outros, principalmente nas regiões mais pobres do país. Também estão comprometidas as políticas de participação social em fóruns, conselhos, conferências e colegiados.  
“Apagão cultural”
Com os cortes recaindo sobre Pontos de Cultura e participação social, Daniela Ribas cita a ameaça de um “apagão cultural” nos próximos anos. “Os direitos culturais deixam de ser percebidos pela população e o paradigma de cultura será o de megaeventos. A tônica da democratização do acesso à cultura dará lugar a políticas desarticuladas da ideia de desenvolvimento humano e de valorização da diversidade, questões que tem pouco lugar no mercado de entretenimento”, analisa a socióloga, que integra o Conselho Nacional de Política Cultural.
Para Célio Turino, que foi secretário de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC entre 2004 e 2009, e um dos responsáveis pela implantação dos Pontos de Cultura no país, o corte no setor tem um grande impacto social, especialmente na população mais jovem. “Essa garotada que está fazendo teatro, dança, música, cinema, desenvolvendo softwares, economia solidária, se articulando em teias e encontros, não vai ter mais opção. A gente sabe que quando as pessoas tem menos opções de cultura, lazer e esporte, elas acabam sendo tragadas pela depressão, pelo consumismo vazio e até para a criminalidade e as drogas”, afirmou em recente entrevista para a Rede TVT. 
Edição: José Eduardo Bernardes

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Mestrado Profissional em Educação do Campo da UFRB abre Processo Seletivo para Aluno Regular 2017

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) torna público o edital que estabelece as normas e condições para o processo seletivo para Aluno Regular do Curso de Pós-Graduação Stricto sensu, em nível de Mestrado Profissional em Educação do Campo, para ingresso no semestre letivo 2017.1, em conformidade com a Resolução CONAC/UFRB 049/2013 que dispõe sobre o regulamento geral para os cursos stricto sensu da UFRB; a Portaria Normativa MEC nº.17/2009 que regulamenta o Mestrado Profissional; a Portaria do Ministro da Educação n. 187 de 6 de março de 2015, que reconhece o curso de pós-graduação stricto sensu - Mestrado Profissional em Educação do Campo da UFRB; e o Regimento Interno do Programa.

DO PÚBLICO ALVO 
O Curso de Mestrado Profissional em Educação do Campo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGEducampo/UFRB) tem como público preferencial os profissionais da educação (docentes, gestores e técnicos) e educadores do campo que tem como lócus de atuação profissional as escolas do campo, secretarias de educação, comunidades rurais (assentamentos, acampamentos, comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas, fundo e fecho de pasto) e movimentos sociais e sindicais do campo. O foco da formação é a Educação do Campo no contexto social, político e econômico da realidade agrária brasileira, podendo ser admitidos candidatos portadores de diploma de ensino superior nas diversas áreas do conhecimento

Período de inscrição: 10 a 25 de novembro de 2016.

Fonte: https://www1.ufrb.edu.br/educacaodocampo/o-curso/processo-seletivo-regular

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Comunidades da Ilha de Boipeba/BA lutam para defender território de mega projeto imobiliário

Por assessoria de comunicação do CPP Nacional 

                       A Ilha de Boipeba é considerada uma das mais lindas do mundo

Comunidades de pescadores artesanais, marisqueiras e quilombolas da Ilha de Boibepa, no município de Cairú, Bahia, vêm sendo ameaçadas pela implementação do Projeto Turístico-Imobiliário Fazenda Ponta dos Castelhanos, criado em 2001 pela empresa Mangaba Cultivo de Coco Ltda. Os grupos tradicionais da região estão em luta para que se debata o processo de licenciamento do empreendimento, que já tem parte aprovada pelos órgãos ambientais, e a maneira como ele chega ao território, em que deve prevalecer o diálogo e o respeito às comunidades.

No dia 03 de julho, aconteceu uma audiência pública na qual as populações locais deixaram claro o repúdio pela forma como o projeto é implementado. Para as comunidades, tudo está sendo feito de forma obscura e sem diálogo. “No começo, nós nem sabíamos quem havia comprado o terreno. O comprador ficou escondido e começou a cercar algumas passagens e intimidar ações das comunidades”, denunciaram os moradores.

O empreendimento milionário prevê a ocupação de 20% da Ilha de Boipeba com a construção de 69 lotes para residências fixas ou de veraneio; condomínio com 32 casas; três pousadas de grande porte; aeroporto; um pier para 153 embarcações; campo de golf de 18 buracos; além de parques de lazer; estradas e infraestrutura de água e telefonia.

Em contrapartida, não propõe soluções para o acréscimo de quase 260% de lixo, nem para os diversos impactos ambientais que o próprio projeto aponta, relacionados às agressões ao meio ambiente e às consequências na pesca, na mariscagem e no extrativismo, além da ameaça à biodiversidade da região. Muitas das obras irão invadir áreas de pesca e mergulho, desmatarão boa parte do mangue preservado, atacarão áreas de guaiamum, dentre outras irregularidades já  apontadas pelas entidades ambientais.

Da maneira que está sendo desenvolvido, o projeto representa uma ameaça ao modo de vida, ao território e à própria existência das comunidades tradicionais locais, que há séculos conservam aquele ambiente, uma das mais belas Ilhas do planeta.

A advogada Kassira Bonfim, que acompanha os trâmites e defende o interesse da participação das comunidades no processo, esteve presente na audiência do dia 03 e relatou a determinação e conhecimentos demonstrados pelos pescadores e marisqueiras."Um projeto de padrões milionários ofertando às comunidades todas as vantagens estereotipadas do mundo capitalista, mas aquela população teve a lucidez e sabedoria de dizer não em proteção do seu modo de vida, dos seus princípios, das suas crenças, numa demonstração da envergadura moral que eu sempre vi neles", relata a advogada.

A luta das populações locais reivindica sua maior participação no processo da chegada do mega empreendimento à Ilha. Os moradores pedem o redesenho do projeto de modo que atenda as necessidades locais e respeite seu modo de vida e o próprio meio ambiente. Cabe aos órgãos ambientais envolvidos, Inema e IBAMA, desacelerarem a maneira desordenada e impositiva que o mega empreendimento chega à Ilha de Boipeba e escutar o lado de quem realmente conhece e vive a região.

Movimento de luta e denúncias

Em 2013, a população fez um apelo à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, mas até hoje não obteve resposta. Agora, os moradores fazem um abaixo-assinado online pedindo a atenção, cuidado, estudo, fiscalização e proteção às questões ambientais e das comunidades tradicionais relacionadas ao licenciamento do projeto. O intuito é chamar a atenção da sociedade para o caso.
No último dia 19, em reunião com advogados, os moradores discutiram o direito de serem preservados como comunidades tradicionais e como participar melhor do processo de licenciamento, além da necessidade de se criar condições para que o projeto abra-se à comunidade para ouvi-la e interagir de forma saudável. A reunião ainda levantou as ameaças e intimidações que a população vem sofrendo para se afastar das praias. Pontuaram, inclusive, a ilegalidade de lotes em toda a costa cercando manguezais sem a presença do órgão da União competente.

Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras

Assim como os moradores da Ilha de Bopieba, inúmeras são as comunidades tradicionais que sofrem com o avanço de grandes projetos e com a política desenvolvimentista adotada pelo Estado brasileiro. Nesse contexto, o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), há dois anos, trabalha a Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras, que propõe um projeto de lei de iniciativa popular que reconhece, protege e garante o direito ao território de pescadores e pescadoras artesanais de todo país.

Fonte: http://peloterritoriopesqueiro.blogspot.com.br/2014/07/comunidades-da-ilha-de-boipebaba-lutam.html

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Artigo: O silenciamento do MST na reportagem do Fantástico

Por Maurini Souza
Do Brasil de Fato 


Neste domingo (6), o programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou uma matéria de seis minutos e catorze segundos sobre o que os apresentadores chamaram de “uma operação policial em um acampamento do MST” no Paraná que encontrou “uma organização” que “funcionava como um estado paralelo”. A reportagem se inicia informando que “por trás da bandeira do MST uma quadrilha atuava no interior do Paraná” e segue com algumas entrevistas e informações sobre as atuações das polícias militares de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que também realizaram operações, em seus estados, buscando os 14 suspeitos.

O que chama atenção na abordagem são, porém, as escolhas da edição da notícia, que repetem tendências da emissora ao tratar do assunto. Por exemplo, quando um artigo científico publicado na revista da Unicamp (http://revistas.iel.unicamp.br) analisa três anos de matérias sobre o MST veiculadas pelo Jornal Hoje, observa que “a relação com as fontes, aliás, é um exemplo do silêncio que pode ser observado nesta análise: quase na totalidade, o trabalhador rural sem terra não é fonte das informações; a quebra desse paradigma se dá quando, como exemplifica a reportagem acima, esse trabalhador é fonte de denúncia ao Movimento”.

As fontes da reportagem do Fantástico repetem essa tendência: dos sete entrevistados, dois (rostos ocultados) são identificados como do MST e denunciam atos de estelionato e abuso de poder. O terceiro (também de rosto ocultado) é apresentado como alguém que “abandonou o movimento” por se decepcionar com as “regras impostas”. Nessas declarações, a reportagem não esclarece se as denúncias ou reclamações são contra os suspeitos ou contra o Movimento Social. O quarto entrevistado é um fazendeiro (gravado com imagem desfocada, na contraluz, não identificável), que teve sua fazenda ocupada há sete meses e lamenta o “prejuízo de mais de cinco milhões de reais”.

Nenhum dos nomes dos entrevistados é apresentado, assim como nenhuma forma de reconhecimento; se por um lado, esse aspecto remete ao direito jornalístico das preservações de fontes (utilizado normalmente em matérias de âmbito policial, para preservar a segurança do entrevistado), por outro, é preciso confiar plenamente no produtor da reportagem para dar crédito às informações – protestos recentes a posturas adotadas pela Rede Globo colocam em xeque essa credibilidade.

Os outros três entrevistados são uma delegada, falando das investigações, um delegado, falando sobre a associação entre as polícias do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul na busca aos suspeitos não encontrados, e o secretário de Segurança Pública do Paraná, que, pela primeira vez, já no final da matéria, esclarece que as denúncias não são contra o MST e nem contra procedimentos do Movimento, mas contra um grupo contra o qual houve denúncias.

Contrariamente a essa declaração, porém, nenhum acampado do MST foi entrevistado, para ratificar ou negar as informações, e as únicas imagens em que se pode identificar alguém são as que mostram as pessoas sendo presas – entrando em carro de polícia ou sendo conduzidas, algemadas, por policiais. Essas imagens apontam para questões relativas à formação de identidade de um grupo social: se o grupo nunca é visto e, quando visto, remete a cenas de violência, a identidade desse grupo, para o restante da população, é de grupo integralmente violento.

Essa formação, apresentada pelas imagens, se sobrepõe ao único momento em que parte da versão do MST é trazida à tela: duas frases de uma carta de duas páginas são destacadas – a primeira, declarando que o Movimento não é criminoso e, a segunda, chamando de “injustificáveis” as ações da Polícia Militar de São Paulo na escola Florestan Fernandes.

Nesse ponto, abre-se para outra característica da reportagem a se destacar: segundo estudos sobre análise de discurso, os silêncios significam. O teor das informações silenciadas pela matéria da Rede Globo preserva um padrão, que pode ser entendido como elemento de tendenciosidade do texto e manipulação de informações.

Dentre outros exemplos, essa característica é evidente em três momentos:

1) Durante grande parte da reportagem, observa-se a escolha em apresentar denúncias contra “alguns líderes” sem as devidas discriminações; essa falta de informação específica amplia a declaração de criminoso a qualquer “integrante” do Movimento.

2) Quando informa que a polícia militar do Mato Grosso do Sul procurava um dos líderes do acampamento do Paraná, a reportagem silencia que, também naquele estado, a polícia invadiu uma escola, sem mandato policial;

3) Quando fala sobre a “operação na escola Florestan Fernandes”, a reportagem informa que “houve tumulto”, mostrando balas de revólveres usadas na operação, sugerindo troca de tiros. Silencia, assim, que os tiros foram dados exclusivamente pelos policiais, o que justificaria o “tumulto”. Também silencia quanto aos dois detidos no local, sem especificar se eles faziam ou não parte do quadro inicial de suspeitos – novamente ampliando a gama de criminalização.

Os silêncios sistematicamente apontam para uma direção de proteção aos atos, mesmo ilegais, de uma operação policial, ao mesmo tempo em que inserem, na desinformação, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em um âmbito criminoso.

A isso se diz criminalização do movimento social por parte da mídia.


*Maurini Souza, jornalista e professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Fonte: http://www.mst.org.br/2016/11/08/artigo-o-silenciamento-do-mst-na-reportagem-do-fantastico.html

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